Desempenho Econômico do Espírito Santo em 2025
O Espírito Santo encerrou 2025 com um crescimento econômico de 3,2%, superando a média nacional de 2,3%. Esse avanço foi puxado principalmente pelos setores da agropecuária, que cresceu 13,9%, pela indústria, com alta de 6,1%, e pelo setor de serviços, que registrou expansão de 1,2%, conforme dados do Indicador de Atividade Econômica do Observatório Findes (IAE-Findes).
Mesmo diante de desafios externos, como tarifas elevadas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o estado manteve o ritmo positivo. Os EUA, principal destino das exportações capixabas — especialmente de rochas naturais, café, pescados e gengibre —, aplicaram tarifas que impactaram diretamente o Espírito Santo, tornando-o a unidade da federação mais afetada por essas medidas, segundo análise do Banco Central.
Crescimento Econômico e Renda do Trabalhador
Apesar do desempenho robusto do Produto Interno Bruto (PIB) capixaba, o rendimento médio dos trabalhadores cresceu em ritmo mais lento que a média nacional. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o salário médio no estado foi de R$ 3.320 em 2025, representando aumento de 1,4% em relação a 2024. No Brasil, a média salarial foi de R$ 3.367, com alta de 5,4% no mesmo período.
Essa diferença afeta diretamente o cotidiano do cidadão, que enfrenta a combinação do aumento da inflação e das taxas de juros. O custo de vida elevado permanece como um dos principais fatores que moldam as demandas eleitorais no Espírito Santo, influenciando o comportamento do eleitorado nas próximas eleições de 2026.
Fortalecimento do Discurso Governista para 2026
O Espírito Santo completou o terceiro ano consecutivo de crescimento econômico em 2025 e lidera o ranking nacional de gestão pública. Além disso, o estado registrou avanços substanciais na área econômica nos últimos três anos, conforme o Ranking de Competitividade dos Estados divulgado em maio.
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O estado também se destaca como o maior investidor do Brasil e apresenta o melhor índice de poupança, aliado ao menor endividamento entre as unidades federativas, segundo o Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO) de 2025, da Secretaria do Tesouro Nacional. Essa estabilidade fiscal e a gestão responsável fortalecem a base governista, que pode utilizar esses dados para defender a continuidade administrativa e atrair novos investimentos.
Setores-Chave da Economia Capixaba
A agropecuária foi o principal destaque, com crescimento de 13,9% em 2025, impulsionada pela agricultura (+16,7%) e pela pecuária (+1,3%). A safra de café, principal cultura do estado, foi essencial para esse avanço. O Espírito Santo é o segundo maior produtor nacional de café, respondendo por mais de 30% da produção brasileira e cerca de 37% do PIB agrícola local. Conforme o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o setor gera aproximadamente 400 mil empregos diretos e indiretos, estando presente em cerca de 60 mil das 90 mil propriedades rurais do estado.
Na indústria, o crescimento foi puxado pela indústria extrativa, que avançou 18,6%. A pelotização de minério de ferro cresceu 7,6%, enquanto a produção de petróleo e gás natural teve alta significativa de 26,8%. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) registrou produção média diária de 192,9 mil barris de petróleo em 2025, um aumento de 24,5% em relação a 2024. A produção média diária de gás natural chegou a 5,1 milhões de metros cúbicos, 39,5% superior ao ano anterior. Em fevereiro de 2026, o estado retomou a vice-liderança nacional na produção de petróleo, impulsionado pelo Campo de Jubarte, na Bacia de Campos.
Setor de Serviços e Mercado de Trabalho
O setor de serviços avançou 1,2% em 2025, abrangendo comércio, transporte e outras atividades. O segmento de transportes destacou-se com crescimento de 2,6%, beneficiado pela maior demanda por transporte de cargas, reflexo do crescimento agrícola e industrial. O comércio cresceu 1,0%, impulsionado pela maior renda das famílias e pelo aumento nas vendas em supermercados, vestuário, móveis, eletrodomésticos, produtos farmacêuticos, material de construção e atacado de alimentos.
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Outras atividades de serviços, como arte e cultura, manutenção, serviços pessoais, imobiliárias e administração pública, registraram crescimento de 1,1% em 2025.
No mercado de trabalho, a pesquisa PNAD Contínua do IBGE indica que a taxa média anual de desocupação no Espírito Santo foi de 3,3% em 2025, a menor desde 2012 e abaixo da média nacional, que ficou em 5,6%. O estado ficou com a quarta menor taxa do país, atrás apenas de Mato Grosso, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. O total de pessoas ocupadas chegou a cerca de 2,03 milhões.
Avaliação Política e Cenário Eleitoral
Os indicadores econômicos refletem diretamente na percepção do eleitorado sobre a gestão pública. O ex-governador Renato Casagrande (PSB), que deixou o cargo em abril de 2026, mantém alta aprovação, com mais de 70% dos capixabas aprovando sua administração. Casagrande é pré-candidato ao Senado e figura entre os favoritos para as eleições de 2026.
Especialistas, como o professor Everlam Montibeler, do Departamento de Economia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), indicam que não há sinais claros de ruptura na administração estadual atual, apontando para a continuidade do grupo político que governa o estado há décadas.
