Centro de Referência para a Mata Atlântica em Santa Teresa
O Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) está dando passos significativos na criação de um Centro de Educação e Cooperação Socioambiental (CECSA), que funcionará em Santa Teresa, Espírito Santo. Este centro é parte das iniciativas do Governo Federal e tem como meta consolidar o Instituto como um polo de referência em educação, comunicação científica e colaboração socioambiental. Segundo as autoridades, a proposta visa conectar saberes e práticas, promovendo um ambiente que favoreça a consciência ecológica e a cidadania ativa.
A responsável pela comunicação do INMA, Cássia Helena Pereira Lima, destacou a importância de transformar a comunicação científica em um processo mais interativo. “Não se trata apenas de transmitir conhecimento, mas de criar vínculos. Desejamos traduzir ciência em diálogo e pertencimento, conectando pessoas e seus territórios a um futuro sustentável para a Mata Atlântica”, afirmou.
Seminário de Planejamento Integrado
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Uma das ações mais recentes para viabilizar a criação do CECSA foi a realização do 1º Seminário de Planejamento Integrado, intitulado “Tons da Esperança nos Biomas Mata Atlântica e Marinho Capixaba”. O evento ocorreu entre 17 e 19 de março no Auditório Augusto Ruschi, localizado no Museu de Biologia Professor Mello Leitão (MBML), com o apoio da FAPES e do CNPq. Durante o seminário, representantes de diferentes setores, como órgãos públicos, escolas e universidades, se reuniram para discutir e formular bases conceituais e operacionais para a implementação de práticas integradas na educação ambiental e comunicação científica.
A programação do seminário teve como objetivo alinhar o marco nacional dos Centros de Educação e Cooperação Socioambiental com os Centros de Educação Ambiental (CEA) existentes no Espírito Santo. Ao final do encontro, foram definidos quatro eixos centrais para o trabalho do CECSA-INMA/MBML: 1) Conectar territórios; 2) Formar e mobilizar pessoas; 3) Produzir e compartilhar conhecimentos; 4) Cuidar da transformação socioambiental.
Leopoldo Cavaleri Gerhardinger, pesquisador em Socioecologia do INMA e membro da equipe organizadora do seminário, enfatizou que a transformação socioambiental é um processo coletivo. “Quando ciência, educação e comunicação se entrelaçam com o território, criamos um ambiente propício para imaginar e construir futuros mais justos e sustentáveis”, ressaltou.
Atividades e Laboratórios de Mundo Real
O seminário contou com diversas atividades, incluindo visitas técnicas, painéis temáticos e oficinas voltadas para a ciência, educação e políticas públicas. Os participantes discutiram o histórico, o atual estado e as possibilidades futuras da Mata Atlântica, além de mapear práticas pedagógicas e criar roteiros audiovisuais sobre o tema. Durante o evento, alunos de colégios estaduais, como o Maura Abaurre, de Vila Velha, e o José Pinto Coelho, de Santa Teresa, colaboraram na construção de um banco de ideias para conteúdos audiovisuais a serem desenvolvidos em 2026.
Um dos aspectos mais relevantes do CECSA é a implementação dos Laboratórios de Mundo Real (LMR), que são iniciativas de pesquisa participativas e colaborativas baseadas em contextos locais. No seminário, foram definidas as prioridades e uma agenda colaborativa para o planejamento e avaliação desses laboratórios. Inicialmente, serão criados dois LMR: LMR-1, focando em Santa Teresa e na infraestrutura do MBML/INMA, e LMR-2, voltado para o baixo Rio Doce e sua zona costeira.
Construção de uma Rede Interinstitucional
O seminário ressaltou a importância de uma rede interinstitucional que promove uma agenda integrada de educação e comunicação científica no INMA/MBML. Entre os participantes dessa rede estão o Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração – Habitats Costeiros no Espírito Santo, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), que contribui com reflexões sobre a Mata Atlântica e a Zona Costeira. Além disso, laboratórios de educomunicação da Universidade do Estado de Santa Catarina (LELA/UDESC) e da Universidade do Vale do Itajaí (LEA/UNIVALI) também foram mencionados como fundamentais para o avanço das práticas de educação ambiental.
O Departamento de Educação Ambiental e Cidadania do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (DEA/MMA) também desempenha um papel crucial, fornecendo o suporte político-institucional necessário para o Programa Nacional de Centros de Educação Ambiental. As interações com o Instituto Estadual do Meio Ambiente (IEMA) e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEAMA) reforçam a conexão entre as políticas públicas e os desafios enfrentados na implementação dos Centros de Educação Ambiental no Espírito Santo.
Como desdobramento do evento, um grupo de facilitadores foi constituído, reunindo cientistas, educadores e comunicadores. O próximo passo será sistematizar as contribuições do seminário em um plano de pesquisa, com o objetivo de ampliar o portfólio de práticas pedagógicas do INMA e fortalecer a qualidade das atividades educativas. “Estamos muito otimistas com as potencialidades deste projeto e as novas parcerias que poderão ser formalizadas”, conclui Leopoldo Cavaleri Gerhardinger.
