A força crescente da soja no Norte do Espírito Santo
O Norte do Espírito Santo tem um novo protagonista no agronegócio local: a soja. Tradicionalmente dominada pelo cultivo de café conilon, mamão, pimenta-do-reino e feijão, a região começa a se transformar com a expansão dessa cultura, que apesar de ainda representar uma fração da agricultura capixaba, mostra um potencial de crescimento significativo. A soja surge como uma alternativa para produtores que buscam diversificação, maior rentabilidade e sustentabilidade econômica.
O governo do Estado já reconhece a soja como uma das novas fronteiras agrícolas do Espírito Santo, destacando sua capacidade de ampliar a renda nas propriedades rurais e diversificar a matriz produtiva estadual. Esse cenário tem atraído investimentos importantes, como o da AgroSanders, empresa que não só aposta na produção como também na industrialização do grão.
Investimento em industrialização para agregar valor local
Desde 1983, a AgroSanders vem construindo uma trajetória pautada em inovação, tecnologia e visão de longo prazo. Em mais de quatro décadas, ampliou suas operações agrícolas e direcionou esforços para agregar valor à produção dentro da própria fazenda, reduzindo a dependência da venda de commodities. O resultado é uma moderna unidade de processamento de soja na Fazenda AgroSanders, em Pinheiros, que será inaugurada em novembro.
Essa fábrica, pioneira no Espírito Santo, terá capacidade para processar cerca de 1,2 tonelada de soja por hora, o que equivale a quase 30 toneladas diárias. O grão será transformado em farelo de soja de alto valor nutricional para alimentação animal e óleo vegetal degomado, etapa inicial do óleo de soja usado na agricultura. Esse movimento permite que parte da riqueza gerada pela soja permaneça no estado, fomentando a economia regional e gerando empregos.
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Impactos econômicos e ambientais na região
A estratégia da AgroSanders vai além da produção em si. A empresa investe em tecnologia, mecanização e agricultura de precisão para aumentar a produtividade nas áreas já cultivadas, otimizando o uso de insumos e recursos naturais sem a necessidade de expansão das áreas plantadas. Essa abordagem sustentável reforça a competitividade da soja capixaba.
O crescimento do agronegócio tem efeito multiplicador na região. O desenvolvimento da cultura movimenta setores como transporte, serviços, comércio e fornecedores de insumos, gerando empregos e aumentando a arrecadação municipal, o que fortalece a economia de cidades como Pinheiros e municípios vizinhos.
Soja como insumo estratégico para a pecuária capixaba
O farelo de soja é ingrediente fundamental para a alimentação de aves, suínos, bovinos de leite e corte, além de peixes. Atualmente, a maior parte do farelo consumido no Espírito Santo é importada de outras regiões. Produzir esse insumo localmente reduz custos logísticos, amplia a disponibilidade e fortalece toda a cadeia de pecuária no estado.
Além disso, a produção anual de cerca de 160 toneladas de óleo vegetal degomado atenderá produtores rurais que buscam qualidade e regularidade no fornecimento, contribuindo para a sustentabilidade econômica do setor agrícola e pecuário.
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Expansão da soja impulsionada por condições favoráveis
O avanço da irrigação, a disponibilidade de áreas mecanizáveis e a crescente demanda por proteína vegetal têm consolidado a soja como uma cultura estratégica no Norte do Espírito Santo. Municípios como Pinheiros, Montanha, Mucurici, Ponto Belo, Pedro Canário e São Mateus despontam como pontos de maior potencial para essa expansão.
Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, o cultivo da soja é fundamental não só pela produção do grão, mas pelo impacto em toda a cadeia produtiva do agronegócio capixaba. Ele destaca a importância da soja para a avicultura, suinocultura e pecuária, além da produção de óleo e biodiesel, reforçando a relevância da cultura para o desenvolvimento econômico regional.
Bergoli também ressalta que produtores locais já realizam testes com diferentes variedades para identificar cultivares mais adequadas ao clima e janelas de plantio da região. Com a chegada da indústria de processamento e o avanço das pesquisas, a expectativa é que a soja ganhe ainda mais espaço e agregue valor à produção agrícola do Espírito Santo.
