Expectativa e Atraso: A Indicação de Messias
A espera do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para formalizar a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, ao Supremo Tribunal Federal (STF) já se tornou um marco. Com mais de três meses desde o anúncio e a publicação da decisão em diário oficial, o Palácio do Planalto ainda não enviou a mensagem ao Senado, que é o próximo passo necessário para que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), possa dar prosseguimento ao processo. Este atraso inédito reacendeu discussões sobre a dinâmica política entre o Planalto e o Senado e fez com que Messias se tornasse o foco de atenções e especulações.
Nos últimos casos, a formalização da indicação variou de zero a 21 dias, mas no caso de Messias, essa espera já alcança impressionantes 115 dias. Tal cenário se torna ainda mais curioso em um contexto de crescente tensão entre o Planalto e o presidente do Senado, Alcolumbre, que é responsável por conduzir a tramitação das indicações.
Histórico de Indicações e a Relação com o Senado
O presidente Lula havia anunciado no dia 20 de novembro de 2025 a intenção de indicar Messias para ocupar a vaga deixada pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. No entanto, essa formalização crucial depende do envio de uma mensagem ao Senado, que ainda não aconteceu. Em contraste, durante seu mandato atual, Lula enviou a indicação de Cristiano Zanin ao Senado apenas 11 dias após o anúncio, e no caso de Flávio Dino, a oficialização ocorreu no mesmo dia.
Além disso, o maior intervalo até então havia sido o de André Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que levou 21 dias para formalizar sua escolha. Esse novo recorde de espera torna-se um indicativo de que algo pode estar errado na articulação política do governo.
Impactos e Constrangimentos na Articulação Política
Enquanto a formalização não ocorre, senadores notaram que Messias tem sido visto com menos frequência nos corredores do Congresso. Durante o mês de dezembro, o advogado-geral visitou gabinetes para angariar apoio, mas após o início dos trabalhos legislativos deste ano, sua presença se tornou rara. Essa ausência pode ser interpretada como um reflexo do desconforto existente entre o Palácio do Planalto e o Senado.
Aliados de Alcolumbre comentam que essa demora teve um episódio constrangedor no final do ano passado, quando o presidente do Senado anunciou um calendário para a análise da indicação, que ficou estagnada pela falta de envio da mensagem presidencial. Fontes revelam que o governo avaliava a falta de votos necessários para garantir a aprovação do nome de Messias, o que só aumentou a sensação de desorganização política.
Conversa em Busca de Reaproximação
A aprovação da indicação ao STF ocorre através de votação secreta e requer um mínimo de 41 votos favoráveis. Diante desse cenário, a indicação de Messias passou a ser uma questão central nas conversas entre o Planalto e a liderança do Senado. Está em andamento a expectativa de um encontro entre Lula e Alcolumbre, com o objetivo de restabelecer um canal de diálogo mais efetivo e resolver os ruídos políticos que têm marcado os últimos meses.
Nos bastidores, Alcolumbre manifestou sua preferência por Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga no STF, e a escolha de Messias pela administração atual apenas acentuou o desgaste entre o senador e o governo. Desde então, relatos indicam que as interações entre Lula e Alcolumbre se tornaram esporádicas e limitadas a contatos telefônicos.
Expectativas e Contatos Informais
Aliados de Messias asseguram que a mensagem presidencial deve ser encaminhada “nos próximos dias”, embora ele tenha reduzido sua presença no Senado recentemente. Apesar do cenário tenso, os apoiadores de Messias afirmam que ele já conversou com 75 dos 81 senadores desde seu anúncio. Entre os poucos que ainda não foram contatados, há aqueles que condicionam a reunião ao envio da mensagem presidencial, como é o caso da senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), que opta por aguardar a formalização do processo.
Enquanto isso, o advogado-geral tem realizado contatos informais fora do Congresso, participando de jantares e encontros com senadores para discutir sua indicação. Esse movimento busca manter a conexão e a busca por apoio, numa tentativa de minimizar os efeitos da atual turbulência política.
