Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste Destaca-se em 2023
No último ano, o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) injetou impressionantes R$ 3,24 bilhões em Mato Grosso do Sul, um recorde que reflete a robusta demanda do setor rural. Dentre os valores liberados, 75% foram direcionados para o FCO Rural, um percentual que ultrapassa a média histórica de 60%, anteriormente distribuído entre o campo e a linha Empresarial.
O valor inicial previsto pela Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) era de R$ 2,7 bilhões, mas a crescente procura pelo crédito levou a sucessivos reajustes até atingir R$ 3,2 bilhões. Rogério Beretta, secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, destaca que esse desempenho reafirma a importância do agronegócio na economia do estado.
Influências Econômicas e Destinação de Recursos
Beretta identificou dois fatores que limitaram o apetite de empresários urbanos por crédito: o aumento da taxa Selic, que encareceu os custos, e as incertezas econômicas que pairam sobre o país. Essa realidade levou a um foco maior no setor rural, onde a maior parte do financiamento foi destinada a pequenos e médios produtores, que receberam 72% dos recursos. Os 28% restantes foram alocados para médios e grandes produtores. O secretário enfatizou que o FCO tem um compromisso de destinar, ao menos, 50% dos recursos a mini e pequenos empresários, uma meta que tem sido cumprida regularmente.
Projetos e Sustentabilidade no Agronegócio
Entre as principais áreas de investimento, destacam-se a correção de solo (17,15%) e a reforma ou recuperação de pastagens (13,68%), ações que se alinham com a meta do governo de tornar Mato Grosso do Sul um Estado Carbono Neutro até 2030. “O combate à degradação do solo é essencial para aumentar a capacidade de sequestro e retenção de CO₂”, afirmou Beretta.
Outras finalidades importantes incluem a aquisição de matrizes bovinas de corte (12,5%), implantação de sistemas de irrigação (10,59%) e a compra de máquinas e implementos agrícolas (9,65%). O investimento em fruticultura também merece destaque, representando 8,25% do total, enquanto a construção de armazéns agrícolas correspondeu a 7%. Essas áreas têm sido consideradas estratégicas pelo governo.
Polo de Citricultura e Distribuição Regional
O Estado está em busca de atrair investimentos na citricultura, com a perspectiva de se tornar um novo polo produtor de laranja e suco de laranja, especialmente devido às dificuldades enfrentadas por São Paulo. Beretta ressalta que o investimento em fruticultura é um reflexo desse esforço.
Na distribuição dos recursos, o FCO Rural alcançou todos os municípios de Mato Grosso do Sul. Os maiores volumes de investimento foram registrados em Bataguassu (8,58%), Dourados (6,78%), Paranaíba (6,64%), Sidrolândia (6,27%) e Paraíso das Águas (6,18%). Essas cifras demonstram o caráter descentralizado do fundo, que promove desenvolvimento e geração de renda em pequenas e médias cidades.
A Importância da Agraer e do FCO Empresarial
A atuação da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) foi fundamental, especialmente na elaboração de projetos que facilitaram o acesso dos pequenos produtores aos financiamentos. Por outro lado, a linha de FCO Empresarial também priorizou mini e pequenos empresários, que receberam 52% dos recursos, enquanto médios e grandes empresários ficaram com apenas 10,6% do total. Neste caso, Campo Grande recebeu 40% dos recursos, e Dourados, outros 13%.
As principais utilizações da linha Empresarial foram para capital de giro (41,15%), compra de equipamentos (21,82%), construção (13,07%), reformas (8,03%) e aquisição de veículos (6,86%).
Expectativas para o Futuro
Para 2026, a Sudeco já anunciou um orçamento de R$ 3,1 bilhões para Mato Grosso do Sul, com divisão igual entre FCO Rural e FCO Empresarial. Esse valor representa um aumento de 14% em relação ao montante inicial de 2025. “No ano passado, fomos o único estado da região a necessitar de novos aportes, pois o recurso disponível não foi suficiente para atender a demanda”, enfatizou Beretta.
