Arte presente em todos os espaços da escola
A Escola Americana de Vitória (EAV) inovou ao colocar a arte como parte constante do dia a dia dos estudantes. Ao invés de restringir as obras artísticas apenas às aulas, elas agora ocupam os corredores, recepções e outros ambientes dos campi, criando uma galeria permanente que conecta crianças e adolescentes à produção cultural local.
O acervo da escola reúne atualmente cerca de 100 artistas capixabas que trabalham com diversas linguagens, como pintura, desenho e escultura. Entre os nomes estão José Carlos Vilar, Renata Egreja, Beeboy, Felipe Bernardes, Regina Caus, Fernando Augusto e André Falqueto. Essa diversidade amplia o contato dos alunos com múltiplas formas de expressão artística.
Integração da arte ao currículo escolar
O projeto ganhou força graças à atuação da consultora do EAV Art Center e colunista do Folha Vitória, Flávia Dalla, que fez um levantamento do acervo e alinhou as obras com o currículo escolar. A partir dessa conexão, os conteúdos trabalhados em sala de aula passaram a dialogar com as obras e os artistas, enriquecendo o aprendizado.
Segundo Mariana Buaiz, vice-presidente da escola, a iniciativa vai além do ensino tradicional da arte. A exposição diária a diferentes linguagens estimula nos alunos formas variadas de perceber e interpretar o mundo, habilidade essencial diante do cenário atual de excesso de informações e da presença da inteligência artificial.
“Educar para a arte é educar para a sensibilidade, criatividade e para a capacidade de atribuir significado ao que nos cerca”, afirma Mariana. A escola entende que desenvolver essa competência ajuda os estudantes a fazer escolhas conscientes sobre onde direcionar sua atenção.
Obras que provocam questionamentos e diálogos
A estratégia de espalhar as obras pelos ambientes escolares visa fazer do contato com a arte algo espontâneo. Uma escultura ou pintura no caminho para a sala de aula pode despertar dúvidas, incentivar conversas ou simplesmente convidar o aluno a observar com mais atenção.
Mariana destaca que a arte presente na rotina escolar cria oportunidades de aprendizado que extrapolam a disciplina, podendo servir como ponto de partida para discussões sobre história, cultura, identidade, sociedade, ciência e natureza.
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“O mais importante não é dizer ao aluno o que a obra significa, mas ajudá-lo a observar, questionar e construir suas próprias interpretações”, explica a vice-presidente.
Flávia Dalla reforça que essa convivência diária com a arte contribui para a ampliação do repertório dos estudantes. Ela compara o processo a uma jornada que acompanha as transformações pelas quais crianças e adolescentes passam ao longo do tempo.
“Estar em contato constante com arte dentro da escola permite que eles se renovem e amadureçam nessa relação”, afirma Flávia.
Artistas interagem diretamente com estudantes
Uma das abordagens adotadas pela EAV é aproximar os alunos dos artistas responsáveis pelas obras do acervo. Essa experiência ajuda os estudantes a compreenderem o processo criativo e a história por trás das peças, tornando a arte mais próxima e significativa.
Um exemplo é a obra “A Montanha em Mim”, da artista Renata Egreja, que visitou a escola para conversar sobre sua trajetória e criação. Ela participou também de encontros com o Clube de Arte – grupo formado pelos próprios alunos – e professores, fortalecendo o diálogo entre arte, educação e comunidade escolar.
Outra iniciativa similar envolveu o artista Beeboy, cuja obra está exposta na recepção do campus Aeroporto. Após uma conversa com estudantes do 10º ano, alunos do 8º ano analisaram criticamente seus trabalhos durante uma aula de Português, demonstrando como a arte pode integrar diferentes áreas do conhecimento.
Arte em diálogo com outras disciplinas e viagens pedagógicas
A escola busca ainda conectar a arte a conteúdos como matemática, perspectiva e química, explorando elementos como processos de coloração. Essa interdisciplinaridade é construída em parceria com professores e coordenação pedagógica, garantindo que a arte dialoga com o currículo de forma consistente.
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As chamadas field trips – viagens pedagógicas realizadas pelos estudantes – também foram incorporadas ao planejamento. Alunos do 5º ano, por exemplo, visitam o Instituto Inhotim, em Minas Gerais, onde a curadoria das experiências é direcionada para reforçar os temas trabalhados na escola.
Durante o mês da Consciência Negra, as visitas priorizam obras de artistas negros, buscando ampliar o debate e a reflexão sobre diversidade cultural. O objetivo é que as vivências externas sejam retomadas em sala de aula por meio de atividades conduzidas pelos professores.
Estudantes protagonistas em projetos artísticos
Além de receberem a arte, os alunos se tornam protagonistas na produção e mediação cultural. No Clube de Arte, eles pesquisam, criam e compartilham trabalhos, além de interagir com artistas e participar de eventos culturais.
Na exposição do escultor Vilar, por exemplo, membros do clube visitaram o ateliê do artista para conhecer seu processo criativo. Depois, atuaram na recepção e mediação da mostra no campus Aeroporto, exercendo um papel ativo na difusão da arte na escola.
O News Club, grupo de jornalismo escolar, também se envolve nas atividades, produzindo matérias sobre os eventos. Uma estudante participou da elaboração do texto curatorial da exposição, ao lado de Flávia Dalla, ampliando a participação dos alunos na construção de conhecimento.
Mariana salienta que esse protagonismo é fundamental para a formação dos estudantes. “Aproximar a criança não só da obra pronta, mas do ato de criar, ensina que observar, interpretar, experimentar e produzir fazem parte do mesmo processo de aprendizagem”, conclui.
