Fortalecendo Laços Culturais
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, esteve em Pequim nesta quarta-feira (29) com uma agenda voltada para fortalecer a cooperação cultural entre Brasil e China. O foco principal dessa missão é o setor audiovisual e o intercâmbio artístico. Durante o dia, Margareth se reuniu com o presidente do China Media Group (CMG), Shen Haixiong, onde discutiram estratégias para aumentar a circulação de conteúdos brasileiros no vasto mercado chinês.
No encontro, a ministra destacou o crescimento do interesse do público chinês por produções brasileiras. Filmes do Brasil têm conquistado uma recepção calorosa, e novas oportunidades de colaboração foram levantadas. Entre elas, a possibilidade de um festival de cinema chinês no Brasil e a participação de artistas brasileiros em eventos na China, incluindo um festival em Xangai.
Na conversa, a visão do presidente Xi Jinping sobre o papel estratégico da parceria Brasil-China no contexto do Sul Global foi mencionada. Ele enfatizou a importância de promover uma cultura de paz. Em resposta, Margareth lembrou a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em fortalecer as relações entre os dois países, sublinhando a cultura como um elo essencial nesse diálogo. “A cultura tem um papel estratégico nesse processo de aproximação. O mundo precisa de exemplos como o nosso, de países diferentes que se unem na defesa da paz e do desenvolvimento compartilhado”, afirmou.
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Cenário Cultural em Transformação
A ministra também discutiu a atual situação das políticas culturais no Brasil, que passa por uma revitalização com o aumento dos investimentos no setor. Durante a visita, Margareth mencionou a expectativa de um memorando de entendimento entre Brasil e China, atualmente em tramitação no Congresso Nacional, que deve promover ainda mais a cooperação cultural entre os países.
À noite, a ministra participou da apresentação da Orquestra Neojibá, parte da programação oficial do Ano Cultural Brasil-China. O concerto, que reuniu 94 jovens músicos baianos sob a regência de Ricardo Castro, trouxe um repertório focado nas Américas, incluindo obras de renomados compositores como George Gershwin, Heitor Villa-Lobos, Maestro Duda e Arturo Márquez.
Um dos destaques da apresentação foi a obra Kamarámusik, composta por Jamberê Cerqueira, que é interpretada com berimbau e orquestra. O percussionista Raysson Lima, de apenas 21 anos, que começou sua formação musical ainda criança no projeto, teve a oportunidade de se apresentar como solista, simbolizando a transformação promovida pela iniciativa.
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Durante o evento, Margareth ressaltou a importância social e cultural do Neojibá. “Este é um projeto que transforma vidas, acolhendo milhares de jovens em várias cidades da Bahia. A cultura é um caminho que cria oportunidades”, enfatizou.
A Música como Linguagem Universal
A ministra também falou sobre como a música serve como uma linguagem universal que promove o intercâmbio entre nações. “A música é o nosso passaporte. A arte não conhece barreiras; ela conecta povos e constrói pontes. Ver esses jovens talentos aqui, no contexto do Ano Cultural Brasil-China, é motivo de imenso orgulho”, declarou Margareth.
Desde sua criação em 2007, o Neojibá tem se dedicado à formação musical e inclusão social, beneficiando mais de 42 mil crianças, adolescentes e jovens em todo o estado da Bahia. O programa reafirma a crença de que a música pode abrir portas e criar um futuro melhor.
Conexões Históricas entre Brasil e China
A relação entre Brasil e China foi formalizada em 1974 e, desde então, evoluiu para uma das mais significativas do cenário global. A parceria se destaca em fóruns como BRICS e G20, além de cooperar em áreas estratégicas como tecnologia, energia e sustentabilidade. Nesse contexto, o Ano Cultural Brasil-China representa um marco na maturidade dessa colaboração, enfatizando a dimensão humana, criativa e simbólica desse intercâmbio cultural.
