Operação Revela Estrutura Criminosa em Vila Velha
A Polícia Civil de Vila Velha prendeu cinco pessoas ligadas a uma organização criminosa que atuava na venda ilegal de terrenos no bairro Parque das Garças. As prisões ocorreram durante uma operação no dia 1º de abril e foram resultado de investigações que revelaram que os crimes estavam sendo praticados desde o ano de 2020. De acordo com a polícia, o esquema fraudulento movimentou mais de R$ 30 milhões e afetou, até o momento, pelo menos 15 vítimas que procuraram as autoridades para relatar as perdas.
O delegado Gabriel Monteiro, que é o chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), explicou que os criminosos se aproveitaram da pandemia para realizar seus golpes. Em 2020, muitos proprietários legítimos estavam ausentes de seus terrenos, o que facilitou a ação do grupo.
Como O Golpe Era Executado
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A estrutura da organização era bem orquestrada, com funções específicas para cada integrante. O ponto de partida do esquema foi a extinta Cooperativa Habitacional Vila Velha Parque das Garças, encerrada em 2015, que tinha sido responsável por negociar cerca de mil terrenos na área. A cooperativa possuía a autorização para emitir certidões de quitação, um detalhe que foi usado para legitimar fraudes.
As vítimas, em sua maioria pessoas humildes e com pouca escolaridade, foram enganadas e perderam seus terrenos através de um golpe arquitetado por um ex-líder comunitário. Ele identificava terrenos sem escritura pública e desocupados, e então os criminosos faziam a limpeza do local, colocavam placas de venda e anunciavam os imóveis por meio de uma imobiliária.
Intimidação e Ameaças
Para intimidar os verdadeiros proprietários, o grupo contava com a colaboração de um policial militar da reserva. Monteiro relatou que, em casos onde as ameaças não funcionavam, o policial armava-se e ia ao local. Em algumas ocasiões, ele até se apresentou fardado. “Em situações de resistência, ele se fazia presente, armado, e já houve casos em que foi visto em uniforme da Polícia Militar”, destacou o delegado.
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Os métodos de intimidação eram brutais. O grupo chegou a invadir um escritório de advocacia, onde subtraiu documentos, e na semana seguinte, efetuo disparos no local. Uma das vítimas, que havia contratado um advogado para defender seus direitos, viu seu escritório ser alvo da organização, que não hesitou em retornar com tiros para intimidar.
Fraudes e Certidões Falsas
Além das ameaças, os criminosos também emitiram certidões falsas para os novos compradores, permitindo que estes registrassem escrituras no cartório como se fossem legítimos proprietários. “A cooperativa emitia certidões ideologicamente falsas, que aparentavam ser verdadeiras, mas com informações fraudulentas”, esclareceu Monteiro.
As investigações revelaram que o crime gerou uma movimentação financeira superior a R$ 30 milhões, conforme um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Durante a operação policial, foram apreendidos seis veículos, uma pistola de 9mm, cerca de R$ 30 mil em dinheiro e uma variedade de documentos relacionados ao esquema.
Papel de Cada Integrante do Grupo
O delegado Monteiro também detalhou as funções de cada membro da organização. O ex-líder comunitário era responsável por identificar os terrenos alvo, enquanto o presidente da cooperativa cuidava da emissão das certidões fraudulentas. Um dos integrantes tinha a função de lavar o dinheiro, o policial militar da reserva atuava na intimidação, e o proprietário da imobiliária ficava encarregado de anunciar os terrenos.
A Polícia Civil agora trabalha no bloqueio de bens e contas bancárias dos envolvidos na fraude, com a expectativa de ressarcir as vítimas prejudicadas. Além disso, as investigações continuam, com a suspeita de que algumas tentativas de homicídio na região possam estar ligadas aos conflitos originados pelo esquema criminoso, conforme informou Monteiro.
