Expansão da uva Vitória em Apodi
Conhecida principalmente pela produção de melão, a Chapada do Apodi, no Rio Grande do Norte, começa a destacar-se também pela produção de uvas de mesa, com potencial para avançar no mercado de vinhos. Em Apodi, o casal Márcio e Erivania Valdevino cultiva sete hectares da variedade Vitória, sem sementes, produzindo cerca de 20 toneladas mensais. Eles estudam utilizar parte da colheita para iniciar um projeto de vinificação e agregar valor à produção local.
Origem e crescimento do cultivo
O plantio experimental teve início em 2018, com dois hectares, acompanhando o crescimento do mercado regional. A Agrícola Cruzeiro da Serra, empreendimento do casal, já abastece diversas cidades do Oeste potiguar e alcançou a Região Metropolitana de Natal. A meta é ampliar a produção para 35 toneladas mensais até o fim de 2026 e dobrar a área plantada, chegando a 14 hectares em 2028.
Márcio Valdevino destaca que a região é rica em recursos hídricos e já possui tradição em fruticultura, com culturas como melão, melancia e mamão.
Inspiração no Sul do Brasil e adaptação ao semiárido
A ideia de cultivar uvas surgiu após uma viagem do casal a Gramado, no Rio Grande do Sul, em 2017. Lá, conheceram áreas produtivas e perceberam que o semiárido nordestino já contava com produção significativa no Vale do São Francisco. Em 2018, iniciaram o plantio das variedades Núbia e Vitória, direcionando os esforços para a uva sem sementes.
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Transformação da propriedade e adaptação agrícola
Antes de investir na fruticultura, Márcio e Erivania atuavam na construção civil e adquiriram 105 hectares na Chapada do Apodi com a intenção de desenvolver um loteamento de chácaras. No entanto, parte da área foi desapropriada para o projeto de irrigação desenvolvido pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), restando 22 hectares. Foi nesse espaço que o projeto agrícola começou a ganhar forma.
Produção e manejo aprimorados
Em maio deste ano, os sete hectares dedicados à uva Vitória produziam cerca de 20 toneladas por mês, com objetivo de alcançar 35 toneladas até dezembro. O cultivo é escalonado graças a podas semanais, que mantêm diferentes partes do parreiral em fases variadas, garantindo colheitas constantes ao longo do ano.
Márcio explica que o manejo envolve podas, desbrotas, amarrações, retirada de excesso de material, raleio e colheita. A alta incidência solar — mais de 300 dias por ano — favorece até duas safras e meia anualmente, aumentando a produtividade.
Distribuição regional da uva potiguar
A comercialização começou no Oeste do Rio Grande do Norte, atendendo cidades como Apodi, Mossoró, Assú e Pau dos Ferros. A produção também chegou à Região Metropolitana de Natal, incluindo Parnamirim. Segundo Erivania, a proximidade dos mercados consumidores é uma vantagem competitiva em relação a uvas produzidas em outros estados, garantindo frescor e agilidade na entrega.
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A produção mantém cerca de 30 empregos diretos, envolvendo atividades contínuas desde o manejo dos parreirais até a seleção e colheita dos cachos.
Apoio técnico e perspectivas de expansão
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) acompanhou todo o processo de implantação da produção, auxiliando na escolha das mudas, irrigação e plantio por meio do Sebraetec. A assistência especializada contou com subsídios de até 70% dos custos, além de suporte técnico de instituições como a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa).
O casal planeja ampliar a área de cultivo para 14 hectares até 2028, dobrando a atual extensão dos parreirais. Paralelamente, estudam a viabilidade de um projeto de vinificação para produzir vinho a partir das uvas cultivadas na própria propriedade. Embora ainda em fase de avaliação, essa iniciativa visa diversificar a produção e fortalecer o Agronegócio local.
Enquanto o projeto de vinificação não é lançado, a prioridade permanece no crescimento da produção de uva de mesa, com foco na qualidade e expansão da área plantada nos próximos anos.
