Economia da Serra registra crescimento impressionante em duas décadas
O Produto Interno Bruto (PIB) da Serra aumentou mais de oito vezes entre 2002 e 2023, saltando de R$ 4,51 bilhões para R$ 37,65 bilhões. Esse avanço, bem acima do crescimento populacional, reflete uma transformação econômica significativa no município. Enquanto a população cresceu 52%, de 342 mil para cerca de 520 mil habitantes nesse período, a riqueza gerada por pessoa subiu 449%, com o PIB per capita alcançando R$ 72,31 mil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) compilados pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN). O levantamento disponível foi divulgado em dezembro de 2025, considerando a defasagem padrão de dois anos para o cálculo do PIB municipal, o que indica que o desempenho atual da economia da Serra pode ser ainda maior.
Transformação econômica: do domínio da indústria ao crescimento dos serviços
Em 2002, a indústria era o principal motor econômico da Serra, com Valor Adicionado Bruto (VAB) de R$ 2,11 bilhões, quase o dobro do setor de serviços, que somava R$ 1,21 bilhão. Essa discrepância permaneceu até 2006, quando a indústria atingiu R$ 4,73 bilhões, contra R$ 2,59 bilhões dos serviços. A virada aconteceu em 2009, quando os serviços ultrapassaram a indústria pela primeira vez, com R$ 3,94 bilhões frente a R$ 3,22 bilhões. Desde então, o setor de serviços cresceu de forma acelerada, chegando a R$ 9,01 bilhões em 2017, quase três vezes o valor da indústria naquele ano. Essa mudança revela a dinâmica da economia local, que passou a depender mais da prestação de serviços do que da produção industrial.
Logística e infraestrutura impulsionam a economia serrana
A Serra se tornou o principal polo logístico da Grande Vitória, concentrando praticamente metade dos grandes galpões e condomínios da região. Com quase 1 milhão de metros quadrados de área bruta locável dedicada à armazenagem e distribuição, o município ampliou sua participação no setor de serviços. Essa infraestrutura robusta explica o protagonismo dos serviços na economia local. Apesar dessa mudança, a indústria não perdeu relevância. Em 2021, os dois setores estavam praticamente empatados, com R$ 13,22 bilhões em serviços e R$ 13,15 bilhões na indústria, uma diferença de apenas R$ 70 milhões. Os dados consolidados indicam que a proximidade entre os setores se manteve nos anos seguintes, reforçando a diversificação econômica da Serra.
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A liderança econômica da Serra sobre Vitória no Espírito Santo
O crescimento da Serra contribuiu para que o município ultrapassasse Vitória como a maior economia do Espírito Santo. Em 2002, Vitória tinha R$ 7,19 bilhões contra R$ 4,51 bilhões da Serra, uma vantagem de R$ 2,68 bilhões. Essa diferença chegou a superar R$ 10 bilhões em 2011, mas diminuiu gradualmente até se reduzir a R$ 492 milhões em 2018. No ano seguinte, a Serra assumiu a liderança, que Vitória retomou em 2020. Contudo, a partir de 2021, a economia serrana consolidou sua posição e, em 2023, lidera por quase R$ 9,4 bilhões. Essa mudança é rara no Brasil, onde apenas Espírito Santo e Santa Catarina têm municípios que superam suas capitais economicamente. No Espírito Santo, a Serra ocupa esse posto, enquanto em Santa Catarina, Joinville e Itajaí superam Florianópolis.
Comparações regionais e lições da diversificação econômica
Outros municípios capixabas mostram trajetórias econômicas distintas. Vila Velha e Cariacica mantiveram crescimento estável, travando uma disputa acirrada em 2023, com PIBs praticamente iguais, de R$ 19,711 bilhões e R$ 19,710 bilhões, respectivamente. Já Anchieta sofreu forte impacto após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), e perdeu espaço no ranking estadual entre 2015 e 2020 devido à paralisação da Samarco, sua principal empresa. Esse contraste reforça a importância da diversificação econômica para a resistência a crises. Enquanto Anchieta dependia de um único setor, a Serra construiu uma base sólida combinando indústria e serviços, o que sustenta seu crescimento contínuo e sua liderança regional.
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Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com dados compilados pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).
