Quatro décadas de tradição e valorização do Congo capixaba
A Associação das Bandas de Congo da Serra (ABC-SERRA) completa 40 anos de fundação em um momento significativo para a cultura popular do Espírito Santo. Nesta quarta-feira (9), a entidade comemorou quatro décadas de atuação e marcou presença em Brasília ao entregar ao Ministério da Cultura a Carta dos Mestres da Cultura Popular Tradicional Capixaba. Esse documento reúne propostas elaboradas para fortalecer, preservar e valorizar as manifestações culturais locais, reafirmando o protagonismo da associação na defesa do Congo capixaba, uma das mais importantes expressões culturais do Estado.
Propostas culturais e convite à ministra da Cultura
Durante a agenda institucional em Brasília, o presidente da ABC-SERRA, Deivid Soares, representou a entidade e entregou a carta que foi elaborada no VIII Encontro de Mestres da Cultura Popular, realizado em Aracruz. O encontro reuniu mais de 150 mestres e mestras de diversas regiões capixabas, que discutiram o reconhecimento dos mestres da cultura popular, a ampliação das políticas públicas e o fortalecimento das tradições culturais do Espírito Santo.
Além disso, Deivid Soares entregou um convite oficial à ministra da Cultura, Margareth Menezes, para participar da 181ª Festa de São Benedito da Serra, evento tradicional que também abriga a sede da ABC-SERRA. O encontro em Brasília foi oportunidade para apresentar os projetos desenvolvidos pela associação, que atualmente reúne 19 bandas de Congo e atua com ações de preservação da memória, pesquisa, educação patrimonial e formação cultural.
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Reconhecimentos e avanços para o Congo capixaba
A visita à capital federal também resgatou um momento histórico da ABC-SERRA: em 2003, a associação recebeu a Ordem do Mérito Cultural, a maior honraria concedida pelo Governo Federal à cultura brasileira. Na época, a homenagem foi entregue pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Cultura Gilberto Gil, em reconhecimento ao trabalho da entidade na preservação do patrimônio cultural.
Outro avanço relevante está em andamento: o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) conduz o processo para reconhecer o Congo capixaba como Patrimônio Cultural Brasileiro. Caso seja aprovado, esse registro trará maior visibilidade e proteção nacional à manifestação cultural.
Comemoração do Dia Municipal do Congo na Serra
As celebrações pelos 40 anos da ABC-SERRA coincidem com a oficialização do Dia Municipal do Congo na Serra. A data foi criada por meio de projeto de lei do vereador Dr. Thiago Peixoto e aprovada por unanimidade na Câmara Municipal, integrando o calendário oficial do município. Essa conquista destaca a importância histórica, cultural, religiosa e social do Congo para a identidade serrana.
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Ao longo dessas quatro décadas, a ABC-SERRA consolidou-se como referência da cultura popular capixaba, reunindo 19 bandas e conquistando reconhecimentos como Ponto de Cultura, Ponto de Memória, certificação do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) e a Ordem do Mérito Cultural.
Segundo Deivid Soares, presidente da associação, o momento atual é fruto do esforço coletivo de gerações de mestres e comunidades. “Celebrar os 40 anos da ABC-SERRA levando ao Ministério da Cultura a voz dos nossos mestres é motivo de muito orgulho. Nossa história foi construída por muitas mãos, com dedicação e resistência. Vivemos um momento histórico, com a criação do Dia Municipal do Congo e com a expectativa do reconhecimento do Congo como Patrimônio Cultural Brasileiro. Essas conquistas pertencem a todos os mestres, bandas e comunidades que mantêm viva essa tradição”, destacou.
