Retorno do Teatro Vila Velha com musical sobre Nilda Spencer
O Teatro Vila Velha em Salvador retoma suas atividades com a segunda temporada do musical “Nilda: Uma Mulher Retada”, que estará em cartaz de 9 de outubro a 8 de novembro. Esta será a primeira produção a ocupar o palco após a recente reforma do espaço, um dos mais tradicionais da cena cultural baiana. As apresentações acontecem às sextas, sábados e domingos, sempre às 19h.
Ingressos e patrocínio
Os ingressos estão disponíveis por R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada) e podem ser adquiridos pela plataforma Sympla ou diretamente na bilheteria do teatro. O espetáculo conta com patrocínio da Prefeitura Municipal de Salvador e o apoio do Banco do Brasil.
Enredo e equipe artística
Dirigido por Marcio Meirelles, com texto assinado por Marcos Uzel, o musical retrata a vida e obra de Nilda Spencer, atriz e diretora que se tornou uma referência no teatro baiano. Andrea Elia interpreta Nilda, cuja trajetória atravessou diferentes fases da cultura brasileira, influenciando e transformando o cenário teatral local.
O elenco ainda conta com Barbara Borgga, Caio Rodrigo, Cristiane Mendonça, Igor Epifânio, Lucas Valadares, Israel Barretto, Tato Seixas e Pandora. A trilha sonora ao vivo é interpretada pelos instrumentistas Felipe Pires e Gabriel Caldas. A equipe artística inclui assistência de direção de Hyago Matos, direção musical de Ray Gouveia e direção de movimento de Roberto Montenegro, com produção da Via Press Comunicação.
Inovação na encenação e inclusão
Marcio Meirelles classifica a montagem como um musical de câmara, combinando dramaturgia e música com uma estrutura modesta, mas impactante. Um diferencial da peça é a integração da Língua Brasileira de Sinais (Libras) na narrativa, não apenas como tradução, mas como parte essencial da encenação. O diretor ressalta que essa abordagem busca novas formas de inclusão, fazendo da linguagem de sinais um elemento vivo dentro da peça.
Pesquisa e origem do espetáculo
O musical surgiu a partir de uma pesquisa conduzida por Marcos Uzel, jornalista e crítico teatral. Em 2016, Uzel defendeu uma tese de doutorado sobre Nilda Spencer, inicialmente como homenagem aos pioneiros do teatro baiano. Em 2021, lançou a biografia “Nilda: a dama e o tempo”, que em 2026 foi adaptada para o teatro, marcando sua estreia na dramaturgia. O texto mistura dados documentais com elementos ficcionais para compor a narrativa.
Relevância cultural e memória
Para Uzel, levar a história de Nilda para o palco é fundamental para preservar sua memória e evidenciar sua importância para a cultura baiana. “Colocar Nilda em cena mantém viva a lembrança dessa mulher que se tornou ícone e patrimônio imaterial da cultura local”, destaca o autor.
Temas abordados no musical
A peça também reflete sobre a liberdade feminina e as transformações sociais na Bahia. Nilda Spencer rompeu tabus e equilibrava diferentes papéis, da maternidade à atuação artística, enfrentando as expectativas de sua época. Andrea Elia observa que a trajetória da personagem revela mudanças culturais mais amplas, mostrando uma mulher dedicada ao teatro e à cultura com paixão e perseverança.
A narrativa percorre diferentes momentos históricos e apresenta uma Salvador onde Nilda vivia livremente, desfrutando da vida noturna. Isso provoca reflexões sobre a liberdade atual, como destaca a atriz: “Hoje, não podemos mais saborear a madrugada como ela fazia, e isso gera um senso de urgência pela liberdade.”
Simbolismo e impacto social
O espetáculo extrapola o direito de circulação urbana para discutir autonomia, felicidade e igualdade de gênero. Marcos Uzel enfatiza que Nilda desafiou os moralismos da sociedade baiana, tornando-se símbolo de liberdade feminina mesmo sem buscar militância.
Legado para o teatro baiano
A trajetória de Nilda também está ligada à profissionalização do teatro na Bahia, que passou do amadorismo para o desenvolvimento técnico e artístico. Marcio Meirelles destaca que Nilda foi a primeira mulher a dirigir a Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e participou de diversos movimentos cinematográficos, incluindo o underground e o comercial. A peça explora ainda os desafios enfrentados pela artista em meio à ditadura militar.
Reflexão para o público
Ao reunir essas histórias, o musical mostra uma mulher que fez escolhas independentes diante das mudanças políticas e culturais do país. Andrea Elia acredita que a experiência no teatro deve inspirar o público a viver com mais intensidade e autenticidade.
Sinopse de “Nilda: Uma Mulher Retada”
Na Salvador dos anos 1930, Nilda sonha em ser estrela de Hollywood. Ao crescer, recebe um convite inesperado para conhecer Martim Gonçalves, que fundaria a escola de teatro na Universidade da Bahia. Essa oportunidade transforma sua vida: de socialite tradicional, mãe e esposa, ela se impõe contra o machismo e abraça a carreira artística.
Ao escolher o teatro, Nilda valoriza a alegria de viver, frequenta a boemia soteropolitana e se torna figura icônica da cultura local. Enfrenta conflitos e dificuldades na vida artística e acadêmica durante o regime militar, até alcançar a velhice atuando nos palcos e mantendo a paixão pela arte.
