Espírito Santo domina exportações de pimenta-do-reino, gengibre e mamão
O Espírito Santo consolidou sua posição como líder nas exportações brasileiras de pimenta-do-reino, gengibre e mamão, segundo dados de 2025 compilados pela Conexão Safra a partir do Agrostat/Mapa. O estado não apenas produz em grande escala, como também tem forte presença no comércio internacional dessas cadeias agrícolas fundamentais para o país.
A pimenta-do-reino capixaba é destaque absoluto, com 56,2 milhões de quilos exportados em 2025. Esse volume representa 67,7% do total nacional, indicando que mais de dois terços das exportações brasileiras dessa especiaria saíram do Espírito Santo. O secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, ressaltou o impacto econômico e social da cadeia: “A pimenta-do-reino capixaba é um exemplo claro de como o Espírito Santo transforma vocação em resultado. Essa especiaria que tempera o mundo chegou a 59 países de janeiro a outubro. É uma cadeia que gera emprego, renda e tem potencial para crescer ainda mais.” Ele também destacou os investimentos em assistência técnica, inovação e sustentabilidade que sustentam a liderança do estado.
Gengibre e mamão reforçam protagonismo capixaba no mercado externo
Na exportação de gengibre, o Espírito Santo mantém liderança expressiva, com 28,6 milhões de quilos embarcados, o que equivale a 60,2% do volume nacional. A produção está concentrada em municípios com tradição agrícola e mostra como produtos de nicho podem ganhar escala internacional quando combinam organização, qualidade e acesso a mercados.
O mamão também destaca a força da fruticultura capixaba. Com 22,1 milhões de quilos exportados, o estado alcançou 40,1% do total nacional, ficando em primeiro lugar no país. Esse resultado evidencia a capacidade de inserir produtos frescos em mercados externos, segmento que exige logística eficiente, padrão rigoroso de qualidade e regularidade no fornecimento.
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Café capixaba mantém posição de destaque nas exportações nacionais
Além dos produtos mencionados, o café capixaba tem participação relevante nas exportações do estado. O Espírito Santo foi o segundo maior exportador brasileiro de café verde, com 325,2 milhões de quilos, correspondendo a 14,3% do volume nacional. No segmento do café solúvel, o estado ocupou a terceira posição, com 18,3 milhões de quilos exportados, representando 21,6% das exportações brasileiras. Esses números refletem a combinação entre liderança produtiva e capacidade de acesso ao mercado internacional, ampliando a geração de renda no campo e fortalecendo as cadeias regionais.
Pesquisa e inovação sustentam liderança capixaba na pipericultura
O destaque do Espírito Santo na produção e exportação de pimenta-do-reino também está ligado à pesquisa e inovação. Um estudo recente conduzido pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) trouxe resultados inéditos sobre a interação entre nematoides-das-galhas e a cultura da pimenta-do-reino. Essa pesquisa é o levantamento mais abrangente já feito no Brasil sobre a presença desses vermes do solo em lavouras de pimenta-do-reino.
O trabalho, que durou cinco anos, resultou no artigo científico “Species dynamics, host associations, and black pepper resistance assessment of root-knot nematodes in Espírito Santo, Brazil”, publicado na revista internacional Plant Disease, ligada à American Phytopathological Society (APS). A pesquisa reforça a importância da inovação para garantir a sustentabilidade da pipericultura no estado, pois as doenças causadas por fitonematoides limitam a produtividade e a longevidade dos pimentais, especialmente em regiões tropicais.
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Dados inéditos e estratégias para manejo agrícola
A equipe do Incaper coletou e analisou mais de 230 amostras de solo e raízes em diversos municípios do Espírito Santo, criando uma base estatística e geográfica inédita. Foram identificadas as espécies predominantes por meio de análises morfológicas, moleculares e bioquímicas. O pesquisador Inorbert Melo, do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Norte (CPDI Norte), destacou que cultivares amplamente usadas, como ‘Bragantina BR-124’ e ‘Kottanadan’, mostraram alta suscetibilidade a espécies comuns de nematoides, como Meloidogyne arenaria, M. incognita e M. javanica. No entanto, demonstraram resistência a espécies altamente agressivas em outras culturas, como M. enterolobii e M. paranaensis.
O estudo também revelou correlações entre o histórico de uso do solo e a presença de determinadas espécies de nematoides. Por exemplo, M. javanica está associado a áreas antes cultivadas com mamão e cana-de-açúcar, enquanto M. incognita aparece em locais com histórico de café conilon. Essas informações são fundamentais para orientar práticas de manejo, como rotação de culturas com espécies não hospedeiras, para interromper o ciclo dos patógenos e reduzir riscos para os produtores.
Incaper e Fapes fortalecem agricultura capixaba com pesquisa aplicada
O financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e a parceria com a Universidade de Brasília (UnB) reforçam o papel estratégico do Incaper na agricultura do estado. Desde o fim dos anos 1970, o instituto atua no desenvolvimento da pimenta-do-reino, aproximando a pesquisa, assistência técnica e inovação da realidade dos produtores. A publicação do estudo na revista da American Phytopathological Society (APS) amplia a visibilidade internacional das pesquisas capixabas, fortalecendo a competitividade e a sustentabilidade das cadeias produtivas locais.
