Mobilização estudantil que marcou o primeiro turno
Às 21h45 do dia 4 de outubro, o estudante João Paulo Pimenta Armando, de 22 anos, enviou uma mensagem que desencadeou uma reação imediata entre seus colegas do curso de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF). O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais apontava o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 47,03% dos votos, à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que somou 45,16%. A resposta do grupo foi rápida: decidiram erguer na frente do campus do Ingá, em Niterói, a bandeira “Direito UFF Antifascista” em apoio ao petista. O ato espontâneo ganhou força e se transformou em uma série de manifestações pelo país, contribuindo para o crescimento da esquerda no Rio de Janeiro no segundo turno.
De ato simbólico a movimento nas ruas
Inicialmente, a intenção do grupo era apenas marcar posição no salão da faculdade, segundo Armando. Mas, ao longo do evento, a pressão dos participantes levou-os a ocupar as ruas sem planejamento prévio. A repercussão só ficou clara para os estudantes quando os vídeos da manifestação viralizaram nas redes sociais. A mobilização na cidade não parou por aí: além dos primeiros atos, Niterói registrou 15 manifestações pró-Lula durante os 21 dias do segundo turno.
Transformação pessoal e engajamento político
Luisa Valentina Costa, de 19 anos, uma das idealizadoras do protesto, relata o impacto emocional da vitória de Lula. Vinda da Bahia para o Rio de Janeiro para cursar Direito, ela mudou sua visão política após a perda da avó pela Covid-19, momento que a afastou da influência familiar e a aproximou da rejeição ao governo Bolsonaro. Para ela, o processo foi uma conquista pessoal e coletiva que simboliza a importância da participação dos jovens na política.
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Histórico de resistência estudantil na UFF
A bandeira que se tornou símbolo da mobilização estudantil tem história desde 2018, quando foi criada para expressar a oposição dos estudantes à eleição de Jair Bolsonaro. Na ocasião, a peça chegou a ser retirada do campus por fiscais do Tribunal Regional Eleitoral sob a acusação de propaganda irregular, mas foi recolocada após liminar judicial. João Boechat, ex-líder estudantil que idealizou a bandeira, destaca a importância de dar visibilidade ao posicionamento dos jovens na universidade.
O engajamento da UFF contra a família Bolsonaro não é recente. Em 2011, Jair Bolsonaro foi expulso do campus após ofender a memória de Fernando Santa Cruz, estudante da universidade assassinado durante a ditadura militar. Este episódio reforça a tradição de resistência política dos estudantes da instituição.
Compromisso com a continuidade da luta política
O ambiente na UFF hoje é de orgulho e determinação. Os estudantes prometem manter a presença nas ruas e apoiar o governo Lula nas negociações com o Congresso Nacional. Uma nova manifestação em Niterói celebrou a vitória do petista, reafirmando o papel ativo dos jovens na política brasileira e sua influência direta nos rumos da educação e da democracia.
