Vitória de Lula deve ser respeitada, mas ONG destaca desafios
A Transparência Internacional-Brasil reconheceu a legitimidade da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apontando que ela precisa ser respeitada por todos os atores políticos. O posicionamento da ONG surge após o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) ter declarado que não aceitaria o resultado do pleito. Apesar da confirmação do triunfo de Lula, a entidade manifestou preocupação com a continuidade de problemas institucionais vinculados à gestão do petista.
Críticas ao combate à corrupção e à integridade institucional
Segundo a Transparência Internacional-Brasil, o resultado apertado da eleição não representa um aval irrestrito ao desempenho do governo nem um cheque em branco para práticas que agravaram fragilidades institucionais. A organização reforça que a votação evidencia uma sociedade dividida, à espera de respostas eficazes para desafios que permanecem sem solução.
A nota oficial destaca que, embora Lula detenha credenciais democráticas sólidas e tenha respeitado o processo eleitoral, parte dos problemas institucionais atuais está ligada a escolhas e omissões observadas em seus mandatos anteriores. A ONG critica a “progressiva relegação do combate à corrupção a uma posição secundária no discurso e na agenda governamental” e aponta uma reação insuficiente diante dos retrocessos acumulados nos últimos anos.
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A transparência também aponta a ausência de iniciativas firmes para fortalecer a independência e a credibilidade de instituições essenciais, incluindo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e agências regulatórias. Além disso, a ONG manifesta preocupação com práticas que comprometem a equidade da competição eleitoral, como o uso da máquina pública e a ampliação de gastos governamentais em períodos eleitorais, distorções que se repetem em sucessivos governos e exigem respostas institucionais para preservar a integridade democrática.
Reforço na autonomia dos órgãos de controle é apontado como prioridade
A nota da Transparência Internacional-Brasil sugere que o combate efetivo à corrupção demanda a recuperação da autonomia, dos quadros técnicos e dos recursos orçamentários dos órgãos de controle e fiscalização. Ressalta também a importância do fortalecimento da independência e da qualidade regulatória de instituições estratégicas para a República.
Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, foi reeleito presidente para um quarto mandato, marcando uma virada inédita desde a redemocratização. O ex-operário, que governou o país por duas décadas, obteve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL). O resultado oficial apontou 68.256.232 votos para Lula e 59.826.041 para Flávio.
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Na reta final da disputa, as pesquisas indicavam empate técnico entre os dois candidatos, com ligeira vantagem numérica para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A pesquisa Datafolha registrava 51% para Flávio e 49% para Lula, cenário semelhante ao apontado pela Quaest.
