Movimentação financeira recorde nas apostas no ES
O Espírito Santo registrou um volume impressionante de apostas em junho de 2026, alcançando 7,34 milhões de registros e movimentando R$ 397,7 milhões. O crescimento é notável desde janeiro de 2025, quando o número de apostas aumentou 47,5% e o valor financeiro avançou 48,5% em dezoito meses, segundo o levantamento “Bets, consumo e saúde mental” do Connect Fecomércio-ES.
André Spalenza, coordenador de pesquisas e do Observatório do Comércio da Fecomércio-ES, destacou a dimensão desses números para a economia local. Ele comparou a movimentação financeira das apostas a outros investimentos públicos, citando o orçamento de R$ 166 milhões destinado pelo governo do Estado para Ciência, Tecnologia e Inovação em 2026. “Quase R$ 400 milhões foram apostados em apenas um mês, o que mostra a grandeza desse mercado no Estado”, afirmou.
Perfil dos apostadores e impacto no consumo familiar
O estudo estima que cerca de 380 mil capixabas participaram das apostas no período, com um gasto médio de R$ 212,31. Destaca-se que aproximadamente 70 mil apostadores podem ter desembolsado R$ 500 ou mais. O levantamento ainda aponta diferenças significativas nos padrões de aposta conforme renda, escolaridade e situação profissional.
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Entre as famílias com renda de até dois salários mínimos, cerca de 186,9 mil pessoas apostaram, sendo que 59% desse grupo investiram R$ 100 ou mais, e cerca de 31 mil comprometeram mais de 15% da renda familiar com apostas. André Spalenza enfatizou o impacto potencial desse comportamento no orçamento doméstico. “Quando famílias com baixa renda destinam parte significativa de seus recursos para apostas, isso pode afetar o consumo básico, incluindo alimentação, comércio local e serviços essenciais”, explicou.
Concentração geográfica e consequências para a saúde pública
A Grande Vitória concentrou 54% das apostas feitas em junho, totalizando cerca de 3,95 milhões de registros. O município da Serra respondeu por 16,7% das apostas, seguido por Vila Velha (14,5%), Vitória (13,3%) e Cariacica (9,3%). Fora da região metropolitana, Linhares, Guarapari e Cachoeiro de Itapemirim lideraram os volumes de apostas.
Além dos impactos econômicos, o estudo revelou reflexos na saúde pública do Espírito Santo. Entre janeiro e julho, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 564 atendimentos relacionados a problemas com apostas, envolvendo 247 pessoas que buscaram ajuda de forma recorrente. A maioria dos atendidos (72,9%) eram homens, com concentração na faixa etária entre 25 e 34 anos (38%).
Spalenza reforçou que o tema vai além do consumo e da economia, atingindo diretamente a saúde pública. “Os números mostram que o fenômeno das apostas tem repercussões que extrapolam o mercado, trazendo desafios para o sistema de saúde capixaba”, concluiu.
