Conflito durante debate na USP
Um debate realizado na Universidade de São Paulo (USP) sobre questões de saúde pública teve desdobramentos inesperados ao terminar em um embate verbal entre a candidata ao governo de São Paulo pelo Partido da Causa Operária (PCO), Izadora Dias, e estudantes presentes. Izadora defendeu a necessidade de delimitar os presídios de acordo com o sexo biológico, argumentando que a presença de mulheres trans em presídios femininos tem resultado em ameaças e violência contra as apenadas. A posicionamento da militante gerou reação imediata dos presentes, que contestaram suas afirmações.
Defesa da separação por sexo biológico
Durante sua fala, Izadora Dias ressaltou relatos de apenadas que afirmam sofrer ameaças e violência sexual devido à presença de mulheres trans em estabelecimentos prisionais femininos. Ela destacou diferenças biológicas, como a capacidade de gestação e amamentação, classificando como “negacionismo” a relativização dessas distinções. O vídeo com suas declarações foi divulgado pelo próprio PCO nas redes sociais, atraindo atenção de outros candidatos ao governo que acompanhavam o evento.
Reação dos estudantes e acusações de transfobia
Uma estudante representante do Centro Acadêmico Emílio Ribas (CAER), responsável pela organização do debate junto à Associação Paulista de Saúde Pública e à Faculdade de Saúde Pública da USP, contestou a fala de Izadora. Ela afirmou que não há diferenças cientificamente comprovadas entre mulheres e homens e advertiu que as declarações da candidata configurariam crime de transfobia, previsto na lei do racismo, que é inafiançável e imprescritível.
Leia também: Segurança Máxima em 138 Presídios: Wellington Lima Combate o Crime Organizado
Fonte: edemossoro.com.br
Leia também: Empreendedorismo feminino impulsiona economia de Maringá com força inédita
Fonte: londrinagora.com.br
Resposta firme da candidata do PCO
Izadora Dias manteve sua posição ao responder às críticas, afirmando que o Partido da Causa Operária não ajusta suas opiniões para agradar a opinião pública. Durante o confronto, foi chamada de transfóbica e questionou a coerência dos opositores ao citar a criminalização da transfobia e compará-la ao apoio à Palestina. Ela também associou o clima político gerado por esses debates à possibilidade de reeleição do governador Tarcísio de Freitas e ao desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro.
Intervenção policial e registro de Boletim de Ocorrência
Segundo relatos, estudantes teriam chamado a polícia para conter a situação, mas as autoridades não compareceram ao local. Em seguida, receberam orientação para registrar um Boletim de Ocorrência sobre o ocorrido, formalizando a tensão vivida durante o evento.
Posicionamento oficial das instituições
O Centro Acadêmico Emílio Ribas divulgou nota criticando a atitude de Izadora Dias por supostamente descontextualizar o debate para autopromoção e condenou a propagação de estereótipos prejudiciais a grupos marginalizados. A USP e a Faculdade de Saúde Pública, em comunicado à imprensa, repudiaram a candidata e reforçaram a importância de garantir a diversidade de opiniões sem necessariamente concordar com todas as manifestações feitas durante as atividades acadêmicas.
Repercussão e análise do PCO
O PCO publicou uma análise sobre o episódio, relacionando-o a outras situações semelhantes em universidades públicas de Brasília e Santa Catarina. O partido criticou o uso da acusação de transfobia como forma de deslegitimar o debate, transformando a oposição em interlocutores ilegítimos e justificando medidas repressivas contra suas posições.
