Consultoria Eurasia revisa cenário eleitoral após primeiro turno
A consultoria de risco político Eurasia Group elevou de 70% para 80% a probabilidade de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. A atualização acompanha os resultados do primeiro turno, em que Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, refletindo uma vantagem de 1,87 ponto percentual.
Essa revisão representa a avaliação da Eurasia sobre as chances de cada candidato vencer a disputa, não a proporção direta de eleitores que pretendem votar em cada um. A probabilidade de reeleição de Lula caiu na mesma proporção, passando de 30% para 20%.
Impacto dos votos dos candidatos eliminados e indecisos
Segundo o relatório assinado por Christopher Garman, diretor-gerente para as Américas da consultoria, a migração dos eleitores que escolheram candidatos eliminados favoreceu majoritariamente Flávio Bolsonaro. Além disso, os eleitores indecisos também tendem a apoiar o senador, o que amplia sua vantagem nas projeções.
Essa dinâmica aumenta as chances do candidato do PL manter uma liderança expressiva a pouco mais de duas semanas do segundo turno. Quanto mais próxima da eleição a vantagem permanecer, mais difícil será para Lula reverter o quadro.
Levantamentos recentes mostram vantagem do senador, mas com variações
Dados de pesquisas divulgadas após o primeiro turno indicam uma disputa acirrada, com diferenças conforme a metodologia e a data da coleta. Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg publicada em 9 de outubro, Flávio aparece com 51,1% das intenções de voto, contra 45,7% de Lula. O Datafolha, divulgado um dia antes, atribui 49% ao senador e 45% ao presidente. Já o PoderData mostra vantagem de seis pontos para o candidato do PL.
Por outro lado, a pesquisa Vox Brasil, citada pela Exame, aponta Lula com 44,2% e Flávio com 42,7%. Essas variações reforçam que as projeções não garantem o resultado das urnas, indicando um cenário competitivo e sujeito a mudanças.
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Alteração significativa na avaliação da Eurasia após o primeiro turno
Antes da votação de 4 de outubro, a Eurasia atribuía 55% de probabilidade de vitória a Lula. Essa avaliação combinava modelos que consideravam aprovação do governo, percepção dos eleitores sobre os problemas do país e média das pesquisas eleitorais. O resultado do primeiro turno e os levantamentos posteriores alteraram essa leitura, dando mais peso à vantagem de Flávio e à capacidade da oposição de atrair eleitores preocupados com temas como corrupção, segurança pública e custo de vida.
Desafio de Lula para ajustar a mensagem da campanha
A consultoria destaca que o principal obstáculo para a reeleição de Lula é a dificuldade de apresentar uma mensagem que atenda ao desejo de mudança de parcela do eleitorado. O presidente precisa explicar como um eventual quarto mandato responderia às expectativas dos brasileiros, além de enfrentar críticas sobre corrupção, segurança e percepção de estagnação.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ganhou maior protagonismo na campanha, buscando apresentar o próximo governo como uma fase de transição. Contudo, para a Eurasia, essa iniciativa pode ter chegado tarde para alterar a percepção dos eleitores indecisos e daqueles que votaram em candidatos eliminados.
Possibilidade de ofensiva petista contra a família Bolsonaro
A Eurasia também avalia que o PT pode intensificar ataques à família Bolsonaro, questionando propostas como a redução da jornada de trabalho, benefícios sociais e supostas ligações com o crime organizado. Embora essa estratégia possa tentar reduzir a vantagem do adversário, dificilmente será suficiente por si só para mudar o cenário.
Abstenção e mobilização de eleitores como fatores decisivos
No primeiro turno, Lula teve vantagem entre eleitores mais velhos e de menor renda, segmentos que podem representar uma reserva de votos importante. Entretanto, a consultoria aponta que mobilizar esse contingente será um desafio, especialmente porque a abstenção tende a se manter ou até aumentar no segundo turno.
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Para superar Flávio Bolsonaro, Lula precisaria conquistar cerca de 62% dos votos dos candidatos eliminados e reverter uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Precedentes históricos indicam possibilidade de mudança no cenário
A Eurasia reconhece que, embora improvável, uma virada de Lula ainda é possível até o dia da votação. O relatório menciona a eleição presidencial de 2014, quando Dilma Rousseff (PT) estava atrás de Aécio Neves (PSDB) nas pesquisas iniciais, mas acabou vencendo. Também cita a eleição colombiana de 2026, com resultados apertados após vantagem inicial significativa de um candidato.
Esses exemplos ilustram que a campanha pode alterar o cenário, especialmente quando um candidato consegue mobilizar eleitores por meio de críticas ao adversário. No Brasil, a consultoria considera que Lula pode explorar a rejeição à família Bolsonaro para estreitar a disputa.
Expectativas para o segundo turno permanecem abertas
Uma pesquisa Quaest antes do primeiro turno apontou níveis semelhantes de rejeição entre os dois candidatos, embora indicadores como medo e rejeição apresentem diferenças. A Eurasia avalia que uma campanha petista mais eficaz, focada no futuro e com bom desempenho nos debates, pode tornar a disputa mais equilibrada. Ainda assim, a consultoria mantém a avaliação de que Flávio Bolsonaro parte em posição mais favorável para o segundo turno.
A estimativa de 80% deve ser entendida como uma projeção baseada nas informações disponíveis, sujeita a alterações conforme o avanço da campanha. Não significa que o senador tenha 80% das intenções de voto nem que sua vitória esteja definida.
