Inovação e tradição na produção capixaba de café
O Espírito Santo é reconhecido como o segundo maior produtor de café do Brasil, com mais de 131 mil famílias diretamente envolvidas na atividade. No Estado, o grão já ultrapassa o consumo tradicional na xícara para se transformar em uma variedade de produtos que vão do queijo ao energético, passando por doces e até cerveja. Essa diversificação não só amplifica o valor agregado ao café, como também aquece a economia local, gerando novas oportunidades para produtores e empreendedores.
Queijo de café e doces premiados
Daniela Lopes e seu marido, Anderson Hollunder, são exemplos de produtores que inovam ao unir o café com outros alimentos tradicionais. O casal desenvolveu o Queijo Hollunder Ouro Negro, uma mistura de queijo de coalho com café arábica premiado D’ccellente. O processo inclui a imersão do queijo no café, resultando em uma casca característica e um sabor marcante. Cada quilo é vendido a R$ 95, valor que reflete o cuidado na produção que leva quatro dias para cada unidade e um desenvolvimento técnico de dois meses. Em 2026, o queijo conquistou medalha de bronze no Prêmio Queijo Brasil, na categoria queijos finos.
Além do queijo, o Sítio Hollunder produz um doce de leite com café solúvel e cacau, que também foi premiado com bronze. O doce é comercializado em duas versões: em pedaços, por R$ 18, e cremoso, a R$ 25, ampliando as opções para consumidores interessados em sabores regionais com toque inovador.
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Fonte: atividadenews.com.br
Experiência sensorial com o “Café para Comer”
Vivian Pizzol, proprietária da Tem Café, criou uma novidade que une chocolate e grão de café arábica inteiro, preservando o formato original do grão. O produto, chamado “Café para Comer”, custa entre R$ 15 e R$ 20 e proporciona uma experiência gustativa diferenciada. O lançamento em 2022 passou de um público inicial de cinco clientes para mais de 100 atualmente, com vendas mensais que chegam a duas mil caixas. A empresa também expandiu a distribuição para todo o Sul do Brasil e para as regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, via correios.
Pesquisa e desenvolvimento com café nas universidades
O potencial do café ultrapassa o mercado tradicional e atrai também o interesse acadêmico. Na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a mestranda Isabelli Moreira integra um grupo que desenvolve bebidas inovadoras à base de café, incluindo opções como energético e água saborizada. Entre os produtos em desenvolvimento está uma bebida gelada cold brew feita a partir de café conilon fermentado, que busca combinar sabor e funcionalidade.
Cerveja com infusão de café valoriza produção local
A Cervejaria Aurora, localizada em Venda Nova, oferece a Catucaí, cerveja com infusão de café torrado vendida a R$ 25 a lata de 473 ml. A mestre cervejeira Eliza Bottacini explica que, apesar do café, a bebida não é escura, apresentando um perfil sensorial único. Com produção mensal de cerca de 100 litros, a cerveja é consumida principalmente por curiosidade e contribui para a valorização dos cafés especiais da região. A parceria da cervejaria com o ID Coffee Lab também prepara o lançamento, previsto para outubro, de um cold brew em lata sem álcool, ampliando a oferta de bebidas inovadoras com café.
O peso econômico do café no Espírito Santo
O café está presente em 98% dos lares brasileiros, e o País é o segundo maior consumidor mundial, com 21,409 milhões de sacas consumidas em 2025. Cada brasileiro consumiu, em média, 1.400 xícaras ao longo do ano, o que representa um consumo per capita de 4,82 quilos de café torrado. O Espírito Santo responde por cerca de 26% da produção nacional e, para 2026, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê uma safra de 17,974 milhões de sacas, mantendo o Estado como o segundo maior produtor do Brasil.
Entendendo as ondas do café e sua evolução no mercado
O conceito das “ondas do café” ajuda a compreender a evolução do consumo e da produção. A primeira onda, no século XIX até meados do século XX, consolidou o café como produto básico e acessível, focado na praticidade e preço. A segunda onda, entre as décadas de 1960 e 1970, transformou o café em uma experiência social, com maior atenção à origem do grão e o surgimento das cafeterias especializadas em bebidas à base de espresso.
A terceira onda, a partir dos anos 2000, destacou o café especial e a valorização do sabor e aroma, com métodos de preparo que privilegiavam a qualidade. Por fim, a quarta onda, iniciada em meados de 2010, trouxe tecnologia e diversidade ao preparo em casa, além do fortalecimento do barista como especialista e empreendedor. O Espírito Santo acompanha essa trajetória, com iniciativas que ampliam o uso do café e fortalecem a economia regional, beneficiando produtores familiares e pequenos negócios que ganham espaço no mercado.
