Fusão estratégica que fortalece o mercado de terras raras
Ricardo Grossi, presidente da mineradora Serra Verde no Brasil, destacou que a recente fusão com a americana USA Rare Earth marca um avanço decisivo para a empresa na ampliação do acesso a tecnologias, fontes de financiamento e novas alternativas comerciais. O anúncio foi feito durante o Seminário Internacional de Minerais Críticos e Estratégicos, promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
Grossi explica que a Serra Verde atua em um mercado ainda em formação, caracterizado por uma cadeia técnica complexa que demanda tempo para consolidar seu potencial. A mineradora, que opera em Goiás, foca na produção de carbonato misto de terras raras, elementos essenciais para setores como a transição energética, defesa, eletrônicos e tecnologias avançadas.
Financiamento e tecnologia como pilares da expansão
Para avançar no projeto, a Serra Verde precisou explorar novas formas de financiamento. Entre os recursos obtidos está o aporte do Development Finance Corporation (DFC), banco de desenvolvimento dos Estados Unidos. Além disso, a fusão com a USA Rare Earth integra uma estratégia para ampliar o acesso a tecnologias e diversificar as opções comerciais da companhia.
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“Estamos criando um mercado novo, um processo novo, é preciso ter paciência. Precisávamos de funding, obtivemos apoio do DFC, precisávamos de tecnologia e opções de mercado, por isso realizamos a fusão”, afirmou Grossi. Com essa união, a Serra Verde passa a integrar uma cadeia verticalizada, que vai desde a extração até a fabricação de ímãs permanentes.
Impactos da fusão e próximos passos
A USA Rare Earth tem o objetivo claro de consolidar uma cadeia integrada de terras raras, abrangendo mineração, processamento e produção de ímãs usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos e equipamentos de defesa. Segundo Grossi, essa operação traz maior previsibilidade financeira para a Serra Verde, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de paciência por parte de investidores, governo e empresas diante da complexidade do setor.
O acordo, anunciado em abril, avaliou a Serra Verde em aproximadamente US$ 2,8 bilhões e inclui pagamento em dinheiro, ações da USA Rare Earth e um contrato de fornecimento de 15 anos com preço mínimo garantido para terras raras magnéticas. Essa estrutura busca garantir receita estável e reduzir a exposição da mineradora à volatilidade típica de um mercado ainda pouco líquido e técnico.
Entretanto, a fusão está sob análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A Superintendência-Geral do órgão instaurou um procedimento preliminar para avaliar se a aquisição e os contratos associados deveriam ter sido submetidos para aprovação antitruste.
Em paralelo, a USA Rare Earth firmou um pacote de financiamento de até US$ 1,6 bilhão com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, que inclui participação acionária do governo americano na empresa. Essa movimentação reforça o interesse estratégico dos EUA em fortalecer a cadeia de terras raras fora da China, garantindo maior autonomia e segurança para setores industriais críticos.
