Dados Preocupantes de Acidentes de Trânsito
Maio é o mês da campanha “Maio Amarelo”, um movimento global que visa alertar a população sobre o elevado número de mortes e feridos no trânsito. Nesse contexto, a Secretaria da Saúde do Espírito Santo (Sesa) fez um alerta importante: no último ano, houve um expressivo aumento nas internações no Sistema Único de Saúde (SUS) capixaba. O cenário indica a urgência de intensificar as ações da campanha.
Conforme dados da Vigilância de Acidentes de Transporte Terrestre, integrada ao Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica (NEVE), entre 2024 e 2025, o Espírito Santo registrou um total de 15.711 internações devido a Acidentes de Transporte Terrestres (ATT) – um salto de 12,1%, passando de 7.407 para 8.304 internações. Esses números provêm do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS).
Embora os motociclistas sejam a maior parte desse número, com 65,8% das internações, a atenção agora se volta para o crescimento nas internações de Ciclistas e pedestres. Em 2024, contabilizavam-se 1.239 internações de pedestres, número que subiu para 1.777 em 2025, representando um alarmante aumento de 43,4%. Para os ciclistas, o cenário é igualmente preocupante, com internações saltando de 373 para 565, ou seja, um aumento de 51,5%.
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Atendimento de Emergência: O Retrato da Realidade
Um dos hospitais que se destaca no atendimento de Urgência e Emergência é o Hospital Antonio Bezerra de Faria (HABF), localizado em Vila Velha. Segundo o médico Igor Vasconcelos, coordenador de Ortopedia da unidade, os acidentes envolvendo ciclistas, especialmente com bicicletas elétricas, tornaram-se comuns. “A taxa de atendimento cresce a cada dia, acompanhando a popularização deste meio de transporte. Contudo, a maior parte dos atendimentos ainda se refere a motociclistas”, afirmou.
Na unidade, anualmente, realiza-se cerca de 47 mil atendimentos, dos quais 65% a 70% são relacionados à ortopedia. Muitos desses atendimentos resultam de traumas decorrentes de acidentes de trânsito. Igor Vasconcelos salienta a necessidade de um trabalho de conscientização em relação à segurança no trânsito para reduzir o número de acidentes e, consequentemente, preservar vidas.
“Os acidentes de trânsito podem gerar consequências sérias e prolongadas para as vítimas. Entre as principais consequências, estão a possibilidade de incapacidades parciais ou até mesmo permanentes, afastamento do trabalho e limitações na mobilidade. Isso, sem contar os impactos psicológicos que afetam não apenas os feridos, mas também seus familiares e amigos”, comentou o médico.
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Análise dos Dados Epidemiológicos
Os dados da Vigilância de Acidentes de Transporte Terrestre também revelam uma desigualdade de gênero preocupante, com 77% das vítimas sendo homens, totalizando 12.136 entre 2024 e 2025. A faixa etária mais afetada é a de adultos jovens e de meia-idade, entre 20 e 49 anos. Entre os motociclistas, a concentração é maior na faixa de 20 a 39 anos, enquanto os pedestres, notadamente os idosos a partir de 60 anos, estão mais suscetíveis a lesões graves e óbitos. Já os ciclistas apresentam uma distribuição mais ampla, com maior incidência também entre os jovens adultos.
É importante ressaltar que nem todos os atendimentos de acidentes de transporte são contabilizados como ATT devido a erros de classificação nos registros. A coordenadora da Vigilância do Acidente de Transporte Terrestre, Andrêssa Borel Encarnação, destacou a necessidade de uma melhor qualificação desses dados, essencial para o planejamento de ações preventivas e políticas públicas eficazes.
Entre 2024 e 2025, foram registrados 2.007 óbitos relacionados a ATT, com a maioria das vítimas sendo motociclistas (49,6%), seguidos por passageiros de veículos (26,2%) e pedestres (13,5%). Os ciclistas representam 4,4% dos óbitos registrados.
Reforçando a Campanha Maio Amarelo
A coordenadora também enfatizou a importância da campanha Maio Amarelo para reverter essa triste realidade. Este ano, o lema é “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, um chamado à sociedade para refletir sobre a humanização na mobilidade. “É essencial desacelerar e reconhecer todos que compartilham a via, assumindo a responsabilidade pela segurança de todos. A empatia no trânsito pode salvar vidas”, finalizou Andrêssa Borel Encarnação.
