O Papel da Militância nas Eleições Presidenciais
Ao revisitar os posts que escrevi durante a intensa campanha eleitoral de 2022, recordo-me da disputa acirrada entre o então presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Naquela ocasião, a frase que mais utilizei foi: “as eleições serão decididas nos detalhes”. Agora, com a proximidade das eleições de 2024, essa afirmação parece ainda mais relevante.
No segundo turno daquela eleição, Lula conquistou 50,9% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro obteve 49,1%, resultando em uma diferença de apenas 2,13 milhões de votos. Essa margem, muitas vezes considerada pequena, se torna ainda mais significativa em um cenário onde mais de 156 milhões de eleitores estavam habilitados a votar.
Agora, na corrida atual, Lula busca a reeleição enfrentando Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, que se encontra preso por envolvimento em um esquema de golpe de estado. As pesquisas de intenção de votos indicam um empate técnico entre os dois candidatos. Se essa situação se mantiver, a atuação da militância política será crucial para persuadir os eleitores indecisos a optarem por seus candidatos.
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A História da Militância Política no Brasil
A militância política, que alcançou seu auge nos anos 80, perdeu força com a ascensão da internet e a popularização dos smartphones. No início da minha carreira como repórter, em 1979, os militantes eram figuras conhecidas nas comunidades, realizando campanhas porta a porta para engajar os eleitores de maneira personalizada.
O cenário das eleições na época era muito diferente do atual. A memória do golpe de 1964, que resultou em um regime militar que extinguiu o voto direto para cargos executivos em áreas consideradas de segurança nacional, ainda era recente. A redemocratização, que se consolidou em 1989, trouxe consigo um novo entendimento sobre a importância da participação popular e da militância para a construção da democracia.
Durante a transição, a militância desempenhou um papel fundamental. Para muitos jornalistas da minha geração, como eu, a cobertura das eleições nas diversas regiões do Brasil envolvia intenso diálogo com esses militantes, que eram essenciais para entender a dinâmica eleitoral local.
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A Transformação da Militância com a Tecnologia
Com o advento das novas tecnologias de comunicação e a melhoria da infraestrutura, o trabalho dos repórteres se tornou mais ágil. No entanto, isso não diminuiu a importância dos militantes. Na verdade, a tecnologia proporcionou ferramentas que potencializaram suas atividades.
Certa vez, Lula e a direção nacional do PT decidiram apostar em Edegar Pretto (PT) como candidato a vice-governador no Rio Grande do Sul, na chapa liderada por Juliana Brizola (PDT). Essa estratégia visa reavivar a memória dos eleitores sobre a importância da soberania nacional, um dos pilares da campanha de Lula, resgatando a figura histórica do ex-governador Leonel Brizola.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro busca se alinhar à administração de Donald Trump, promovendo uma narrativa que deslegitima o julgamento do STF que condenou seu pai. Ele confia que a mobilização dos militantes bolsonaristas será capaz de transmitir essa versão da história ao eleitorado.
Conclusão: O Futuro das Eleições no Brasil
No cenário atual, onde a disputa entre Lula e Flávio está em um empate técnico, a tática e o empenho da militância política podem ser determinantes. Portanto, como mencionei anteriormente, será um “punhadinho de eleitores” que decidirá quem será o próximo presidente do Brasil. Independentemente do resultado, o papel da militância continuará a ser essencial na construção de um país mais democrático.
