O Cultivo Protegido e Suas Vantagens no Brasil
Originado em Israel, o cultivo protegido já não é uma novidade no Brasil. Após uma tentativa inicial que não obteve sucesso sustentável, a técnica passou por um rejuvenescimento nos últimos dez anos, sendo adotada com mais intensidade. Apesar de seu potencial, a aceitação desta tecnologia tem sido mais lenta do que o desejado. Um dos principais obstáculos é a escassez de agrônomos qualificados para orientar os produtores, além da dificuldade em obter plásticos adequados para as telas e a falta de tecnologias específicas que se adaptem ao clima tropical de regiões como Manaus (AM) e Belém (PA), onde o cultivo hidropônico tem se expandido. De acordo com Ítalo Guedes, pesquisador da Embrapa Hortaliças, a essência da adaptação do cultivo protegido no Brasil está nas necessidades locais: proteger as plantações de chuvas excessivas, pragas e luz solar intensa, ao contrário de países como Israel, Espanha e Holanda, que buscam proteger suas culturas do frio extremo.
As vantagens do cultivo protegido são várias e impactantes:
1. Controle de Pragas Eficiente: As telas atuam como uma barreira contra insetos, facilitando o controle biológico de pragas e doenças. Por exemplo, é possível introduzir vespas que atacam lagartas sem causar danos às plantas. Para fungos e outras pragas, bactérias específicas podem ser utilizadas, promovendo um impacto ambiental quase nulo.
Leia também: Cultivo Protegido no Brasil: Vantagens, Desafios e Como Iniciar
Fonte: amapainforma.com.br
Leia também: Agroecologia: O Caminho para a Sustentabilidade Alimentar no Brasil
Fonte: parabelem.com.br
2. Proteção Climática: As estufas oferecem uma camada de proteção contra condições climáticas adversas, garantindo a integridade de hortaliças e frutas. Contudo, é essencial monitorar a temperatura interna para evitar o superaquecimento.
3. Uso Racional de Recursos: Ao transferir o cultivo para um ambiente fechado, a utilização de água e fertilizantes se torna mais eficiente. Em um cultivo protegido convencional, realiza-se apenas uma aplicação de agroquímicos, em contrapartida às quatro ou cinco aplicações necessárias em plantações abertas, já que os produtos não são “lavados” pela chuva ou vento, como ressalta Guedes.
4. Irrigação Eficiente: O sistema de irrigação por gotejamento no cultivo protegido possibilita uma irrigação mais eficiente.
5. Cultivo Hidropônico: No caso do cultivo protegido de hidropônicos e semihidropônicos, a irrigação se torna ainda mais otimizada, com a entrega das quantidades exatas de água diretamente às raízes, minimizando as perdas por evaporação.
6. Produtos de Qualidade Superior: No final do ciclo, o resultado são produtos mais limpos, seguros, de qualidade superior e apresentação visual atrativa. Guedes afirma que “o brasileiro costuma comprar pela aparência”.
Desafios a Serem Enfrentados
Apesar das vantagens, existem desafios significativos a serem superados:
1. Falta de Conhecimento do Consumidor: O mesmo consumidor que busca por produtos mais seguros e visualmente agradáveis, muitas vezes desconhece as qualidades dos alimentos cultivados em estufas. Para Guedes, essa é uma lacuna que deve ser preenchida com ações de marketing eficazes.
2. Necessidade de Informação: É fundamental que os produtores busquem informações, principalmente devido à escassez de profissionais especializados. Ter experiência com a cultura escolhida é também um pré-requisito importante.
3. Manutenção da Estrutura: Com uma vida útil estimada em 15 anos, as estufas demandam cuidados. É crucial escolher locais com baixa incidência de ventos, boa luminosidade e evitar áreas propensas a alagamentos, além de estar próximo a fontes de energia elétrica e centros de comercialização.
