Cultura e Educação em Foco
Nesta terça-feira, 14 de abril, sessenta garis da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) de Belo Horizonte participaram de uma visita guiada à exposição “Renoir” na Casa Fiat de Cultura. Esta foi a segunda turma de garis a conhecer a mostra, e uma terceira visita está programada para este mês. Dos 60 profissionais presentes, 40 são participantes do projeto “Viver e Prosperar”, da SLU, que visa facilitar o acesso à Educação de Jovens e Adultos (EJA) para seus servidores. A visita, realizada a convite do centro cultural, também faz parte das iniciativas desse projeto.
A exposição comemora os 20 anos da Casa Fiat de Cultura e apresenta 11 pinturas e uma escultura de Pierre-Auguste Renoir (1841–1919), renomado artista do impressionismo francês. Ana Vilela, gestora de cultura da Casa Fiat, destacou a raridade dessas obras: “Essas pinturas têm cerca de 200 anos e nunca saíram de São Paulo, permanecendo na reserva técnica do MASP. Poucas são as oportunidades para o público apreciar a arte de Renoir”.
Interpretação da Arte e Inclusão
A visita foi conduzida por Bárbara Lempp, museóloga e historiadora da arte, que é responsável pela acessibilidade, inclusão e diversidade na Casa Fiat de Cultura. Ela descreve seu trabalho como uma “tradução” das obras para o público. “Receber o maior número de pessoas possível é uma grande honra. A arte é nossa, é do público. Para mim, o maior prazer é dividir as histórias por trás das obras que apresento”, afirmou Bárbara.
Ao longo da visita, os participantes puderam fazer perguntas e se envolver ativamente. “Um dos questionamentos que surgiu foi sobre a ausência de pessoas negras nas obras. Para mim, é gratificante explicar o contexto histórico por trás disso, que vai muito além da pintura”, contou Bárbara.
Momentos de Descoberta
Depois da introdução, os garis puderam explorar a exposição, tirando fotos e registrando o momento. Maria Adelaide Caldeira, de 59 anos, expressou sua empolgação: “Nunca estive aqui antes e estou achando muito importante. Essas obras que vejo agora eram aquelas que conhecíamos apenas nos livros, mas nunca tivemos a chance de valorizar”. Com 30 anos de serviço na SLU, ela se mostrou entusiasmada em compartilhar a experiência com suas filhas.
Raimundo Coelho, de 68 anos, que trabalha na SLU há 47, também ficou impressionado com a visita: “Nunca tive a chance de conhecer um lugar tão maravilhoso. Muitas vezes, não sabemos como visitar esses locais”, disse ele.
Cultura Acessível a Todos
Para muitos dos garis, a visita à Casa Fiat representou uma primeira oportunidade de conhecer um espaço cultural que disponibiliza exposições de arte gratuitas, situado próximo à Praça da Liberdade, no Bairro Funcionários, na Região Centro-Sul de BH. “Espero que eles se sintam em casa e que voltem com a família e amigos, pois a casa é da sociedade e para todos”, ressaltou a gestora de cultura da Casa Fiat.
Regina Rocha, de 62 anos e servidora da SLU há 40, revelou sua intenção de retornar com seus filhos. “Fiquei surpresa. Eu nem sabia que existia este lugar e planejo trazer minha família para que eles também possam conhecer”, contou emocionada.
Educação e Oportunidade na SLU
A visita à exposição faz parte do projeto “Viver e Prosperar”, que foi lançado em outubro do ano passado e busca facilitar o acesso à EJA para os servidores da SLU. Dos 60 garis que visitaram a exposição de Renoir, 40 são alunos da EJA, e alguns deles já estavam estudando a história de Renoir em aula antes da visita, como forma de prepará-los.
Este projeto proporciona acesso à educação, com turmas da EJA funcionando nas gerências regionais de limpeza urbana, onde os trabalhadores estudam durante três horas, de segunda a quinta-feira, dentro do horário de trabalho. “Após um dia cansativo, é desafiador para eles chegarem a tempo na escola. Por isso, buscamos trazer a educação para o trabalho”, explicou Amanda de Jesus Souza, gestora do Comitê de Gestão Estratégica da SLU-BH.
Superando Desafios
Maria Adelaide compartilhou as dificuldades que enfrentou para retomar os estudos em outras ocasiões, mas agora se sente motivada: “Sempre quis entrar na EJA, mas o cansaço costumava me impedir. Agora, com a oportunidade que a SLU oferece, estou conseguindo”. Regina também expressou sua felicidade em voltar a estudar, destacando o desejo de aprender: “Parei na quarta série e agora retomei. Gosto muito de português, ciências e redação, embora a matemática ainda seja um desafio”.
Raimundo, por sua vez, valorizou a chance de estudar novamente: “O conhecimento é valioso. Com as oportunidades que estamos tendo, não podemos deixá-las passar. Muitas pessoas do interior enfrentam desafios para estudar na cidade grande devido ao trabalho, mas agora estamos abraçando essa chance com dedicação”.
Atualmente, existem quatro turmas em funcionamento, e segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, mais duas turmas serão abertas ainda este ano, uma na Gerência Regional de Limpeza Urbana (GELU) Oeste e outra na Pampulha.
