Explosão nas buscas por “Paraguai” após eleição
Nas 24 horas que se seguiram à confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, as buscas pelo termo “Paraguai” no Google aumentaram 900%. O dado, extraído do Google Trends, revela o interesse repentino dos brasileiros pelo país vizinho diante do novo mandato no Palácio do Planalto. Lula conquistou 51,79% dos votos válidos, superando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que ficou com 48,21%.
Crescimento expressivo nas pesquisas sobre migração
Além do aumento nas buscas pelo nome do país, houve um salto ainda maior nas pesquisas relacionadas a como viver no Paraguai, que cresceram 1.700% após a reeleição de Lula. Esse movimento reflete a percepção de que o Paraguai oferece atrativos econômicos que despertam interesse entre brasileiros, especialmente em questões ligadas à qualidade de vida e oportunidades de negócios.
Paraguai avança em liberdade econômica
O crescimento do interesse pelo Paraguai acompanha sua ascensão no Índice de Liberdade Econômica 2026 da Heritage Foundation. O país alcançou 66,4 pontos, subindo para a 55ª posição mundial, um salto significativo em relação à 80ª colocação em 2024. Em contraste, o Brasil registrou queda da 124ª para a 134ª posição entre 176 nações avaliadas.
Essa melhora no desempenho econômico do Paraguai é atribuída principalmente às reformas promovidas pelo governo do presidente Santiago Peña, que focaram em maior disciplina fiscal e estabilidade monetária. O país também conquistou o grau de investimento das agências Moody’s, em julho de 2024, e S&P, em dezembro de 2025.
Sistema tributário simplificado atrai investidores
O modelo tributário paraguaio, conhecido como “10-10-10”, é um dos principais fatores que atraem empresas e trabalhadores. Ele limita a alíquota máxima do Imposto de Renda de pessoas físicas e jurídicas, além do Imposto sobre Valor Agregado, a 10% cada. A carga tributária total representa cerca de 14% do Produto Interno Bruto (PIB), comparada a cerca de 33% no Brasil.
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Indústrias brasileiras ampliam operações no Paraguai
Empresas que atuam com foco na exportação aproveitam a Lei de Maquila, que reduz impostos para companhias que agregam valor localmente. Sob esse regime, as empresas pagam apenas 1% sobre o valor agregado e ficam isentas do imposto sobre dividendos. Até dezembro de 2025, das 339 empresas que atuavam nesse sistema, 231 eram brasileiras, segundo dados do Ministério de Indústria e Comércio do Paraguai.
Além disso, encargos trabalhistas mais baixos favorecem a atração de negócios. A contribuição patronal à previdência no Paraguai é de 16,5%, contra 20% no Brasil, e não há recolhimento de FGTS, PIS/Pasep ou Sistema S. Grandes marcas brasileiras como Havan, Lupo e JBS têm ampliado suas operações no país vizinho.
Migração brasileira cresce no Paraguai
O interesse pelo Paraguai também se traduz em aumento da migração. No primeiro semestre de 2026, a Direção Nacional de Migrações do Paraguai registrou 33 mil pedidos de residência por estrangeiros, um crescimento de 60% em relação ao mesmo período de 2025. Foram concedidas 29 mil residências, das quais 22 mil, cerca de 76%, foram para brasileiros.
Dados do Itamaraty de 2023 indicam que aproximadamente 263 mil brasileiros vivem no Paraguai, formando a terceira maior comunidade brasileira no exterior.
Desafios econômicos e institucionais no Paraguai
Embora o país tenha avançado em vários indicadores, o índice de liberdade econômica da Heritage Foundation aponta limitações. A informalidade elevada e fragilidades institucionais, como a proteção ao direito de propriedade e a eficiência do Judiciário, ainda comprometem a nota do Paraguai.
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Decisão inédita do STF impacta segundo turno
O segundo turno das eleições brasileiras também ficou marcado por uma decisão inédita do Supremo Tribunal Federal (STF) para estender o horário de votação. No domingo, 25, o ministro Cristiano Zanin determinou a prorrogação da votação até as 19h, horário de Brasília, em todo o país.
Zanin, advogado pessoal de Lula e indicado ao STF pelo petista, atendeu a pedido do PT, que alegou problemas de transporte para eleitores em três cidades baianas. A decisão foi tomada rapidamente, entre 16h33 e 17h03, após o sorteio do relator.
Parte dos eleitores não conseguiu usufruir do tempo extra, porque muitas seções eleitorais já haviam sido fechadas quando a ordem foi divulgada. A medida do STF sobrepôs-se ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão responsável por decisões eleitorais. A equipe de Flávio Bolsonaro também recorreu, citando problemas climáticos e falta de energia em outros estados.
Em nota, Zanin esclareceu que a prorrogação valeria apenas para locais onde as urnas não haviam sido fechadas. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, acompanhou a decisão.
