PPM Declara Apoio a Pazolini e Avalia Candidaturas ao Senado
O Projeto Político Militar (PPM), grupo que articula associações de militares estaduais, se reuniu na última terça-feira (12) com o pré-candidato a governador Lorenzo Pazolini (Republicanos), ex-prefeito de Vitória, em um encontro que visa as eleições de outubro deste ano. Recentemente, o movimento também dialogou com o senador Marcos do Val (Avante), que buscará reeleição, além do senador Magno Malta e sua filha, Maguinha Malta (ambos do PL), pré-candidata ao Senado.
O apoio a Lorenzo Pazolini parece estar se consolidando. O PPM descreveu a “possível candidatura” de Pazolini como um “momento histórico”, ressaltando a possibilidade de um profissional da segurança pública assumir o governo estadual pela primeira vez. Vale lembrar que Pazolini é delegado da Polícia Civil.
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Além disso, dois membros do PPM se filiaram ao Republicanos, partido de Pazolini. Entre eles, está o presidente da Associação de Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (Aspra-ES), sargento Jackson Eugênio Silote, que se posiciona como pré-candidato a deputado estadual. O tenente Sergio Assis, também pré-candidato, integra a diretoria executiva da Associação dos Bombeiros Militares do Espírito Santo (ABMES).
Entretanto, um dos principais apoiadores de Lorenzo Pazolini é o ex-governador Paulo Hartung (PSD), considerado um adversário significativo pelos militares, especialmente em função dos conflitos originados pela Greve da PM em 2017. O sargento Eugênio, por exemplo, já se manifestou contra Hartung em outras ocasiões. Outras figuras militares, como a diretora social da Aspra, cabo Lorena Nascimento, e a subsecretária das Mulheres de Vila Velha, sargento Rose do Carmo, também se mostraram contrárias a um diálogo com o ex-governador.
O PPM se fortaleceu precisamente após a greve de 2017, buscando aumentar a representação das forças de segurança na política institucional. Apesar de se autodenominar “apartidário”, o movimento manteve diálogos com representantes de diversas vertentes políticas, incluindo o senador Fabiano Contarato (PT), que também é delegado da Polícia Civil. No entanto, existe uma afinidade natural com a agenda da direita e da extrema direita.
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A partir da anistia concedida pelo ex-governador Renato Casagrande (PSB) aos militares que participaram da greve, sancionada em 2019, o PPM estabeleceu laços de simpatia com o governo estadual, embora isso esteja condicionado à satisfação das demandas do movimento.
No ano passado, o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), que está alinhado ao governo, recebeu a adesão do PPM em sua pré-candidatura ao Senado, que não se concretizou. Euclério, que é policial civil aposentado e já tinha um histórico de colaboração com o grupo, também teve o apoio do PPM em sua campanha pela reeleição na prefeitura, prevista para 2024.
Outro ponto que merece destaque é que o PPM já havia apoiado candidatos ligados ao Governo do Estado, mesmo quando havia representantes das forças de segurança disputando. Durante as eleições de 2024, Arnaldinho Borgo (inicialmente no Podemos, agora no PSDB) foi apoiado em sua tentativa de reeleição como prefeito de Vila Velha, enfrentando como principal concorrente o Coronel Ramalho (inicialmente PL, atualmente Republicanos). No mesmo período, o deputado estadual Zé Preto (PP) também recebeu o apoio do PPM para sua candidatura à prefeitura de Guarapari, em uma corrida que contou com a participação do deputado Danilo Bahiense (PL), que é delegado da Polícia Civil.
Contudo, desde o final do ano passado, a relação entre o PPM e o governo estadual começou a se deteriorar, com o grupo expressando descontentamento por não ter seus pedidos de aumento salarial para a tropa atendidos, especialmente em comparação aos benefícios destinados ao topo da corporação. Recentemente, em uma publicação nas redes sociais feita no dia 14 de abril, o movimento criticou “políticos de ocasião” que, segundo eles, não estariam se empenhando o suficiente em prol das pautas da categoria. Essa crítica se direcionou ao deputado federal Da Vitória (PP), aliado do governo, e aos deputados estaduais de oposição, Coronel Weliton (DC) e Capitão Assumção (PL).
É nesse cenário que se aprofundam as articulações entre o PPM e Pazolini. As decisões do grupo a respeito das candidaturas ao Senado poderão depender das interações entre os próprios candidatos. Marcos do Val, que possui uma relação histórica com a pauta da segurança pública e recebeu apoio do PPM em 2018, enfrenta controvérsias que podem afetar sua aceitação no movimento, incluindo críticas de até mesmo eleitores mais alinhados ao bolsonarismo. Quanto a Maguinha Malta, há discussões em andamento entre o Republicanos e o PL sobre a formação de uma frente de direita, embora ainda não exista um acordo definitivo.
