Uma Nova Chance para Mulheres Egressas do Sistema Prisional
Histórias de vida podem se transformar de maneira surpreendente e inesperada. Um exemplo disso é o surgimento do Instituto Livres Para Sonhar, que nasceu após um encontro marcante em uma rua de Vila Velha. A fundadora, Simone Cunha, encontrou uma mulher em situação vulnerável, chorando, sem residência e recém-saída do sistema prisional. Essa cena provocou uma reflexão profunda: “o que acontece depois?” A resposta para essa indagação tornou-se a missão de Simone.
A experiência vivida por Simone foi crucial para a criação do projeto. “Eu comecei a me perguntar: o que estamos fazendo por essas mulheres depois que elas saem? O problema não se limita ao que acontece dentro do sistema, mas se estende ao que ocorre após a saída”, destaca Simone. Assim, começou sua busca por iniciativas que acolhessem pessoas egressas do sistema penal, mas se deparou com a falta de projetos voltados especificamente para esse público. Diante da ausência de alternativas, decidiu criar sua própria proposta.
Estrutura do Projeto e Capacitação Profissional
Juntamente com uma equipe de profissionais voluntários, que inclui psicólogos, assistentes sociais e advogados, Simone desenvolveu uma proposta que visa a inclusão produtiva e a autonomia das mulheres atendidas. O projeto é estruturado em várias etapas, que abrangem capacitação técnica, orientação profissional e suporte emocional.
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Fonte: belembelem.com.br
As participantes têm acesso a oficinas de formação em diversas áreas, como beleza, confeitaria e serviços gerais. Ao final dos cursos, elas recebem kits de trabalho, possibilitando o início imediato das atividades. Esse suporte inicial é fundamental para que as mulheres se sintam preparadas para ingressar no mercado de trabalho.
Outro aspecto relevante, conforme explica Simone, são as mentorias complementares oferecidas. O programa inclui treinamentos em gestão de negócios, marketing, formalização e educação financeira, elementos considerados essenciais para a sustentabilidade das iniciativas. “Entendemos que não basta apenas ensinar uma habilidade. É vital mostrar como precificar, organizar despesas e gerenciar o dinheiro”, afirma Mayony Dias Vieira Stein, especialista em cooperativismo da Sicredi Serrana, uma das parceiras do projeto.
Desafios e Superações na Gestão de Negócios
Mayony também ressalta que muitos pequenos empreendedores enfrentam dificuldades por conta da falta de conhecimento em gestão, especialmente na área financeira, um dos focos centrais da iniciativa. “Muitos não sabem como administrar o próprio negócio e encontram obstáculos na gestão financeira. Sem um conhecimento sólido, os riscos de falência aumentam, especialmente após três ou quatro anos de atividades”, explica.
A parceria com a instituição financeira se dá através de um fundo social que, além de fornecer recursos, acompanha o desenvolvimento dos projetos e oferece orientação às organizações atendidas. O suporte psicológico e as atividades de fortalecimento da autoestima também são elementos cruciais, reconhecendo o impacto emocional nas jornadas das participantes.
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Fonte: curitibainforma.com.br
O objetivo principal é promover autonomia. Espera-se que, ao final do processo, as mulheres estejam preparadas não apenas para gerar renda, mas também para gerenciar suas vidas com mais independência.
Testemunhos de Transformação: A História de Débora Souza
Uma das participantes do projeto é a cabeleireira Débora Souza, que viu no curso uma oportunidade de reorganizar sua trajetória profissional. Antes de ingressar no programa, ela já atuava na área, mas encontrava dificuldades para estruturar o negócio. Sem conhecimento em gestão financeira e marketing, Débora se sentia insegura ao precificar serviços e divulgar seu trabalho.
Além dos desafios técnicos, ela também enfrentava questões emocionais. “Estava estagnada. Tinha ideias, capacidade, mas não conseguia colocar em prática”, relata. A virada aconteceu não só no aspecto profissional, mas também no emocional, que foi fundamental para que pudesse retomar suas iniciativas. “O suporte emocional foi um divisor de águas. Depois que você reencontra sua identidade, nada mais te para”, afirma.
Após a formação, ela reorganizou sua atuação profissional e identificou um nicho: o atendimento domiciliar voltado para idosos e pessoas com mobilidade reduzida. “Percebi que havia uma demanda não atendida pelos salões tradicionais”, explica Débora. Hoje, ela atende clientes em diversas cidades da Grande Vitória e investe na divulgação de seus serviços por meio de materiais promocionais e presença digital.
Conquistas e o Impacto da Independência
O impacto do projeto se reflete também na vida pessoal de Débora. Um dos marcos mais significativos foi a aquisição de seu primeiro fogão, comprado com seu próprio dinheiro. “Depois de mais de 20 anos, conseguir isso foi uma sensação de independência que nunca havia vivido”, conta emocionada.
Para Débora, o principal resultado do projeto foi a mudança de perspectiva. “Existem duas Déboras: a de antes e a de depois”, resume, destacando a importância da iniciativa para sua transformação e reinvenção pessoal e profissional.
