Início do Monitoramento na Baía de Vitória
No último sábado (21), uma força-tarefa iniciou a primeira coleta oficial de água do mar para investigar a mancha escura que vem chamando a atenção na Baía de Vitória. A atividade foi realizada em sete pontos estratégicos, principalmente nas proximidades da Ilha do Frade. Essa ação é parte de um esforço coordenado pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), em colaboração com o Ministério Público Federal.
O cronograma de monitoramento tem a previsão de durar cinco semanas, com foco na avaliação da balneabilidade e das condições ambientais da região. O principal objetivo é determinar a origem da mancha e fornecer dados que ajudem na formulação de medidas efetivas para solucionar o problema que vem preocupando banhistas e moradores locais.
Composição da Força-Tarefa
A supervisão do caso é realizada pela Promotoria de Justiça Cível de Vitória, no contexto do Plano Municipal de Saneamento Básico. O grupo de trabalho é composto por diversas entidades, incluindo a Assembleia Legislativa, a Prefeitura de Vitória, a Câmara Municipal, o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan), além de representantes do Governo do Estado e da sociedade civil.
Além das coletas de água, o grupo se reúne para discutir estratégias que evitem o lançamento de águas pluviais em áreas frequentadas por banhistas, especialmente nas regiões da Guarderia e da Ilha das Caieiras. Esses encontros são fundamentais para a formulação de um plano que não comprometa a saúde pública nem o meio ambiente local.
Resultados de Coletas Anteriores
Antes dessa coleta oficial, uma amostra de água foi retirada na quarta-feira (18) e divulgada pela Prefeitura de Vitória como parte do monitoramento inicial. Os resultados dessa análise mostraram que os seis pontos avaliados eram próprios para banho, incluindo áreas da Curva da Jurema e da Praia do Iate, além de um ponto extra próximo à manilha ao lado da ponte da Ilha do Frade.
Entretanto, o MPES ressaltou que essa coleta teve um caráter experimental, visando a padronização dos procedimentos a serem utilizados nas coletas subsequentes. A transparência nesse processo é essencial para manter a população informada sobre a qualidade da água e as ações sendo realizadas.
Histórico da Mancha na Região
A mancha foi descoberta no final de janeiro, nas proximidades da Praia do Canto e da ponte da Ilha do Frade, gerando preocupações e questionamentos por parte do MPES à prefeitura, à Cesan e à Agência de Regulação de Serviços Públicos (Arsp). Segundo a Prefeitura de Vitória, a água liberada no mar oriunda do lençol freático é resultante de obras de macrodrenagem e é caracterizada como água salobra. Essa água é bombeada para facilitar as intervenções na infraestrutura urbana.
A administração municipal também destacou que está realizando um monitoramento contínuo da área desde o surgimento da mancha. Por outro lado, a Cesan afirmou que a mancha não está relacionada ao seu sistema de esgotamento sanitário e indicou que uma tubulação de drenagem pluvial pode ser a responsável por conduzir a água da chuva até o mar, contribuindo para a formação da mancha.
De acordo com o MPES, a expectativa é que, ao final do ciclo de coletas e análises, os dados obtidos proporcionem um diagnóstico mais preciso sobre a balneabilidade e a qualidade ambiental marinha na Baía de Vitória. Essa informação é vital para garantir a segurança dos banhistas e a preservação do ecossistema local.
