Nova fase da Operação Unha e Carne prende líderes e investiga rede criminosa no RJ
A Polícia Federal desencadeou nesta quinta-feira (2) uma nova fase da Operação Unha e Carne, que resultou na prisão do pastor Márcio Poncio e teve como alvos também o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, além do contraventor conhecido como Adilsinho e do advogado e político Marco Antônio Cabral. As ações são parte das investigações que envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro, fraudes em contratos públicos, contravenção e conexões entre agentes públicos e grupos criminosos no estado.
Quem são os investigados e seus perfis
Márcio Poncio, apelidado de “pastor do cigarro”, é empresário do ramo do tabaco e fundador da Igreja da Nuvem. Com 52 anos, natural do Rio de Janeiro, atua como líder religioso há cerca de 20 anos e tem forte presença nas redes sociais como patriarca da família Poncio. É pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio. Em 2022, concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados, sem sucesso. As investigações indicam possíveis práticas de lavagem de dinheiro e vínculos com a chamada “Máfia do Cigarro”, supostamente coordenada por Adilsinho. Até a conclusão desta reportagem, o advogado Leonardo Mendonça, representante de Poncio, não havia se pronunciado.
Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, nasceu em Campos dos Goytacazes e é advogado tributarista. Sua trajetória política começou no grêmio estudantil e, em 2018, foi eleito deputado estadual com pouco mais de 26 mil votos. Seu destaque veio ao atuar como relator do processo de impeachment do ex-governador Wilson Witzel, além de presidir a Alerj por dois mandatos consecutivos, com reeleição unânime. Embora tenha sido cotado para disputar o governo do estado em 2026, Bacellar enfrentou desgaste político e conflitos com antigos aliados. Em 2025, foi preso sob suspeita de obstrução de justiça e vazamento de informações sigilosas, sendo solto posteriormente por decisão da Assembleia. Em março deste ano, foi preso novamente por ordem do ministro Alexandre de Moraes, após cassação do mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral. Ele é investigado por suposta participação em rede que protegia e vazava dados de operações contra o Comando Vermelho e deverá ser transferido para presídio federal. A defesa classificou sua prisão como “indevida e desnecessária”.
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Adilsinho e Marco Antônio Cabral: envolvimentos e mandados
Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, é apontado pelas autoridades como um dos principais nomes do jogo do bicho no Rio de Janeiro. Definido pela polícia como “o mais sanguinário dos capos”, ele é associado a homicídios, contravenção e controle da fabricação e distribuição de cigarros ilegais na Região Metropolitana do Rio, com atuação em outros estados. Sua ostentação e festas luxuosas, como a realizada no Copacabana Palace, são notórias. Preso em fevereiro durante operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Cabo Frio, ele estaria envolvido em disputas por pontos de jogo do bicho e influência sobre escolas de samba. O advogado Ricardo Braga, seu defensor, não se manifestou até o fechamento da matéria.
Marco Antônio Cabral, advogado e político, é filho do ex-governador Sérgio Cabral. Foi deputado federal entre 2015 e 2019 e chegou a comandar a Secretaria Estadual de Esporte, Lazer e Juventude durante o governo de Luiz Fernando Pezão. Contra ele, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, mas não há pedido de prisão. A advogada Patrícia Proetti, que o representa, informou que o cumprimento do mandado ocorreu de forma tranquila, com total colaboração às autoridades. Marco Antônio nega qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou recebimento de valores ilícitos, e reafirma seu respeito às instituições, permanecendo à disposição para esclarecimentos.
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Fonte: vitoriadabahia.com.br
