Queda histórica nas fortunas dos banqueiros brasileiros
Os dez brasileiros mais ricos do mundo enfrentaram uma perda conjunta de cerca de US$ 15 bilhões nesta segunda-feira (26), logo após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A reação dos mercados financeiros foi imediata, com forte queda nos ativos brasileiros e até a suspensão temporária das negociações na bolsa, conforme apontou o Bloomberg Billionaires Index.
Essa é a maior perda diária acumulada pelo grupo desde a criação do índice, em 2012. O impacto ocorreu até o meio-dia nos Estados Unidos, em Nova York, refletindo a apreensão dos investidores diante da reeleição de Lula, que superou o senador Flávio Bolsonaro (PL) por uma margem de 4,4 milhões de votos.
Expectativa de política fiscal mais flexível pressiona ativos financeiros
Investidores associaram a queda às expectativas de que o próximo governo adote uma política fiscal mais flexível, o que pode restringir a possibilidade de cortes nas taxas de juros. Essa perspectiva afetou diretamente as fortunas de empresários com participações significativas em instituições financeiras, gerando desvalorização dos ativos.
Entre os mais afetados, o fundador do BTG Pactual, André Esteves, de 58 anos, sofreu a maior redução individual em seu patrimônio. Segundo o Bloomberg Index, sua fortuna caiu cerca de 30%, ou US$ 4,4 bilhões, ficando estimada em US$ 11,3 bilhões. Esteves esteve envolvido em um encontro com Flávio Bolsonaro durante a campanha, o que reforçou a percepção de risco entre os investidores.
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David Vélez, controlador da Nu Holdings, que administra o Nubank, perdeu aproximadamente US$ 2,6 bilhões. O empresário colombiano tem grande parte dos negócios concentrada no Brasil, onde o banco digital tem sua principal base operacional.
Pedro Moreira Salles e Fernando Moreira Salles, acionistas do Itaú Unibanco, também sentiram o impacto, com perdas conjuntas estimadas em US$ 2 bilhões. No total, as fortunas dos quatro banqueiros somam cerca de US$ 45 bilhões, e a queda do dia representa cerca de 18% desse valor.
Família Moreira Salles com visões políticas distintas e perdas significativas
A família Moreira Salles, considerada a mais rica do Brasil, é formada por quatro irmãos com posições políticas divergentes. Pedro e Fernando mantêm participações no Itaú Unibanco. Já João e Walter venderam suas ações no banco em 2022.
João Moreira Salles, que fundou a revista Piauí, declarou apoio a Lula durante a campanha e criticou publicamente empresários que se reuniram com Flávio Bolsonaro, entre eles André Esteves. Walter Moreira Salles, cineasta reconhecido internacionalmente, também fez críticas ao senador. Os investimentos de João e Walter estão focados em uma mineradora de capital fechado e na Alpargatas, fabricante das sandálias Havaianas.
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Mesmo com posições políticas favoráveis a Lula, João e Walter sofreram perdas estimadas em US$ 1,2 bilhão, até o meio-dia em Nova York, acompanhando a queda generalizada dos mercados.
Reação do mercado inclui desvalorização do real e pressiona preços internos
Além da redução das fortunas, o mercado financeiro reagiu com forte desvalorização do real, que recuou cerca de 8%, segundo os dados do levantamento. Essa desvalorização torna produtos importados e insumos cotados em moeda estrangeira mais caros, pressionando os preços internos e dificultando o controle da inflação.
Os desdobramentos econômicos dependerão das decisões fiscais e monetárias do novo governo e da resposta dos investidores nos próximos dias. Vale destacar que as perdas apontadas pelo índice indicam desvalorização dos ativos, e não necessariamente a venda efetiva das participações pelos empresários.
