Como Produtores de Mato Grosso Integraram Práticas Sustentáveis no Agronegócio
O agronegócio brasileiro desempenha um papel crucial na produção de alimentos enquanto busca preservar os recursos naturais. Nas propriedades rurais de Mato Grosso, especialistas e agricultores utilizam tecnologia e conhecimento para garantir uma produção que respeita o meio ambiente. No dia a dia do campo, sustentabilidade não é apenas uma palavra-chave, mas uma prática incorporada nas atividades diárias.
A preservação ambiental é um tema central nas discussões sobre o agronegócio. Para aqueles que atuam diretamente nesse setor, a conservação dos recursos naturais é vital para manter a produção. Diogo Ballistieri, vice-presidente norte da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), enfatiza a importância desse compromisso: “Os produtores rurais têm interesse direto na conservação dos recursos naturais, pois dependem deles para garantir uma produção de qualidade no presente e no futuro.”
Embora o setor enfrente críticas em relação à preservação ambiental, a perspectiva de quem vive no campo é distinta. Ballistieri observa que, frequentemente, os agricultores são erroneamente vistos como os responsáveis pela degradação ambiental. “Na verdade, somos os principais beneficiados pela conservação da água, das florestas e dos recursos naturais. O que muitos não veem é que os produtores atuam como guardiões da natureza em suas propriedades”, explica.
Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indicam que 65,6% do território nacional é destinado a vegetação nativa, com a agricultura ocupando 10,8%, incluindo florestas plantadas. Além de proteger as matas nativas, os agricultores também se destacam na preservação dos recursos hídricos. A Aprosoja MT já mapeou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios do estado e constatou que 95% delas estão preservadas dentro de propriedades rurais. Esse mapeamento foi realizado por meio do projeto Guardião das Águas, que, em parceria com o Instituto Ação Verde, orienta os produtores sobre a preservação e restauração ecológica das nascentes.
Outro assunto importante é a prevenção e o combate a queimadas em áreas rurais. Muitas vezes, os agricultores são apontados como os causadores de incêndios, mas a realidade indica que eles são os mais interessados em evitar o fogo em suas propriedades. A Aprosoja MT tem reforçado esse compromisso por meio da participação em eventos internacionais de gestão de incêndios, como o Forest Fire, e pela distribuição de cartilhas de prevenção e combate a incêndios, elaboradas pela entidade para orientar os produtores.
Para Ballistieri, a preservação ambiental vai além de uma obrigação legal; é uma necessidade para a continuidade da atividade produtiva. Os agricultores estão comprometidos com a proteção das nascentes, conservação do solo e manutenção das áreas de vegetação nativa. “Atualmente, praticamente todas as propriedades estão equipadas para combater incêndios e evitar problemas de erosão que afetam o meio ambiente”, ressalta. Ele acrescenta que, ao perder áreas preservadas, o prejuízo é imediato para o produtor.
Outro ponto de debate frequente diz respeito ao avanço do agronegócio sem considerar o meio ambiente. Contudo, o cenário atual é caracterizado por práticas e investimentos voltados à sustentabilidade e eficiência produtiva. “O produtor mato-grossense e brasileiro é o mais competitivo do mundo, fruto de altos investimentos em tecnologia e modernização”, comenta Fernando Ferri, vice-presidente sul da Aprosoja MT. Ele destaca o uso de maquinário avançado, técnicas agrícolas e o cultivo sustentável como fatores que garantem produtos com mais valor agregado.
A Aprosoja MT reafirma seu comprometimento em incentivar pesquisas que promovam o aumento da produtividade sem a necessidade de desmatamento. Isso inclui melhoramento genético e fitossanitário, além de manejos adaptados a diferentes tipos de solo. Essas pesquisas são aplicadas nos Centros Tecnológicos Parecis e Araguaia, onde são testadas diversas práticas de cultivo de soja e milho.
É essencial entender como o agronegócio se entrelaça ao cotidiano das pessoas. Commodities como soja e milho não se limitam ao consumo direto, mas são parte de uma extensa cadeia produtiva que inclui alimentos, biocombustíveis e inúmeros produtos essenciais. Ferri ilustra a versatilidade desses produtos: “Sabia que há soja até na borracha do pneu do carro? O milho está presente em combustível, alimentos e em diversos outros produtos. Quando falamos que não consumimos soja, muitas vezes esquecemos dos seus derivados. O agronegócio está presente no nosso dia a dia, influenciando até mesmo o vestuário e produtos de beleza.”
Com informações que refletem a realidade do campo, a Aprosoja MT busca promover um debate mais equilibrado, baseado em dados. O foco é ampliar a compreensão sobre um setor que é crucial para a economia e para a segurança alimentar do país.
