Reflexões sobre políticas culturais e Trabalho na Cultura em Vitória
Nos dias 7, 8 e 9 de maio, o Centro Histórico de Vitória (ES) será palco do Seminário Nacional Trabalho na Cultura 2026. O evento, aberto a todos os interessados de diversas partes do Brasil, acontecerá no Museu Capixaba do Negro (Mucane) e promete gerar discussões valiosas sobre as políticas culturais e seu impacto no universo do trabalho.
Com o tema “Trabalho, territórios, políticas públicas em disputa”, o seminário busca refletir sobre as experiências culturais tanto no Brasil quanto no exterior. A programação inclui debates, apresentações de resumos expandidos e relatos de vivências, tudo sem necessidade de inscrição prévia, enriquecendo ainda mais o acesso ao conhecimento e à troca de experiências.
Apresentações e Debates Enriquecem a Programação
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A edição deste ano selecionou 15 resumos e relatos que serão apresentados por autores de várias cidades do país. O primeiro dia, 7 de maio, contará com o debate “Políticas Culturais em dados e disputa”, que reunirá especialistas como Lia Calabre, da Fundação Casa de Rui Barbosa; Frederico Barbosa, do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea); Karlili Trindade, do Observatório Grito da Cultura; e Genildo Coelho, do Ádapo Instituto de Preservação do Patrimônio Cultural.
No dia seguinte, a discussão girará em torno dos “Desafios do futuro do trabalho na cultura”. Este painel contará com a presença de Edcarlos R. Bomfim, do Coletivo JACA; Bruno de Deus e Magnago, da Casa Sinestésica; e Angela Couto, do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo (Sated/ES). Por fim, no dia 9, o tema “Cultura em emergência: entre o apagamento e a resistência” será debatido por Flávia Santos, Thiago Maiandeua, Penha Gaspar e Bianca Tupinikim.
Importância do Seminário para a Cultura e o Trabalho
Thiago Maiandeua enfatiza a relevância do seminário para o fortalecimento das lutas culturais. “Eventos como este são fundamentais para trocarmos vivências e pensarmos em políticas culturais que dialoguem com a realidade dos territórios. Participar é reafirmar meu compromisso com a cultura como um direito”, afirma.
Lia Calabre também destaca a importância do seminário, ressaltando como a discussão sobre o trabalho na cultura tem evoluído. “Os estudos sobre as cadeias produtivas da cultura revelaram a complexidade desse campo e a diversidade de saberes envolvidos. A pandemia ressaltou a necessidade de compreender a totalidade do setor, que vai além dos artistas”, comenta.
Desafios e Oportunidades na Cultura
Ela argumenta que, embora exista um preconceito em relação ao trabalho cultural, a contribuição desse setor para a geração de empregos é significativa, mesmo que em sua maioria informal. “As políticas públicas devem atuar para corrigir as desigualdades e garantir o status de trabalhador”, ressalta Lia.
O seminário é promovido pela Associação Cultura Capixaba (CUCA) e o movimento Grito da Cultura, com o apoio da Secretaria Estadual da Cultura, da Secretaria de Cultura de Vitória e do Ciclo Escola. O projeto foi viabilizado por meio da emenda parlamentar da Deputada Camila Valadão e teve sua primeira edição realizada em maio de 2025.
Cultura Capixaba e o Papel do Grito da Cultura
A Associação Cultura Capixaba (CUCA) surgiu em 2015 com a missão de unir os agentes do setor cultural, promovendo ações e programas que fortaleçam a cultura no Espírito Santo. Já o Grito da Cultura, um movimento social criado em 2022, visa lutar contra o desmonte das políticas públicas de cultura em Vitória, ampliando sua atuação para todo o estado.
O Seminário, portanto, se consolida como um importante espaço de debate e referência para pesquisadores e trabalhadores da cultura de diferentes regiões, reafirmando o Espírito Santo como um centro de discussão sobre políticas culturais. A evolução do número de apresentações de resumos, que aumentou de seis em 2025 para quinze em 2026, é um claro sinal do amadurecimento e da relevância dessas discussões no cenário cultural brasileiro.
