Disputa acirrada pelo governo do Espírito Santo
Lorenzo Pazolini (Republicanos) terminou o primeiro turno da eleição para o governo do Espírito Santo na liderança, com 49,65% dos votos válidos, e vai enfrentar no segundo turno o atual governador Ricardo Ferraço (MDB), que obteve 34,07%. Os números foram divulgados com 99,62% das urnas apuradas, confirmando uma disputa polarizada entre os dois candidatos.
Na última pesquisa Quaest antes da votação, divulgada em 25 de setembro, Ferraço liderava com 33% das intenções de voto, seguido por Pazolini com 31%. Ambos já se destacavam isolados dos demais concorrentes, sinalizando o embate que se confirmaria nas urnas.
Contexto político e estratégias dos candidatos
Ferraço (MDB) representa a continuidade do grupo político que governa o Espírito Santo desde 2019. Ele assumiu o Palácio Anchieta neste ano após a saída de Renato Casagrande (PSB), que deixou o governo para disputar o Senado. A candidatura de Ferraço reúne a base governista e busca se apresentar como o sucessor de uma gestão avaliada de forma positiva, apostando na estabilidade administrativa para captar votos.
No cenário nacional, Ferraço evita se vincular diretamente tanto a Lula quanto a Flávio Bolsonaro, embora adversários tentem associá-lo ao campo lulista devido à proximidade de Casagrande com setores da centro-esquerda. Essa postura sinaliza uma tentativa de manter um espaço de moderação e autonomia diante da polarização nacional.
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Já Lorenzo Pazolini se posiciona como alternativa ao grupo que está no poder, adotando um discurso de renovação e mudança política. Ex-prefeito de Vitória, ele consolidou sua candidatura ao se aproximar do eleitorado de direita, com gestos políticos em direção a Flávio Bolsonaro, garantindo apoio entre os conservadores capixabas.
Desdobramentos da campanha e impactos institucionais
A campanha foi marcada por três episódios determinantes. Primeiro, a saída de Casagrande do governo para disputar o Senado, o que levou Ferraço, então vice, a assumir o cargo e ganhar visibilidade institucional. Em seguida, a consolidação de Pazolini como principal nome da oposição, após a reorganização das alianças da direita para evitar dispersão de votos. Por fim, a definição dos palanques nacionais, que reforçou a associação de Pazolini ao bolsonarismo e a tentativa de Ferraço de preservar um espaço mais moderado.
Pesquisas indicam que o governo de Renato Casagrande entrou no processo eleitoral com alta aprovação, com 77% de avaliação positiva, o que Ferraço buscou aproveitar para transferir votos ao seu favor, reforçando a ideia de continuidade e estabilidade no estado.
Projeções para o segundo turno
Com a confirmação do segundo turno, a expectativa é que os palanques políticos se reorganizem. Ferraço deve buscar o apoio de partidos e lideranças mais à esquerda, especialmente ligados ao campo petista, ainda que parte desse suporte possa ser crítico ou informal.
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Pazolini, por sua vez, tende a herdar o eleitorado de direita e bolsonarista, além de buscar alianças com legendas de centro-direita que ainda não estejam completamente alinhadas com sua candidatura. Dessa forma, o segundo turno deve se configurar como um confronto entre a continuidade administrativa com perfil de centro, representada por Ferraço, e a proposta de mudança ancorada na direita, encabeçada por Pazolini.
Perfil dos candidatos
Ricardo Ferraço, do MDB, tem 63 anos e nasceu em Cachoeiro de Itapemirim. Sua trajetória política inclui mandatos como deputado estadual, deputado federal, senador e vice-governador. Assumiu o governo do Espírito Santo em 2026 após a renúncia de Casagrande.
Entre 2003 e 2006, Ferraço foi Secretário de Estado da Agricultura no governo Paulo Hartung e, em 2007, atuou como vice-governador, acumulando a pasta de Transportes e Obras. Filho do político Theodorico Ferraço, é reconhecido por seu perfil negociador e forte inserção institucional, alinhado à centro-direita. Esta é sua primeira disputa para o cargo de governador, representando a tentativa de reeleição indireta do grupo governista.
Lorenzo Pazolini, do Republicanos, tem 44 anos e é ex-delegado de polícia. Nascido em Vitória, foi deputado estadual antes de assumir a Prefeitura da capital, onde cumpriu dois mandatos. Com discurso de renovação administrativa e forte identificação com o eleitorado conservador, tornou-se o principal nome da oposição ao grupo de Casagrande e Ferraço, consolidando-se como a aposta da direita no Espírito Santo.
