Imersão na Embraer aproxima empresas da Serra do mercado aeroespacial
Um grupo formado por 18 empresas gaúchas, com 10 delas localizadas na Serra, participou de uma imersão empresarial promovida pelo Sebrae RS na Embraer, em São José dos Campos (SP). A ação, realizada entre terça e quinta-feira, reuniu companhias de Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Flores da Cunha e São Marcos, com o objetivo de aproximá-las da indústria aeroespacial e abrir portas para futuras parcerias.
Segundo Gabriela Garin, gestora de Indústria Metalmecânica e Plástica da Serra Gaúcha do Sebrae, o primeiro dia da programação incluiu uma apresentação institucional e uma série de palestras técnicas sobre qualidade, cadeia de suprimentos, engenharia de manufatura e desenvolvimento de fornecedores. Além disso, as empresas participaram de uma rodada de aproximação comercial com representantes da Embraer.
“O foco não era fechar negócios imediatamente, mas apresentar as capacidades técnicas das empresas gaúchas para a Embraer e iniciar um diálogo que possa evoluir para o desenvolvimento de produtos e soluções específicas para o setor aeroespacial”, explica Gabriela.
Visita técnica reforça potencial e desafios do setor
No segundo dia, o grupo visitou a unidade produtiva da Embraer, conhecendo de perto a estrutura, os processos industriais e as práticas adotadas pela empresa, como gestão da qualidade, inovação e lean manufacturing. Para Gabriela, a experiência evidenciou que há espaço real para a indústria gaúcha na cadeia aeroespacial, desde que as empresas estejam preparadas para atender a exigências técnicas rigorosas.
“Entrar nesse mercado demanda um processo sólido de qualificação, envolvendo certificações, rastreabilidade, capacidade de entrega, segurança e excelência na gestão dos processos. É uma jornada que exige investimento contínuo e comprometimento com a melhoria constante”, destaca a gestora do Sebrae.
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Ela ressalta que o desenvolvimento de fornecedores para o setor aeroespacial passa por critérios rigorosos de qualidade, segurança e engenharia, além de etapas de homologação e compliance. Por isso, eventuais projetos futuros com a Embraer terão caráter sigiloso para garantir confidencialidade comercial.
Empresas da Serra encaram desafio com consultoria especializada
As empresas participantes atuam principalmente nos segmentos de usinagem, borracha, eletroeletrônicos e iluminação, todas certificadas pela ISO 9001 e com histórico de relacionamento com o Sebrae. A seleção priorizou setores apontados pela Embraer como estratégicos para fornecimento futuro.
Cintia Buzin, diretora da metalúrgica Buzin, que atua na usinagem de peças metálicas para clientes no Brasil, Argentina e Estados Unidos, participou da imersão. Ela conta que a oportunidade de visitar a fábrica da Embraer e participar de reuniões individuais com a equipe da empresa foi única.
“Passamos quase dois dias com eles, assistindo apresentações e tendo encontros individuais para apresentar nossos negócios. Visitar uma fábrica desse porte e ter uma troca direta é uma experiência rara e muito valiosa”, avalia Cintia.
Apesar de não haver negociações imediatas, a empresária destaca o aprendizado e o potencial para futuras parcerias na cadeia aeroespacial.
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Fonte: bahnoticias.com.br
Acompanhamento técnico para qualificação até novembro
Agora, as 18 empresas receberão consultoria individualizada até novembro, totalizando 12 horas de acompanhamento técnico oferecidas pelo Sebrae. O trabalho será dividido em duas frentes. A primeira é a sensibilização e introdução aos requisitos da norma AS9100, que orienta a gestão da qualidade para os setores aeronáutico, espacial e de defesa.
Serão abordados temas como gestão de riscos, segurança do produto, rastreabilidade, controle de mudanças, gestão de fornecedores e prevenção de peças falsificadas. A segunda frente consiste na aplicação prática de uma boa prática identificada durante a imersão, adaptada à realidade de cada empresa. Isso pode envolver produção enxuta, melhoria do fluxo produtivo, gestão visual, indicadores, redução de desperdícios, qualidade ou inovação.
Ao final do processo, cada empresa terá uma avaliação inicial e um plano de ação com prioridades para melhoria. Gabriela Garin destaca que essas 12 horas representam uma preparação introdutória, não a implantação completa ou certificação AS9100.
“O desafio agora é transformar o conhecimento adquirido em melhorias concretas, com o apoio das entidades envolvidas, para que as empresas estejam preparadas a aproveitar as oportunidades que surgirão na cadeia aeroespacial”, conclui a gestora.
