Privatização do saneamento: símbolo da agenda econômica de Milei
A recente privatização da empresa de saneamento na Argentina simboliza o esforço do presidente libertário Javier Milei para desmontar políticas econômicas intervencionistas arraigadas durante anos pela dinastia Kirchner. Essa medida representa um marco na tentativa de retomar a confiança dos investidores e promover um mercado mais livre, mas o caminho não tem sido simples.
Contexto histórico e dificuldades atuais
Em 2006, o então presidente Néstor Kirchner cancelou a concessão do serviço de água de Buenos Aires que estava sob controle de uma empresa francesa, criando a estatal AySA para administrar diretamente o serviço. Essa decisão impactou negativamente a confiança dos investidores estrangeiros, gerando incertezas sobre a segurança jurídica na Argentina. O governo argentino chegou a perder uma arbitragem internacional relacionada à empresa, que foi encerrada apenas em 2019.
Recentemente, um dia antes da finalização do acordo envolvendo a AySA, um grupo empresarial ligado ao bilionário mexicano Germán Larrea desistiu da disputa pela concessão da rede estatal de ferrovias de carga. O Grupo México SAB, que contava com apoio de investidores americanos, manifestou preocupações sobre o modelo operacional adotado pelo governo Milei, evidenciando as dificuldades enfrentadas na implementação de sua agenda de privatizações.
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Agenda de privatizações enfrenta resistência no Congresso
As privatizações compõem um dos pilares do programa econômico de Milei desde sua posse, há quase três anos. Apesar disso, o processo tem encontrado barreiras significativas, especialmente no Legislativo. Em 2024, parlamentares rejeitaram a venda de diversas empresas estatais, incluindo a petrolífera YPF SA, a companhia aérea nacional e o banco estatal, limitando o avanço das reformas.
Nem todas as operações foram barradas. O governo já concluiu a venda da empresa de engenharia Impsa e iniciou a desmobilização da estatal de energia Enarsa, vendendo ativos separadamente. Em junho, a Enarsa negociou sua participação na operadora de linhas de transmissão Transener por US$ 356 milhões, um passo importante para reduzir o tamanho do Estado e atrair investimentos.
Desafios nas ofertas públicas e próximos passos
O plano para privatizar a AySA previa uma oferta pública inicial (IPO), mas essa estratégia não avançou. No atual governo, as ofertas públicas de ações têm sido raras. Um exemplo recente é a desistência do IPO da geradora de energia YPF Luz, que optou por uma venda privada, reforçando o cenário de cautela dos investidores diante das incertezas políticas e econômicas.
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O presidente Milei pretende disputar um segundo mandato no próximo ano, apesar das dúvidas que cercam os resultados de sua experiência de mercado livre. O desfecho desse processo terá impacto direto na confiança dos agentes econômicos e na capacidade do país em atrair investimentos para setores estratégicos.
