produtores rurais Buscam Alternativas ao Juro Alto
O produtor rural Paulo Cremonesi, de Campo Mourão, no Paraná, aproveitou a edição deste ano do Show Rural Coopavel, uma das mais relevantes feiras do setor agropecuário no Brasil, para realizar a compra de um pulverizador para sua lavoura. “Encontrei na feira uma condição excepcional”, comenta Cremonesi, que trabalha com grãos em parceria com seu pai. Para concretizar a aquisição, a dupla utilizou recursos próprios, destinando 30% do valor da máquina como entrada, enquanto o restante foi financiado diretamente no Banco John Deere. “Com esse prazo, conseguiremos nos organizar financeiramente”, explicou o agricultor.
A escolha do financiamento não foi aleatória. Cremonesi optou por uma linha do BNDES em dólar, que apresenta taxas de juros na faixa de 8% a 8,5%. Esses índices estão consideravelmente abaixo das taxas de dois dígitos que prevalecem em outras linhas de crédito disponíveis no mercado. Além disso, a modalidade oferece um período de carência de 24 meses antes do início dos pagamentos. “O produtor de grãos enfrenta inúmeros desafios, como os altos custos de produção, que pressionam suas margens de lucro”, ressalta. “Nessa estrutura de financiamento, o contrato se tornou mais vantajoso para nós”.
A abordagem adotada por Cremonesi reflete uma tendência crescente entre os produtores rurais que buscam formas de continuar investindo na renovação de maquinário sem que as despesas com juros comprometam suas finanças. Muitos desses agricultores têm optado por abrir mão de parte de suas reservas financeiras para aumentar o valor da entrada nos equipamentos que pretendem adquirir.
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Financiamento e Compras à Vista no Setor Agro
Ainda que muitos reconheçam que o capital próprio tende a ser o mais caro, os produtores com maior capacidade financeira têm aderido à prática de comprar máquinas à vista. “Essa tendência é mais comum em determinadas regiões e culturas”, afirma Kellen Borman, diretora comercial da Massey Ferguson. As compras à vista dos equipamentos da marca têm se concentrado principalmente na região Sudeste do país.
O elevado custo dos financiamentos não apenas restringe o acesso ao crédito, mas também é uma das principais causas do aumento da inadimplência no setor agrícola. Com a crescente quantidade de produtores inadimplentes, os bancos se tornaram ainda mais cautelosos na liberação de recursos. Essa realidade ajuda a entender por que uma parte significativa dos recursos do Plano Safra 2025/26 permanece retida nas instituições financeiras.
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Entre julho de 2025 e março de 2026, as contratações de empréstimos através do Moderfrota, a principal linha de financiamento para máquinas agrícolas, registraram uma queda de 47% em comparação aos nove primeiros meses da temporada anterior, conforme dados do Boletim do Crédito Rural da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura. No ciclo 2025/26, as contratações do Moderfrota totalizam pouco mais de R$ 2 bilhões.
O Mercado Sob a Ótica dos Especialistas
Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, observa que os produtores têm buscado alternativas mais acessíveis para financiamento. De acordo com dados do Banco Central, as vendas de máquinas à vista, por meio de consórcios e negociações diretas com as indústrias, representaram mais de 50% das vendas na safra 2024/25.
Claudio Calaça, diretor de Mercado Brasil da New Holland, destaca que as projeções de safra de grãos recorde para este ano têm elevado a confiança dos agricultores. “No entanto, eles continuam fazendo contas, levando em consideração a rentabilidade e os preços das commodities”, observa. Essa cautela tem feito com que os produtores demorem mais para decidir sobre a compra de novas máquinas.
Nem todos os segmentos do mercado de máquinas agrícolas estão atravessando um momento de incerteza. O Pronaf Mais Alimentos, criado em 2008 e suspenso temporariamente no início dos anos 2020 devido à falta de recursos, foi reativado no Plano Safra 2023/24. Desde sua retomada, o programa tem acelerado as vendas de máquinas a produtores que se enquadram no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Através do Pronaf Mais Alimentos, é possível adquirir equipamentos de até R$ 100 mil com taxas que começam em 2,5%, destinadas a famílias com renda anual de até R$ 150 mil.
