Tradição religiosa e ambiental na Serra dos Martírios
Há quase quatro décadas, o Parque Estadual da Serra dos Martírios/Andorinhas, localizado em São Geraldo do Araguaia, no sudeste do Pará, se transforma em um espaço de fé, cultura e preservação ambiental durante o tradicional Festejo do Divino Espírito Santo. Em sua 39ª edição, que começou no último sábado (23) e vai até 31 de maio, o evento reúne centenas de romeiros, moradores e visitantes. A programação de nove dias combina manifestações religiosas, atividades culturais e ações voltadas à conscientização ambiental dentro da unidade de conservação.
Organização e história do festejo
O Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), por meio da Gerência da Região Administrativa do Araguaia (GRA), é o principal responsável pela gestão do Parque e da Área de Proteção Ambiental (APA) Araguaia, além de coordenar a infraestrutura e segurança da celebração. O apoio vem também do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA), da Prefeitura e Câmara Municipal de São Geraldo do Araguaia, e do empreendimento Três Quedas.
A origem do festejo está ligada a uma promessa feita por um homem que se perdeu na Serra das Andorinhas e, ao encontrar o caminho de volta, comprometeu-se a retornar anualmente em agradecimento ao Divino Espírito Santo. Esse ato de fé atravessou gerações e se consolidou como uma das manifestações religiosas mais tradicionais da região, atraindo participantes de vários municípios e estados, movidos por histórias de superação e espiritualidade.
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Peregrinação e convivência comunitária
Um dos momentos mais emblemáticos do evento é a caminhada dos romeiros até a Casa de Pedra, espaço sagrado dentro do Parque. O percurso de cerca de 4,5 quilômetros tem início na cachoeira Três Quedas e atravessa áreas de mata preservada, exigindo preparo físico devido às subidas e terrenos irregulares. Apesar dos desafios, a fé mantém viva a tradição da peregrinação.
Durante os nove dias, os participantes montam acampamentos improvisados e compartilham refeições, fortalecendo o espírito comunitário do festejo. Missas, novenas, encontros de divindades, terços, palestras educativas e momentos de oração compõem a programação religiosa, que encerra oficialmente em 31 de maio.
Cultura popular e educação ambiental
Além da dimensão religiosa, o festejo valoriza a cultura popular e a identidade regional. As noites são animadas por apresentações de carimbó, lundu, salambico, quadrilhas juninas, peças teatrais e sessões de cinema ambiental ao ar livre. Oficinas de educação ambiental e atividades culturais envolvem crianças, jovens e adultos, promovendo aprendizado e valorização local.
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Equipes da GRA intensificam ações de fiscalização, prevenção de incêndios, proteção de sítios arqueológicos e educação ambiental durante o evento. Laís Mercedes, gerente da Região Administrativa do Araguaia, destacou os investimentos para aprimorar a infraestrutura do Parque. “Conseguimos recursos para melhorar a sinalização, acessos e as condições da Casa de Pedra, garantindo uma experiência mais acolhedora para romeiros e visitantes, não só durante a festa, mas ao longo do ano”, afirmou. Essas intervenções reforçam o festejo como símbolo da união entre fé, cultura e conservação ambiental no sudeste paraense.
Programação cultural e religiosa
De 23 a 31 de maio, o evento segue com atividades variadas:
23/05 – Levantamento do mastro, abertura do festejo e Missa
24/05 – Encontro de divindades e celebração
25/05 – Encontro de divindades e cinema ambiental
26/05 – Encontro de divindades e palestra educativa
27/05 – Terço dos homens e gincana ecológica
28/05 – Terço das mulheres e oficina de artesanato
29/05 – Atividades culturais e oficina de artesanato
30/05 – Palestra educativa e atividades lúdicas de educação ambiental
31/05 – Encerramento do festejo
