Visão Geral sobre o Futuro da Indústria de Petróleo e Gás no Espírito Santo
A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) apresentou, nesta terça-feira (14), a 9ª edição do Anuário da Indústria do Petróleo e Gás Natural do Espírito Santo, durante um evento no Palácio Anchieta. Este documento, elaborado pelo Observatório Findes, reúne dados e previsões do setor até 2035. Segundo o relatório, o Estado deverá atingir um pico na produção de petróleo e gás natural em 2027, com uma taxa média de crescimento anual de 13,5% a partir de 2025.
A produção média de petróleo no Espírito Santo alcançou 192,9 mil barris por dia em 2025, apresentando uma impressionante alta de 24,5% em comparação ao ano anterior. Essa performance fez com que o estado recuperasse a segunda posição no ranking nacional de produtores de petróleo, posição que não ocupava desde 2018. Quanto ao gás natural, a produção foi de 5,08 milhões de metros cúbicos por dia, um aumento de 39,5% em relação ao ano anterior, consolidando o Espírito Santo como o quarto maior produtor do país.
Importância da Indústria para a Economia Capixaba
O presidente da Findes, Paulo Baraona, ressaltou a relevância do setor de petróleo para a economia do estado. “O petróleo foi crucial há 20 anos e permanece assim até hoje. No último ano, recuperamos a segunda posição entre os maiores produtores de petróleo do Brasil, após seis anos fora desse ranking”, afirmou. A expectativa é que essa trajetória de crescimento continue neste ano, com o objetivo de maximizar o impacto positivo em diversos segmentos econômicos do Espírito Santo.
A robustez da produção em 2025 está atrelada ao avanço das operações em alto-mar, especialmente no campo de Jubarte, que se beneficiou do início das atividades do FPSO Maria Quitéria, navio-plataforma da Petrobras que começou a operar em outubro de 2024. Nesse campo, a produção de petróleo cresceu 32,7%, enquanto a de gás natural aumentou 51,8% ao longo do ano. Além disso, o pico de 2027 também dependerá do início da produção no campo de Wahoo, sob operação da PRIO, previsto para o primeiro semestre de 2026, e da expansão da extração em Golfinho, pela BW Energy.
Desafios e Oportunidades para o Futuro
Apesar das perspectivas animadoras, o anuário antecipa que, a partir de 2028, a produção nos campos capixabas deve enfrentar um declínio natural. Diante desse cenário, o relatório indica o descomissionamento de plataformas offshore como uma oportunidade estratégica. Atualmente, 24 projetos de descomissionamento foram aprovados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), prevendo investimentos de R$ 4,79 bilhões.
“Os campos de petróleo estão amadurecendo e essa realidade é observada em todo o Brasil. Nos próximos anos, muitas plataformas encerrarão suas atividades. Nesse contexto, podemos nos destacar como o primeiro estado a estruturar sistematicamente a cadeia de descomissionamento offshore”, destacou Baraona.
Impacto Econômico e Tecnológico do Setor de Petróleo e Gás
Em termos econômicos, o setor de petróleo e gás representa 5,1% do PIB do Espírito Santo e gerou R$ 2,4 bilhões em participações governamentais em 2025. Apesar de um aumento na produção, esse valor foi inferior ao do ano anterior, em decorrência da queda nos preços internacionais do petróleo e a valorização do real em comparação ao dólar. O setor emprega cerca de 17,2 mil trabalhadores registrando um salário médio de R$ 7.954,70, conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego.
O anuário também introduz uma análise sobre as tendências tecnológicas globais do setor, revelando uma mudança no foco das inovações, que agora se concentram em soluções integradas de energia renovável no ambiente offshore, como a energia eólica e solar. Nathan Diirr, gerente de Ambiente de Negócios do Observatório Findes, mencionou que o anuário foi reformulado para refletir essas transformações.
Inovação e Compromisso com a Sustentabilidade
Na esfera da inovação, o Espírito Santo registrou R$ 526,9 milhões em obrigações relacionadas à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) em 2025, com a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) liderando os projetos. A Petrobras, maior operadora no estado, reafirmou seu compromisso com a sustentabilidade e estabeleceu metas para eliminar a queima rotineira em flare até 2030 e reduzir em 30% as emissões operacionais em comparação com 2015.
“Desde 1957, estamos presentes no Espírito Santo, contribuindo para o desenvolvimento local e a criação de um ambiente sustentável na região”, declarou Gilvan Amorim, gerente geral da Petrobras no Estado.
Investimentos e Perspectivas Futuras
Os investimentos totais projetados pelo Observatório Findes para o setor no Espírito Santo somam R$ 38,4 bilhões até 2031, distribuídos entre nove empresas. A Petrobras lidera esse montante com R$ 29 bilhões, seguida pela PRIO com R$ 4,5 bilhões para o campo de Wahoo, e BW Energy com R$ 3,6 bilhões nas operações de Golfinho e Camarupim. Desde 2017, o anuário é publicado anualmente e conta com o apoio de diversas entidades, incluindo o Fórum Capixaba de Petróleo, Gás e Energia e a Empresa de Pesquisa Energética.
