Confronto sobre economia e políticas públicas
O debate entre os candidatos ao governo do Espírito Santo na terça-feira (22) concentrou-se em disputas sobre economia, segurança pública e enfrentamento à violência contra a mulher. Helder Salomão (PT), Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB) participaram da rodada, organizada por A Gazeta e CBN Vitória, que teve um primeiro bloco marcado por perguntas diretas entre os candidatos. Os temas centrais foram a reforma trabalhista, tributária, geração de empregos e medidas contra a violência de gênero.
Salomão questionou Ferraço sobre sua atuação durante a tramitação da reforma trabalhista no Congresso Nacional, citando alterações relacionadas ao trabalho de gestantes, lactantes e à terceirização. Ferraço respondeu destacando os indicadores econômicos do Estado e atribuindo-os ao ambiente favorável criado pela atual administração estadual. “É por conta desse ambiente responsável e equilibrado que estamos conseguindo atrair para o Espírito Santo empresas de todos os portes”, afirmou.
Preocupações com a arrecadação e desenvolvimento regional
Ferraço, por sua vez, questionou Pazolini sobre como pretende manter o crescimento econômico e financiar políticas públicas diante das mudanças previstas na reforma tributária. O republicano criticou a preparação do Estado para as alterações e estimou uma perda de entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões em receitas, citando o impacto da mudança na cobrança de impostos e o fim de incentivos fiscais.
Como alternativa, Pazolini defendeu o fortalecimento do turismo como vetor de desenvolvimento para diferentes regiões. Ferraço contrapôs, afirmando que recursos do Fundo Soberano e do Fundo de Desenvolvimento Regional poderão ser utilizados para preservar a competitividade do Espírito Santo.
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Propostas para combater a violência contra a mulher
O debate também abordou a violência contra as mulheres. Pazolini questionou Salomão sobre os índices de feminicídio no Estado, mencionando casos recentes no Norte capixaba. Salomão respondeu apresentando a proposta de um Pacto Estadual de Enfrentamento às Violências contra a Mulher, coordenado por sua vice, Professora Valdirene, em articulação com municípios e órgãos federais.
Além disso, prometeu ampliar a estrutura das delegacias especializadas e facilitar o acesso das vítimas a linhas de crédito do Banestes. Durante a resposta, o petista cobrou Pazolini por não ter assinado o compromisso de manutenção do Banestes como banco público.
Segurança pública e sistema prisional em pauta
No segundo bloco, jornalistas da Rede Gazeta questionaram os candidatos sobre propostas e relações políticas. Salomão foi indagado sobre a superlotação do sistema penitenciário e os custos de manutenção dos presídios. Ele defendeu investimentos na estrutura existente, mas ressaltou que a ampliação do encarceramento isoladamente não resolve os problemas de segurança pública, destacando a importância de políticas de prevenção à criminalidade entre jovens.
Pazolini respondeu sobre sua relação com aliados envolvidos em conflitos políticos ou decisões judiciais relacionadas à violência política de gênero, tema conectado ao seu slogan “Tempo de paz”. Ele afirmou ter mantido diálogo com lideranças comunitárias mesmo diante de divergências e que diferenças políticas não impedem a construção de políticas públicas.
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Articulação com o governo federal e panorama eleitoral
Ferraço comentou sua intenção de governar para diversos setores da população e afirmou estar preparado para administrar o Espírito Santo independentemente do resultado das eleições presidenciais. Também mencionou sua relação com igrejas e o reconhecimento do trabalho de organizações religiosas nas comunidades.
Salomão foi questionado sobre uma eventual administração estadual caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente. Ele ressaltou sua experiência para dialogar com diferentes grupos políticos, citando sua trajetória em situações de governo e oposição. O petista também expressou confiança na reeleição de Lula, destacando ações federais no Espírito Santo, como medidas relacionadas aos royalties do petróleo, implantação do Samu e expansão dos institutos federais.
Conflitos e parcerias na gestão estadual
Pazolini respondeu sobre os conflitos enfrentados com o governo estadual durante sua gestão como prefeito de Vitória, atribuindo divergências em obras de mobilidade a questões como licenciamentos ambientais. Apesar das diferenças político-partidárias, afirmou que equipes técnicas da Prefeitura e do governo estadual mantiveram diálogo.
Como exemplo de cooperação, citou a Guarda Municipal de Vitória, atualmente a única integrada ao Ciodes, serviço vinculado à Secretaria de Estado da Segurança Pública.
