Música no curral: uma rotina que faz parte do cuidado com as vacas
Em Rio Novo do Sul, no Sul do Espírito Santo, o som que mais ecoa no curral do Sítio Rô não é só o mugido das vacas, mas também uma seleção musical diversificada. Ali, o repertório vai do forró ao sertanejo, passando por pop rock e até música clássica. Essa tradição tem mais de 30 anos, desde o tempo do pai do produtor rural Edson Michael Rohr, que hoje cuida de 32 vacas em produção de leite. Para ele, a música não é apenas companhia para quem trabalha no campo, mas também um fator que contribui para a produtividade.
Edson lembra que o rádio sempre esteve presente no ambiente rural e que a escolha do som varia conforme o momento. “É gostoso, né? Muitas vezes são notícias, outras vezes música calma. Mas aí a gente, por ser da roça, gosta de forró, é o que mais escuta. Mas tem música desse sertanejo antigo também, é o que rola”, comenta.
Rádio ligado até na ausência dos donos para manter a tranquilidade
O rádio virou parte do ambiente do curral. Tanto que, quando a família sai para exposições, Edson deixa o aparelho ligado para que as vacas não sintam falta do som. Ele acredita que os animais associam essas vozes e melodias ao ambiente em que estão habituados, o que ajuda a mantê-los calmos e reduz o estresse.
“Tranquiliza, acalma. Tira aquele estresse”, relata o produtor.
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Fonte: vitoriadabahia.com.br
Diversidade musical e influência do humor na seleção das músicas
Não há uma playlist fixa para as vacas. O que toca depende do momento e de quem está escolhendo o som no celular. Entre os estilos que mais aparecem estão o modão e o sertanejo clássico. Segundo Edson, o humor de quem está por perto também influencia a seleção: “Quando o cara quer ficar mais tranquilo, escutando a letrinha mais gostosa, vai naquelas clássicas sertanejas. E quando quer um trem mais agitado, elas acompanham o clima do dono.”
Cuidado integral: música, alimentação e atenção para garantir boa produção
Edson destaca que a música não é o único cuidado que assegura a produção de leite. Os animais recebem alimentação específica, vitaminas e uma atenção constante. “Para conseguir produzir 50 litros, não é só soltar no pasto. Tem que dar condições para o animal”, explica.
Uma das vacas que se destaca é a Luana, descrita como “muito calma, muito boa” e que chegou a participar de uma competição neste ano. Em uma visita a Alfredo Chaves, Luana produziu 40 quilos de leite, enquanto outra vaca chegou a 50 quilos. A média semanal das duas fica entre 280 e 300 litros.
Para Edson, a música ajuda a criar um ambiente mais agradável e tranquilo. “Se traz mais calma, você fica mais tranquilo. Fica um ambiente mais gostoso. É gostoso para a gente, né? Como que não é para os animais?”
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O olhar dos especialistas: música e produção de leite estão conectados
O zootecnista e professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Gercílio Alves de Almeida Junior, explica que a música pode ajudar no relaxamento das vacas, o que impacta diretamente na produção de leite. Os animais são sensíveis a estímulos do ambiente, como sons, cheiros e contatos, e respondem a essas mudanças.
“Há estudos que comprovam que a música durante a ordenha, dependendo do tipo de música, vai promover um relaxamento do animal”, afirma Gercílio. Esse relaxamento favorece a liberação do hormônio ocitocina, que atua nos alvéolos da glândula mamária, facilitando a saída do leite.
O professor destaca que as vacas preferem músicas instrumentais e lentas, com ritmos entre 60 e 100 batidas por minuto, sendo que algumas pesquisas indicam a faixa ideal entre 60 e 80 BPM. “Eles têm um estilo musical apurado”, brinca.
Além disso, trabalhos apontam que a música clássica pode estar associada a uma maior liberação de leite durante a ordenha, reforçando a importância do som como estímulo positivo para esses animais.
