Produtividade recorde impulsiona a produção de morango no Espírito Santo
A produção de morango no Espírito Santo atingiu um patamar histórico, com os maiores volumes e produtividades já registrados entre 2023 e 2024. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a colheita chegou a 32,8 mil toneladas em 2024, com rendimento de 110,7 mil quilos por hectare, mais que o dobro do desempenho registrado em 2022, quando a produtividade média era de 50 mil kg/ha. Essa evolução significativa está ligada à adoção crescente do sistema semi-hidropônico, que oferece melhor manejo, reduz perdas e otimiza o uso de insumos, mesmo com área plantada praticamente estável, passando de 293 hectares em 2022 para 297 hectares em 2024.
Região Serrana concentra a maior parte da produção capixaba
O cultivo do morango se concentra majoritariamente na Região Serrana do Espírito Santo. Em 2024, Santa Maria de Jetibá respondeu por 78,46% da produção estadual, com 25,8 mil toneladas. Outros municípios com participação significativa incluem Domingos Martins (10,26%), Venda Nova do Imigrante (5,47%), Afonso Cláudio (1,98%) e Castelo (1,06%), somando juntos mais de 97% da produção total do estado. Essa concentração reflete o potencial local para a cultura, que ganha força com o avanço tecnológico.
Inovação no substrato semi-hidropônico gera economia e sustentabilidade
A transição para o cultivo semi-hidropônico, que utiliza bancadas elevadas e substratos específicos, trouxe conforto no manejo e maior produtividade, além de reduzir os riscos de doenças de solo. No entanto, o custo do substrato importado, feito com materiais como palha de arroz e casca de pinus, é elevado devido ao frete e à dependência de insumos de outros estados.
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Para superar esse desafio, o programa Fortalecimento da Agricultura Capixaba (FortAC), do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), desenvolveu um substrato local para o cultivo semi-hidropônico de morango. Liderada por Sávio da Silva Berilli, a equipe pesquisou matérias-primas regionais como palha de café e cama de frango para criar uma alternativa sustentável e econômica.
O projeto passou por três fases de desenvolvimento. A primeira formulação apresentou desempenho inferior ao substrato industrial. Ajustes nas propriedades, como retenção de água e condutividade elétrica, resultaram na segunda formulação, equivalente aos substratos comerciais. Atualmente, a terceira fase busca reduzir custos calibrando a proporção dos insumos sem perder qualidade.
O substrato produzido é compostado, estável e possui vida útil estimada entre quatro e seis anos. Berilli destaca que, mesmo com preço final similar ao importado, a produção local gera economia real ao eliminar o custo do frete. O substrato pode representar até 25% da economia total no sistema semi-hidropônico, considerando que a infraestrutura corresponde à outra metade do investimento. A demanda pelo material é alta, com consumo estimado em 100 toneladas mensais no Espírito Santo.
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Fenômeno do “Morango do Amor” movimenta o mercado em 2025
Em 2025, o morango ganhou destaque nas feiras, redes sociais e menus de restaurantes com o fenômeno do “morango do amor” — fruto grande, vistoso e com apelo visual forte. Essa tendência impactou diretamente o mercado local, elevando o preço do morango graúdo em 38% de um dia para o outro, segundo dados da Ceasa/ES em julho de 2025. O valor se manteve acima da média mesmo após a alta inicial, demonstrando como tendências culinárias podem influenciar rapidamente o Agronegócio.
Além do efeito nos preços, o fenômeno trouxe aumento nas encomendas e listas de espera entre confeiteiras e pequenos empreendedores em todo o estado. A busca por morangos maiores, mais firmes e visualmente atraentes renovou o interesse e ampliou a renda daqueles que atuam na confeitaria artesanal, revelando uma nova dinâmica para a cadeia produtiva do morango no Espírito Santo.
