Inovação e Desenvolvimento em Gravatá
Gravatá, localizada no Agreste pernambucano, está prestes a entrar em uma nova fase no setor de equinocultura com a criação de um Centro de Excelência. Essa instalação, gerida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), tem como objetivo unir qualificação profissional, pesquisa aplicada e fortalecimento de uma cadeia produtiva que mescla tradição cultural e importância econômica. O projeto, que visa transformar o município em um polo estratégico para a formação técnica na atividade equina no Nordeste, já possui terreno adquirido e projeto arquitetônico aprovado.
A nova etapa agora se concentra na elaboração do orçamento e na preparação para a licitação das obras. A expectativa é que a construção tenha início ainda em 2024, com previsão de funcionamento em 2027. O centro ocupará uma área de três hectares, com aproximadamente 5.700 metros quadrados de construção, incluindo salas de aula, laboratórios, auditório, baias, além de espaços destinados a práticas e eventos técnicos.
Modelo de Excelência no Agronegócio
O modelo que será adotado em Gravatá segue a linha de outros centros de excelência do Senar espalhados pelo Brasil, cada um voltado para diferentes cadeias produtivas do agronegócio. No caso de Pernambuco, a opção pela equinocultura reflete a vocação regional e o potencial de crescimento que o setor apresenta.
Para Pio Guerra, presidente da Federação da Agricultura de Pernambuco (Faepe), a criação do centro representa um avanço significativo na forma como o estado aborda uma atividade que sempre foi importante, mas que carecia de estruturação técnica. “Pernambuco tem uma tradição e um apreço pelo cavalo. Agora, estamos profissionalizando essa atividade”, destaca Guerra.
Fortalecimento da Tradição e da Indústria Equina
A tradição no cuidado e manejo de equinos é um aspecto ressaltado pelo secretário de Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Pecuária e Pesca de Pernambuco, Cícero Moraes. Ele afirma que, nos últimos anos, o governo estadual tem apoiado eventos focados principalmente na raça manga-larga marchador, e enfatiza: “Gravatá é um centro promissor e uma referência nacional na criação de equinos. Este centro vai ampliar a divulgação do potencial da criação de equinos pernambucana”.
Capacitação e Qualificação de Profissionais
O centro de excelência terá uma proposta voltada para a formação técnica reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC), oferecendo cursos gratuitos que vão desde capacitações de curta duração até programas mais extensos de formação profissional. A grade curricular incluirá áreas como medicina veterinária aplicada, zootecnia, manejo de animais e gestão de empreendimentos relacionados à equinocultura.
A proposta não se limita à formação inicial de jovens; também abrange a qualificação de trabalhadores já inseridos no setor. “Vamos capacitar quem já atua, aprimorando o manejo, a doma, a alimentação e a preparação dos animais”, explica Guerra. Essa combinação entre ensino técnico e capacitação contínua é considerada essencial para elevar os padrões de produção e aumentar a competitividade do setor, especialmente em atividades como cavalgadas, vaquejada, exposições e turismo rural.
Gravatá: Um Polo Estratégico
A escolha de Gravatá para abrigar o centro não é acidental. O município já possui uma base sólida de criadores, centros de treinamento e um calendário regular de eventos e provas equestres, além de uma infraestrutura turística que facilita a atração de visitantes e investidores. Segundo Guerra, a cidade conta com uma dinâmica vibrante em torno da equinocultura, com mais de 100 áreas de criação e uma intensa rotina de atividades ligadas aos cavalos.
Potencial Econômico e Geração de Riqueza
O mercado de equinos, embora frequentemente associado ao lazer e a práticas esportivas, movimenta uma cadeia produtiva diversificada que inclui desde a criação e treinamento de animais até a fabricação de equipamentos e eventos especializados. Pio Guerra destaca a importância da mão de obra nesse setor: “Mais de 70% do preço de itens como selas e arreios é constituído por mão de obra. É um setor que gera muitos empregos e movimenta recursos significativos”.
Além disso, profissionais qualificados, como treinadores e domadores, podem obter remunerações consideráveis, reforçando o potencial da atividade como uma alternativa viável de renda no meio rural. A expectativa é que o centro de excelência não só amplie esse impacto econômico, mas também melhore a produtividade e incentive práticas mais modernas e eficientes na criação e manejo dos animais.
