A nova face do turismo na Serra Catarinense
Durante muito tempo, a Serra Catarinense foi sinônimo de turismo de inverno, atraindo visitantes pelo frio, pelas geadas e pela possibilidade de neve. Essa imagem consolidou o destino como referência para quem busca cenários típicos do Sul do Brasil em temperaturas baixas. No entanto, essa perspectiva está mudando. Hoje, a região expande seu potencial ao valorizar a biodiversidade e as experiências ao ar livre, promovendo um turismo que envolve cultura rural e contato direto com a natureza durante todo o ano.
Experiências que conectam visitantes à natureza
O perfil do turista na Serra Catarinense evoluiu. Em vez de apenas admirar paisagens ou tirar fotos nos pontos turísticos, o visitante moderno busca trilhas, histórias locais, vivências em propriedades rurais e observação da fauna. A gastronomia típica e a imersão na cultura local tornam-se parte essencial dessa jornada, transformando a natureza de mero cenário em protagonista da experiência.
Esse movimento acompanha uma tendência nacional, que ganhou força após a pandemia. Muitas pessoas passaram a valorizar ambientes que permitem desacelerar e vivenciar a natureza de forma mais intensa. O biólogo Luiz Lugioni, que atua há mais de 17 anos com consultoria ambiental, é um exemplo dessa nova abordagem. Ele criou a Rota Luna Brasil, empresa especializada em experiências noturnas de imersão na natureza na Serra Geral, oferecendo vivências que vão além da simples observação, focando na conexão e no autoconhecimento.
Turismo de observação e experiências únicas
A Rota Luna Brasil une dois segmentos em crescimento: o turismo de observação de vida silvestre, como o birdwatching, e o turismo de experiência, que valoriza a cultura e o ambiente local. Enquanto muitas experiências turísticas terminam ao entardecer, a proposta da Rota Luna é justamente o oposto: o momento mais especial ocorre à noite, quando a percepção sensorial se intensifica e é possível ouvir sons únicos da floresta e observar animais noturnos.
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As caminhadas noturnas duram entre uma hora e meia e duas horas, mas focam em manter o visitante presente durante todo o percurso, diferente dos roteiros tradicionais que visam alcançar um atrativo específico, como uma cachoeira. Essa mudança reflete uma transformação no consumo do turismo, que valoriza memórias afetivas e vivências profundas em vez de fotos rápidas em pontos turísticos.
Impactos econômicos e integração regional
O turismo de experiência na Serra Catarinense gera impactos econômicos palpáveis. Com visitantes que permanecem mais tempo, cresce a demanda por hospedagem, alimentação, transporte e comércio local. A Rota Luna Brasil trabalha para integrar propriedades rurais, pousadas e empreendimentos turísticos, criando roteiros de três a cinco dias que conectam o litoral sul, as encostas da Serra Geral e municípios serranos, incluindo experiências gastronômicas, queijarias e vinícolas.
Essa valorização da cultura e do cotidiano local mostra que atividades comuns para os moradores, como usar fogão a lenha ou colher ovos, podem ser experiências extraordinárias para turistas de outras regiões. Além disso, a ampliação do calendário turístico para além do inverno permite reduzir a sazonalidade e gerar novas oportunidades para pequenos empreendedores e produtores rurais.
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Preservação ambiental como base do turismo sustentável
Para garantir a sustentabilidade desse crescimento, a conservação ambiental é fundamental. A Rota Luna Brasil realiza suas atividades com grupos pequenos, entre seis e dez pessoas, para minimizar os impactos sobre os ecossistemas sensíveis da região. Além das trilhas, a empresa orienta parceiros sobre boas práticas ambientais, manejo responsável e recuperação de áreas degradadas, reforçando que o ambiente preservado é o principal ativo para o turismo de natureza.
Construindo uma identidade regional forte
A Serra Geral, que engloba a Serra Catarinense e Gaúcha, é uma das maiores formações geológicas da América do Sul e possui paisagens únicas, como campos de altitude, cânions e vales profundos. Apesar dessa riqueza, a divulgação da região ainda é fragmentada. A construção de uma marca unificada pode fortalecer o turismo, conectando municípios e empreendedores em roteiros mais completos que aumentem a permanência e o gasto dos visitantes.
Enquanto o inverno e seus atrativos continuam importantes, o turismo baseado na biodiversidade e nas experiências ao ar livre representa um novo ciclo para a Serra Catarinense. Essa transformação, se conduzida de forma planejada e integrada, pode consolidar a região como um destino turístico ativo durante os doze meses do ano, gerando renda, fortalecendo comunidades locais e valorizando o patrimônio natural.
