cultura e Ação: O 1º de Maio no RS
No último 1º de Maio, mesmo sob a chuva, o Festival do Trabalhador e Trabalhadora no Rio Grande do Sul se destacou pela sua programação vibrante e engajada. Na capital Porto Alegre, o evento, inicialmente localizado na Praça da Alfândega, foi transferido para a Casa do Gaúcho, no Parque Harmonia, devido às condições climáticas adversas. Com início às 10h e se estendendo até tarde da noite, o festival proporcionou 12 horas de celebração, mesclando cultura, gastronomia, artesanato e práticas sustentáveis, todas com acesso livre para o público.
Além de Porto Alegre, cidades como Passo Fundo e Caxias do Sul também receberam festividades do festival. O presidente da Central Única dos Trabalhadores do RS (CUT/RS), Amarildo Cenci, revelou que mais de 30 mil pessoas participaram das atividades nas três localidades. O festival também se estenderá a Pelotas e Santa Maria neste domingo, dia 3.
As festividades tiveram um caráter artístico marcante e abordaram questões históricas da classe trabalhadora, como a luta pelo fim da jornada de trabalho 6×1 e a regulamentação da negociação coletiva no serviço público. Além disso, as pautas incluíram o combate à pejotização, a defesa e valorização dos serviços públicos, o enfrentamento à reforma administrativa, a luta contra os feminicídios e a defesa da democracia e da soberania nacional.
Artistas em Foco: Uma Celebração Musical
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O palco de Porto Alegre contou com apresentações de renomados músicos gaúchos, como Nelson Coelho de Castro e Gelson Oliveira, além de outras atrações como Gilsoul, Yustedes e Moreno Mares. O evento foi enriquecido pela participação de artistas do hip hop e do samba, como Chico Chico e o Bloco da Laje. A programação se alternou com discursos de lideranças sindicais e políticas, como os deputados federais Paulo Pimenta (PT), Fernanda Melchionna (Psol) e Daiana Santos (PCdoB), além de Manuela d’Ávila (Psol) e a pré-candidata ao governo do estado, Juliana Brizola (PDT).
Mobilização e Reivindicações: O Caráter Político da Data
Durante os atos em Porto Alegre, representantes de movimentos sociais e estudantis enfatizaram o significado da data como um momento de mobilização e reivindicação. O coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Leonardo Maggi, comentou que o 1º de Maio é um tempo para celebrar, mas também para exigir direitos. Ele destacou a necessidade de reconhecimento para as famílias afetadas pelas enchentes que devastaram o estado dois anos atrás, afirmando que muitos ainda vivem em condições precárias.
Maggi expressou sua frustração com a falta de moradia digna para os atingidos, afirmando que, apesar do tempo decorrido, nenhuma casa foi entregue a essas famílias. “Estamos vivendo em abrigos e casas provisórias”, desabafou. Ele também mencionou a importância de manter a luta: “O dia 1º de Maio serve para celebrar, mas é também um dia de reivindicar, porque só assim as águas poderão ser para a vida e não para a morte”.
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A vice-presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE), Amanda Martins, também ressaltou a importância da unidade entre estudantes e trabalhadores, afirmando que a presença no festival reforça as lutas coletivas e a ocupação de espaços políticos. Martins defendeu que o 1º de Maio deve ser um momento para reafirmar a luta por direitos e pela soberania nacional, especialmente em tempos de exploração.
Analisando as Mobilizações: Uma Luta Coletiva
Amarildo Cenci, ao refletir sobre as mobilizações, destacou a amplitude dos eventos e a intersecção entre cultura e política. Ele notou que em Passo Fundo, por exemplo, o 1º de Maio atraiu mais de 5 mil pessoas, enfatizando que a união de causas sociais com manifestações culturais produziu um resultado expressivo.
Cenci também ressaltou o papel das mulheres nas mobilizações, observando que elas estiveram à frente da organização e das apresentações. “Mulheres negras e jovens foram essenciais para o sucesso do evento, mostrando uma garra imensa”, comentou.
Além disso, ele abordou a crítica ao sistema econômico vigente, ao afirmar que este pode escravizar os trabalhadores e priorizar a acumulação de riqueza nas mãos de poucos. A presidenta do Sindicato dos Empregados em Empresas de Telemarketing e Rádio Chamada do Estado do Rio Grande do Sul (Sintratel-RS), Crislaine Carneiro, reiterou a importância da unidade da classe trabalhadora e a relevância da luta pela redução da jornada de trabalho, que é amplamente apoiada entre os trabalhadores. Ela indicou que essa questão está diretamente relacionada à saúde mental e ao combate à violência de gênero.
O Valor do Tempo Livre e da Cultura
Carneiro também destacou a diversidade das iniciativas presentes no ato, que incluíram a promoção da economia solidária e o fortalecimento de laços culturais. Ela ressaltou que essas experiências revelam a importância de ter tempo livre e valorizar a vida além do trabalho. “É essencial usufruir da cultura, do lazer e da saúde de todos”, concluiu. Neste 1º de Maio, o Rio Grande do Sul não apenas celebrou, mas também reafirmou seu compromisso com as lutas que moldam o futuro da classe trabalhadora.
