Expansão do setor de saúde no Espírito Santo
O Espírito Santo registra um crescimento significativo no setor de saúde, com 63.474 empregos formais em junho de 2026, conforme dados do Connect Fecomércio-ES. Esse número representa um aumento de 4,6% em relação a junho de 2025, quando havia 60.685 trabalhadores na área de atenção à saúde humana. No primeiro semestre de 2026, foram criados 1.855 novos postos formais, que correspondem a 20,2% do saldo total de empregos no setor de serviços do Estado.
Distribuição dos serviços e os desafios da infraestrutura
Além do crescimento no número de profissionais, o Espírito Santo também ampliou o número de estabelecimentos de saúde, passando de 9.499 em junho de 2025 para 10.027 em junho de 2026, um avanço de 5,6%. A maioria desses locais (80,5%) pertence à iniciativa privada, enquanto 17,4% são públicos e 2,1% estão vinculados a instituições sem fins lucrativos. No entanto, essa expansão não foi uniforme: farmácias cresceram 39,7%, mas o número de leitos hospitalares permaneceu praticamente estável, com uma leve queda de 11.045 para 11.029 leitos.
Envelhecimento populacional e aumento da demanda por cuidados
O envelhecimento da população capixaba intensifica a necessidade por serviços de saúde. Entre 2010 e 2022, o número de moradores com 60 anos ou mais aumentou 73,1%, passando de 364,7 mil para 631,3 mil, elevando a participação dos idosos de 10,4% para 16,5% da população estadual. Essa mudança demográfica está diretamente relacionada ao crescimento das internações por doenças crônicas e causas externas. De 2015 a 2025, as internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por neoplasias subiram 57,2%, as hospitalizações por doenças do aparelho circulatório aumentaram 39,1% e as internações por causas externas, que incluem acidentes e violências, cresceram 59,7%.
Planejamento regional para atender demandas específicas
Segundo o economista André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, esses dados evidenciam a necessidade de um planejamento integrado e da ampliação da capacidade de atendimento, considerando as diferenças regionais. Cerca de metade dos estabelecimentos de saúde está concentrada na Região Metropolitana. No Norte do Estado, há 2,10 leitos para cada mil habitantes, inferior aos 2,76 leitos por mil habitantes da Grande Vitória.
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Fonte: bahnoticias.com.br
Avanços e limitações da tecnologia na saúde
A maioria das instituições de saúde já incorporou a digitalização. Conforme Fátima Pinho, sócia da Deloitte Brasil, 92% dessas organizações utilizam sistemas eletrônicos. Entretanto, apenas 37% operam exclusivamente de forma eletrônica e só 23% dos profissionais receberam treinamento recente para usar essas ferramentas. Isso mostra que a simples adoção de tecnologia não garante sua aplicação eficaz no atendimento. “O acesso à tecnologia não significa adoção. É necessário capacitar as equipes, revisar funções e redesenhar processos para que a inovação realmente agregue valor”, explica Pinho. Ela destaca que automações e inteligência artificial devem assumir tarefas repetitivas e organizar dados, enquanto o conhecimento humano continua essencial para interpretar contextos e tomar decisões clínicas.
Humanização e experiência do paciente no cuidado
Mariana Cerone, executiva da Up Brasil e professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), ressalta que indicadores tradicionais, como tempo de espera e segurança, não capturam completamente a experiência do paciente. “O paciente vivencia uma jornada, não apenas números.” A percepção da qualidade começa na facilidade para agendar consultas, passa pela clareza na comunicação e se consolida na confiança no cuidado recebido. Cerone defende que o setor de saúde pode aprender com o mercado de luxo, não pela ostentação, mas pela capacidade de antecipar necessidades e simplificar processos complexos. “Luxo é tornar simples o que é complicado.”
Segurança do paciente: prevenção e ação antecipada
No Hospital Israelita Albert Einstein, em Goiânia, a segurança do paciente é tratada de modo proativo. Milainy Barbosa Ribeiro Batista, gerente de Qualidade, Segurança e Experiência em Saúde, informa que entre 2022 e 2026 foram identificados mais de 200 riscos e realizadas mais de 1,7 mil reuniões rápidas para discutir situações que demandam providências. Até 30 de outubro de 2026, a unidade acumulava 921 dias sem eventos adversos graves. Para Milainy, o segredo está em detectar vulnerabilidades e agir antes que provoquem danos, reforçando que a segurança começa muito antes do aparecimento do problema.
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Telemedicina: qualidade além das videochamadas
Wilson Zatt, fundador da plataforma Lauduz, destaca que a telemedicina não deve se resumir a chamadas de vídeo. O atendimento remoto precisa integrar protocolos rigorosos, garantir a segurança das informações, contar com profissionais qualificados e, quando necessário, utilizar equipamentos que transmitam dados clínicos para avaliações precisas. José Eduardo Roma Júnior, sócio e diretor do Grupo Prever, reforça que a inovação tecnológica deve respeitar os valores essenciais no relacionamento com pacientes e familiares, garantindo que a tecnologia amplie, mas nunca substitua, o cuidado humano.
O panorama da saúde no Espírito Santo revela um setor em crescimento, com avanços tecnológicos e maior oferta de serviços. Ao mesmo tempo, o envelhecimento populacional, as disparidades regionais e a demanda por humanização mostram o desafio de equilibrar inovação com atendimento centrado no paciente, assegurando qualidade e segurança para toda a população.
Matéria escrita por Fernanda Silva, com base em dados do Connect Fecomércio-ES e contribuições da Deloitte Brasil, Hospital Israelita Albert Einstein e especialistas da área de saúde.
