Quadrilha de São Paulo é presa em Vila Velha
A polícia prendeu um grupo criminoso de São Paulo que, segundo as investigações, invadiu um prédio em Vila Velha e levou cerca de R$ 700 mil em bens. O grupo, considerado altamente organizado, opera em diversos estados e seleciona suas vítimas com base em informações obtidas em fontes da internet, incluindo na deep web.
O delegado Gianno Trindade, da Delegacia Especializada de Segurança Patrimonial (DSP), elucidou a complexidade da operação dos criminosos. “Eles têm acesso a sites que são hospedados até fora do Brasil, na dark web, e esses sites fornecem informações detalhadas, como nome completo, endereço, telefone celular e até dados sobre imóveis e bens das vítimas”, comentou Trindade.
O crime ocorreu em março de 2023. Durante a ação, enquanto dois membros do grupo davam suporte do lado de fora, duas mulheres conseguiram entrar no prédio se passando por familiares de um morador. Elas se aproveitaram de uma falha na segurança da portaria, pois o porteiro não estava presente e a zeladora, sob pressão, permitiu a entrada.
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Fonte: acreverdade.com.br
Após confirmarem que o apartamento estava vazio, as criminosas forçaram a porta e permaneceram no local por um tempo estimado entre 20 e 40 minutos, o suficiente para recolherem diversos objetos de valor e fugir com malas recheadas.
Imagens de câmeras de segurança do condomínio mostram as suspeitas chegando ao prédio e saindo com as malas, que continham R$ 700 mil em dinheiro e joias. O delegado Trindade revelou que a quadrilha faz um estudo minucioso das vítimas. “Eles não vão ao acaso. Pesquisam sobre quem tem renda alta, analisam a rotina e, quando a casa está vazia, arrombam e entram”, detalhou.
Investigação e rastreamento da quadrilha
A fuga da quadrilha foi cuidadosamente planejada para evitar rastreamento. Os criminosos utilizaram carros alugados, pagavam hospedagem em dinheiro e permaneciam apenas uma noite em cada local onde cometiam furtos.
No caso de Vila Velha, a identificação dos suspeitos começou com o rastreamento de um iPod furtado, que levou a polícia até a pousada onde os criminosos estavam hospedados. Com essa informação, os investigadores conseguiram identificar Joel da Silva Santana, apontado como o mentor logístico do grupo, além de Rayssa Carneiro Arruda, Maria Luyza Silva de Oliveira e Carolina Arraes de Lima. Todos tiveram suas prisões preventivas decretadas.
“Com a investigação, conseguimos identificar os quatro envolvidos, solicitar as prisões e reunir provas que os ligam à cena do crime, incluindo imagens e dados extraídos de celulares”, afirmou o delegado.
Conforme dados da Polícia Civil, o grupo faz parte de uma organização criminosa maior, com ramificações em diversos estados do Brasil e vínculos com outros furtos semelhantes. Suspeitas de que os criminosos tenham cometido novos crimes no Espírito Santo também foram mencionadas.
Alertas de segurança e outros crimes em investigação
Além das prisões, a polícia emitiu alertas sobre as falhas de segurança em condomínios, especialmente no que diz respeito ao controle de acesso e à verificação de visitantes, que foram pontos explorados pela quadrilha para entrar nos prédios sem levantar suspeitas. O delegado enfatizou: “Observamos que não há participação direta de funcionários, mas sim falhas no sistema de segurança que eles exploram. A orientação é sempre interfonar, confirmar com o morador e criar protocolos rígidos de acesso”.
Além do furto milionário na Praia da Costa, a Polícia Civil está investigando outros casos relacionados à mesma quadrilha. Há pelo menos dois furtos recentes, registrados em abril, que seguem em apuração e apresentam um padrão similar de atuação, com invasões a imóveis de alto padrão e a subtração de joias e dinheiro. Durante a coletiva, mencionou-se que integrantes do grupo tentaram invadir o imóvel do advogado Fábio Wajngarten, ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, com registros que mostram uma das suspeitas na porta do apartamento, reforçando a estratégia da quadrilha de buscar alvos com alto poder aquisitivo em diversas regiões do País.
