Desafios na Carreira Docente
O salário inicial dos professores das redes estaduais no Brasil apresentou evolução, mas ainda existem obstáculos significativos na estrutura das carreiras do magistério. Essa é a conclusão do coordenador geral do Movimento Profissão Docente, Haroldo Rocha, que compartilhou um novo estudo com a Rede TC de Comunicações. O levantamento mostra que, em 2025, o salário inicial médio dos professores foi de R$ 6.212,36 para uma carga horária de 40 horas semanais.
Segundo a pesquisa, esse valor representa um crescimento de 6,22% em relação a 2024 e equivale a 4,09 salários-mínimos, superando em 28% o piso salarial do magistério, que em 2025 foi fixado em R$ 4.867,77. Ao longo do período de 2009 a 2025, o piso do magistério aumentou 412,4%, enquanto a inflação acumulada foi de 144,1%, resultando em um ganho real substancial para os educadores.
Haroldo Rocha ressalta que, apesar do avanço nos salários, as estruturas de carreira não incentivam a melhoria das práticas pedagógicas nem o desenvolvimento profissional dos educadores. “A remuneração e a carreira do professor são fundamentais para elevar a qualidade da educação. O Brasil é um país com dimensões continentais e realidades muito distintas, e por isso o nosso estudo analisa a carreira e a remuneração em todos os estados”, afirma Rocha, acrescentando que a intenção é proporcionar informações valiosas para os profissionais da educação.
Um Olhar sobre os Dados
Haroldo Rocha, que exerceu o cargo de secretário de Educação no Espírito Santo em duas gestões (2007 a 2010 e de 2015 a 2018), destaca que o estudo também tem como objetivo orientar professores e governantes sobre como melhorar a remuneração com base em dados concretos. “O propósito principal é fornecer uma referência quantitativa que ajude as secretarias estaduais a aperfeiçoarem as condições salariais e de carreira dos educadores”, explica.
O estudo, que teve início em 2019, foi atualizado pelo Movimento Profissão Docente e apresenta a terceira edição com dados recentes de 2025. Rocha observa que, em 2022, ainda havia estados que não cumpriam com o pagamento do piso salarial. Hoje, todos os 26 estados e o Distrito Federal pagam pelo menos o piso, o que representa um avanço significativo. A média salarial no início da carreira alcançou em 2025 um patamar 28% superior ao piso salarial, resultado da prática de 22 estados que remuneram acima do mínimo legal.
A Evolução e os Desafios do Magistério
Apesar dos progressos, Haroldo Rocha ainda vê muitos desafios a serem enfrentados. “O professor enfrenta uma pressão constante por evolução, aprendizado e inovação nas metodologias de ensino. Portanto, é crucial que sua carreira ofereça oportunidades de crescimento salarial, especialmente quando ele se destaca em sua atuação”, argumenta.
Ele alerta que muitos estados ainda estão aquém na implementação de critérios que incentivem a melhoria contínua dos educadores. Embora 25 estados tenham legislação que exige avaliações de desempenho, na prática, essas avaliações costumam ser burocráticas e pouco eficazes. “A remuneração inicial está melhorando, o que é positivo; no entanto, os educadores que já estão no sistema não encontram incentivos suficientes para desenvolver suas habilidades, dado que muitas vezes o salário no final da carreira não é significativamente diferente do inicial”, completa.
Atraindo Novos Talentos para a Educação
Em relação ao Espírito Santo, Rocha aponta que o estado beneficia os professores com uma remuneração em forma de subsídio, que pode aumentar o salário final. Contudo, ele observa que ainda há necessidade de melhorias, especialmente para atrair novos talentos. “O Espírito Santo deve olhar para outros estados que estão à frente e buscar aprimorar a remuneração inicial e ao longo da carreira, tornando a profissão mais atraente para jovens licenciados”, sugere.
O estudo do Movimento Profissão Docente, por sua vez, se propõe a fornecer bases concretas para os governos estaduais avaliarem suas políticas e ações em relação ao magistério. “Em um ano eleitoral, é fundamental que os candidatos considerem esses dados ao formular propostas para melhorar as condições de trabalho e a valorização dos professores”, conclui Rocha.
O Que o Estudo Revela Sobre a Remuneração dos Professores
O levantamento revela que o salário inicial dos professores não reflete a totalidade da remuneração, identificando 180 tipos de gratificações e adicionais que, após a reforma da previdência de 2019, deixaram de ser considerados para a aposentadoria. Além do Espírito Santo, estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Alagoas, São Paulo e Rio Grande do Sul adotam o modelo de remuneração por subsídio, que simplifica a gestão e proporciona maior transparência.
O estudo também indica que 16 redes estaduais pagam o mesmo salário para professores em escolas com diferentes regimes de tempo, enquanto 11 secretarias oferecem gratificações para dedicação exclusiva ou tempo integral, elevando o salário médio para R$ 7.698,57 para os docentes de tempo integral.
Recomendações para a Valorização Docente
O Movimento Profissão Docente recomenda que as redes de ensino aprimorem suas políticas de carreira, promovendo avaliações de desempenho e desenvolvimento profissional contínuo, aspectos fundamentais para impactar positivamente a aprendizagem dos alunos. “A avaliação das práticas de ensino é essencial para identificar e superar deficiências por meio de formação continuada”, afirma a diretora Cecília Gomes.
O estudo também enfatiza a necessidade de critérios de progressão que reflitam a real contribuição dos educadores para o processo de ensino-aprendizagem, superando a mera acumulação de títulos acadêmicos, que têm impacto limitado na educação.
