Rebalancear a carteira para enfrentar a volatilidade
Com a Bolsa em queda e o dólar em alta, o momento exige cautela e análise cuidadosa para quem deseja proteger seus investimentos. Marcos Piellusch, professor da FIA Business School, orienta que investidores ajustem a composição dos ativos, retornando às proporções previamente definidas para cada classe. “Como a Bolsa perdeu valor, ela pesa menos na carteira. Rebalancear pode significar comprar um pouco, não necessariamente vender”, explica.
Por outro lado, José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, alerta que a queda da Bolsa não garante uma boa oportunidade de compra, especialmente se os juros permanecerem elevados nos próximos anos. “Nesse cenário, o potencial de valorização das ações é limitado, por isso é prudente pensar em uma carteira mais defensiva”, recomenda.
Foco em empresas sólidas e diversificação internacional
Faria Júnior destaca a importância de direcionar investimentos para empresas com balanços robustos e menor sensibilidade ao ciclo econômico, como as do setor de energia elétrica e saneamento. Além disso, ele reforça a relevância de diversificar aplicações no exterior, aproveitando o dólar em torno de R$ 5,30, que não considera caro para ampliar a exposição internacional.
Segundo ele, cerca de 20% dos custos de uma família de classe média dependem do dólar, o que torna natural e estratégico ter parte do patrimônio no exterior. “Manter entre 20% e 30% dos recursos fora do país é uma postura protetiva e acertada no momento”, afirma.
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Fonte: atividadenews.com.br
Exposição ao dólar como proteção contra instabilidade
Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, ressalta que o cenário atual exige uma estratégia capaz de atravessar diferentes ciclos econômicos, diminuindo riscos concentrados no Brasil. “Na última correção do mercado, as empresas exportadoras ou que têm receitas em dólar foram as que resistiram melhor, algumas até subiram”, observa.
Para Benati, esse desempenho reforça a importância de diversificar os investimentos globalmente, evitando depender exclusivamente do cenário político ou econômico brasileiro. “Investir internacionalmente ajuda a blindar o portfólio contra as oscilações locais”, conclui.
Critérios para identificar bons investimentos
Piellusch recomenda focar em empresas com baixa dívida, geração consistente de caixa, liderança de mercado e capacidade de repassar custos, características que ajudam a enfrentar períodos de juros altos com menor impacto. Exportadoras como Vale e Suzano ganham relevância com a alta do dólar, enquanto Petrobras apresenta riscos e oportunidades devido à sua condição estatal.
No setor financeiro, bancos privados de grande porte se destacam por seus balanços sólidos e alta rentabilidade, recuperando-se mais rapidamente quando o risco país diminui. Já setores como varejo, locação e empresas muito endividadas sofrem com o aumento dos juros e do custo da dívida, pressionando os resultados.
Planejamento de longo prazo permanece essencial
Para quem investe com horizonte maior, o resultado das eleições não deve alterar objetivos ou prazos. Piellusch enfatiza que a carteira deve ser revisada conforme o perfil e tolerância do investidor, garantindo reserva de emergência em aplicações líquidas e evitando concentração excessiva em poucos ativos ou setores.
Benati reforça a importância de construir uma estratégia estrutural capaz de resistir a diferentes ciclos econômicos. Ele destaca o momento favorável para renda fixa internacional, com taxas elevadas que não se viam há décadas. “Conseguir travar esses rendimentos em ativos externos é uma oportunidade rara e valiosa”, lembra.
Riscos fiscais e política monetária no radar
O principal fator de risco para os próximos meses é o comportamento da política fiscal. O governo precisa definir rapidamente a equipe econômica, comprometer-se com o arcabouço fiscal e apresentar um Orçamento equilibrado para 2027. “Sinais claros de controle de gastos podem reduzir o prêmio de risco, enquanto a ausência deles tende a manter o dólar alto, juros elevados e a Bolsa pressionada”, avalia Piellusch.
A trajetória da taxa de juros também merece atenção, especialmente diante do endividamento de famílias e empresas. A próxima reunião do Copom, nos dias 3 e 4 de novembro, será decisiva para entender se o ciclo de cortes na Selic, atualmente em 13,75%, continuará após a alta no dólar e nos juros futuros.
