Baixa demanda afeta vendas de salas comerciais
A recente pesquisa do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Espírito Santo (Sinduscon-ES) revela que as vendas de salas comerciais registraram uma média alarmante de apenas 1,6%. Esse índice é significativamente inferior ao observado no setor residencial, que ainda demonstra uma resiliência maior no mercado imobiliário. O cenário atual é preocupante para investidores e profissionais do setor, que enfrentam uma estagnação preocupante.
A análise de dados do 46º Censo Imobiliário indica que, entre 2008 e 2014, houve um excesso de oferta de salas comerciais. Contudo, crises econômicas, como a de 2008, a pandemia da Covid-19, que afetou o mercado entre 2020 e 2023, e a recente alta da Taxa Selic, têm contribuído para a diminuição do interesse por esses imóveis. Além disso, um dado interessante é que, no 2º semestre de 2025, enquanto 18.969 unidades residenciais estavam em construção na Grande Vitória, apenas 500 salas comerciais eram lançadas.
VSO mostra a disparidade no setor
A metodologia da Venda Sobre Oferta (VSO), que mede a proporção de unidades vendidas em comparação ao total disponível em um dado período, mostra resultados ainda mais alarmantes. Para os imóveis residenciais, a média do VSO bruto para os econômicos é de 6,4%, enquanto os de alto padrão atingem 5,6%. Já as salas comerciais, por sua vez, apresentam um crescimento modesto de apenas 1,6%, conforme apresentado no censo imobiliário.
Fatores que contribuíram para a estagnação
Eduardo Borges, diretor de Economia e Estatística do Sinduscon-ES, comenta que a estagnação do mercado de salas comerciais deve-se a uma combinação de fatores. Ele ressalta que, após uma significativa expansão da construção de empreendimentos comerciais entre 2008 e 2013, o setor agora enfrenta uma demanda em queda. “Os lançamentos comerciais, que geralmente têm preços superiores aos residenciais, foram reduzidos à medida que o mercado percebeu que a procura havia encolhido significativamente”, destaca.
Além disso, a dinâmica de trabalho tem mudado. A introdução do home office alterou a necessidade de espaços comerciais, fazendo com que muitas empresas optassem por coworkings ou simplesmente deixassem de lado a ideia de alugar um escritório fixo. Borges observa que, enquanto a demanda por residências continua a crescer, o mesmo não ocorre com espaços comerciais.
Dados financeiros contrastantes entre os setores
Os números financeiros também evidenciam essa disparidade. O Valor Geral de Vendas (VGV) das unidades comerciais alcançou R$ 126,06 milhões, mas o VGV vendido bruto foi de apenas R$ 61,79 milhões, resultando em vendas líquidas de R$ 23,4 milhões. Em contrapartida, os imóveis residenciais apresentaram um VGV impressionante de R$ 3,25 bilhões, com vendas líquidas também de R$ 2,56 bilhões.
O olhar para o futuro
José Luís Galvêas, diretor-presidente da Galwan, uma das principais construtoras da região, menciona que, apesar da estagnação, sempre existirá demanda para imóveis comerciais em qualquer cenário econômico. “Os espaços comerciais foram impactados pela pandemia, através da mudança para o trabalho remoto, o que desacelerou ainda mais seu crescimento. Atualmente, o risco percebido está levando à construção em menor escala”, explica.
Ele destaca que a Galwan tem se concentrado mais nos empreendimentos residenciais, embora alguns projetos significativos, como o Global Tower e o Ocean Ville, tenham sido desenvolvidos. Ao olhar para o futuro, Galvêas afirma que o foco da empresa, até o momento, continua nas unidades residenciais.
