Ações Marcam um Novo Capítulo na Valorização do Patrimônio Cultural da Bahia
No final da tarde de sexta-feira, 16, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, esteve em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, para cumprir agendas institucionais que simbolizam um passo significativo na preservação do patrimônio cultural da Bahia. A programação focou em dois momentos importantes: a entrega da placa que reconhece o Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê como Patrimônio Cultural do Brasil e a assinatura da ordem de serviço para obras emergenciais na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios.
Cachoeira é reconhecida por sua importância na luta pela Independência do Brasil e carinhosamente chamada de Cidade Heroica. A cidade abriga um dos mais relevantes conjuntos históricos do Brasil, além de expressões culturais que estão profundamente entrelaçadas com as matrizes africanas e a religiosidade popular.
A primeira parte da programação ocorreu no Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê, um espaço religioso com quase cem anos de história, situado na Terra Vermelha. O terreiro foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em fevereiro de 2024, sendo inscrito no Livro do Tombo Histórico, Etnográfico e Paisagístico por unanimidade, em reconhecimento ao seu valor cultural, histórico e ambiental.
Durante a cerimônia, a ministra Margareth Menezes enfatizou a importância deste reconhecimento como um ato de reparação histórica. “Esse momento representa a retomada de um olhar de justiça e repara. O reconhecimento deste espaço é uma valorização da contribuição dos terreiros e da cultura afro-brasileira para a formação do nosso país”, declarou.
A ministra também lembrou que é dever do Estado garantir os direitos culturais e combater o racismo estrutural. “Estamos aqui cumprindo o papel do Estado em um país democrático. O reconhecimento fortalece a comunidade de Cachoeira e todo o Recôncavo baiano, promovendo uma nova direção em que os direitos culturais são garantidos”, completou.
Hermano Fabrício Oliveira Guanais, superintendente do Iphan na Bahia, acrescentou que o tombamento do terreiro representa um compromisso firme do Estado com a proteção de suas práticas e celebrações culturais. “O tombamento não é um simples título, mas a garantia de que o patrimônio cultural e suas expressões serão preservados”, afirmou.
Eliana Gonzaga, prefeita de Cachoeira, também se manifestou sobre o reconhecimento, destacando seu caráter histórico e a necessidade de respeito entre diferentes crenças religiosas. “É uma grande honra participar desse momento tão esperado. Como evangélica, compartilho meu respeito a todas as crenças, pois a verdadeira religião é o amor”, disse.
Pai Duda de Candola, responsável pelo terreiro, recordou os tempos difíceis de violência e ameaças que a comunidade enfrentou. Para ele, o tombamento é um símbolo de paz. “Esse processo trouxe paz não só para o terreiro, mas para toda Cachoeira. Lutamos não apenas pelo nosso espaço, mas pela cultura de matriz africana”, destacou.
O compromisso da segurança pública com a proteção da comunidade também foi reforçado pelo major Vitor Maciel, que se dispôs a apoiar a comunidade em sua totalidade. “Estamos aqui para garantir os direitos fundamentais à vida, cultura e religião”, declarou.
Na cerimônia, estavam presentes figuras importantes como a deputada estadual Fabíola Mansur e a vice-prefeita Cristina Soares, além de outros representantes do poder público e da cultura.
O Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê, fundado em 1916 por Mãe Judith, se consolidou como um símbolo de resistência à intolerância religiosa na cidade. Reconhecido como Patrimônio Imaterial da Bahia em 2014, é parte de uma região rica em história e tradição.
A programação seguiu com a assinatura da ordem de serviço para as obras na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, que receberá um investimento de aproximadamente R$ 776 mil. O templo, que faz parte do conjunto urbano tombado pelo Iphan desde 1971, estava em estado crítico de degradação.
As obras incluem a descupinização, a substituição de telhas, a restauração de esquadrias e a estabilização estrutural do edifício, tudo visando garantir a conservação e a proteção do patrimônio religioso.
Margareth Menezes, durante a cerimônia, reforçou a relevância do patrimônio religioso como parte da identidade nacional. “Cachoeira, Salvador e Bahia têm muito mais valor do que o simples patrimônio arquitetônico. Preservar esses espaços é preservar a nossa história e identidade”, afirmou.
A prefeita Eliana Gonzaga destacou a importância do diálogo com o Governo Federal e os impactos positivos das políticas culturais na cidade. “Cachoeira tem sido beneficiada por um compromisso com o povo”, concluiu.
Naiara Jambeiro, guardiã da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, celebrou o início das obras como um sonho coletivo que se torna realidade. “Esse dia marca o início de um sonho que valeu a pena. A luta foi longa, mas hoje é um marco”, disse.
Por fim, Hermano Guanais reiterou que a preservação é uma responsabilidade compartilhada entre o Estado e a comunidade. “Igreja preservada é igreja viva, cheia de memórias e celebrações coletivas”, finalizou.
